De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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  Uma experiência que eu não quero passar nunca mais

Demorou mais chegou, estava orquestrando como retornar mais uma vez com a minha coluna mensal e então porque não falar de uma experiência que me marcou muito. A primeira vez que eu passei por isso em um jogo de Basquetebol, olha que são 8 anos de Área Restritiva, mas essa foi a primeira vez que eu acompanhei uma briga de torcida dentro de um ginásio.

A algumas semanas eu fui acompanhar um jogo do NBB em loco, a partida entre São Paulo FC e Life Fitness Minas, a partida aconteceu no Ginásio Pol. Dr. Antonio Leme Nunes Galvão, casa da equipe da Capital Paulista lá no Morumbi, eu já havia ido até lá para acompanhar jogos da Base, mas nunca do adulto.

Para quem não conhece o ginásio foi construído de baixo dos alicerces do estádio de futebol, algo que em um primeiro momento lembra um coliseu antigo, pelo formato das arquibancadas e isso é algo importante de se dizer o ginásio só tem uma entrada e uma saída e para conseguir sair de lá é preciso passar pela arquibancada. Se você está dentro da quadra, existe um outro acesso por debaixo da arquibancada, o mesmo local de onde as equipes tem acesso ao vestiário.

Bom, estava lá no ginásio, inclusive acompanhei a primeira parte do confronto das arquibancadas, uma festa muito bonita do torcedor são paulino, que lotou o ginásio e incentivava a torcida, realmente uma festa bonita. A equipe respondia dentro de quadra, mesmo estando atrás do placar, toda a receita de um grande jogo estava presente.

No intervalo da partida, eu desci para a quadra, iria ficar como imprensa. Mas um dos coordenadores (que já me conhece, não só pelo Área, mas pelo meu trabalho com Basquetebol), me convidou para ficar junto dos convidados, acabei sentando do lado de um dos coordenadores da Base do São Paulo e fomos acompanhando a partida e discutindo como a Base do Basquetebol Brasileiro está, era um dia muito agradável e proveitoso.

Segundos finais da partida, depois de uma sucessão de decisões que valem a discussão, decisões “equivocadas” das equipes e da arbitragem, faltando seis segundos para o final do jogo, o SPFC perdendo por três pontos, quando o Pivô do São Paulo Murilo pega a bola na defesa, faz toda a transição defesa-ataque e força uma arremesso dos três pontos para cavar a falta e ir para a linha do lance livre.

Só que a arbitragem opta por não dar a falta e o mundo caiu.

A tarde agradável mudou. O mundo caiu, se chovesse naquele momento seria o timing perfeito para um filme do Tarantino. Porque não poderia existir plot twist mais desagradável do que esse. A torcida ficou enlouquecida e uma chuva de tudo o que tinha na mão estava acontecendo, copos e garrafas de plástico voavam para dentro da quadra e eu em um momento de desespero procurei tentar acalmar os torcedores junto do coordenador que estava comigo.

Fui insultado e os itens arremessados me acertavam, mas naquele momento eu só pensava em acalmar o máximo de pessoas que eu pudesse, logo chamei o locutor do jogo, pedi para que ele usasse do equipamento de som para acalmar a torcida, porque além de tudo, a equipe poderia ser multada e perder mando de quadra, sem falar que estavam dentro de quadra famílias de jogadores, os próprios atletas e outros profissionais.

Torcedores me insultavam, como se eu tivesse culpa na decisão e resultado da partida, os jogadores das equipes continuavam em quadra, a equipe de arbitragem sendo protegida e levada para o falso fundo da quadra e eu vendo nos olhos dos que estavam dentro de quadra o medo instaurado.

As poucas pessoas que estavam torcendo para o Minas, estavam acuados no canto do ginásio e todos torcendo para o pior não acontecer, a torcida começou a ir embora aos poucos, pessoas passavam mal e em meio disso comentários de que funcionários do clube mandante haviam levado alguns socos, ao tentar ajudar pessoas a saírem do ginásio.

Eu continuei dentro do ginásio, a cara de assustados dos membros da arbitragem e dos mesários era impactante. Haviam profissionais da Liga Nacional que estavam com medo de ir embora, por estarem com o uniforme da liga e eu contando os minutos para sair, só pensava em ir embora.

Mas parte de mim estava com medo, afinal eu não sabia o que poderia encontrar lá fora, mesmo com o livre caminho para sair, arquibancadas mais vazias e eu vendo pessoas indo embora, eu não sabia como estava lá fora. Por fim depois de cerca de 40-50 minutos eu consegui ir embora, nada me aconteceu e eu sai de lá.

Só que essa é uma história que até hoje ainda me surpreende, uma pessoa que estava na torcida e se recusou a ficar para o tumulto havia sido coagida por torcedores afinal, torcer e não brigar quando precisa, “não é postura de são paulina”, a torcida cobra.

Uma experiência que eu não quero passar nunca mais
Imagem retirada do O Globo

Até quando esse tipo de situação vai acontecer?

Porque transformar uma festa em algo apocalíptico?

Será que algo como isso na foto que ilustra esse texto vai ter que acontecer para esse cenário mudar?

Se você está lendo isso e achando que foi um caso isolado. Me desculpe caro leitor(a), não foi. Nessa temporada, no Rio de Janeiro uma partida foi paralisada e o Felipe Souza, contou tudo em seu blog. Quando o Palmeiras ainda estava disputando o NBB, existiu uma situação parecida envolvendo torcida e arbitragem, onde torcedores trancaram os árbitros dentro do ginásio.

Então sinto lhe informar, isso não é um caso isolado e sim, isso tem que acabar, porque o Basquetebol sangra com ações desse tipo.

Quero deixar aqui também que esse não é um problema da equipe ou do clube que naquele momento fez o que pode para conter a torcida, como eu comento no texto, profissionais do São Paulo foram tentar acalmar os torcedores. Em nenhum momento eu vi a torcida sendo inflamada por profissionais do clube.

SOBRE O AUTOR Diego Andrade, mais conhecido como Diego Silver. Professor de Educação Física. Pai, viciado em coisas de Nerd e é claro entusiasta do Basquetebol. Ex-Aluno do Bi-Campeão Mundial Rosa Branca, quando o mesmo era servidor do SESC Consolação. CONHECER TODO TIME
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