O desafio de Zion é superar suas lesões e as polêmicas sobre pagamentos indevidos

Jogadores e técnicos são enfáticos ao criticar a grande quantidade de jogos de uma temporada regular da NBA: são 82 partidas, metade delas no campo dos adversários, levando os times a viajarem por muitos dias seguidos. E ao longo do ano podemos acompanhar a mudança corporal dos atletas e expressões de cansaço em seus rostos. Steve Kerr, técnico do Golden State Warriors, foi um dos muitos envolvidos que já declarou até mesmo aceitar uma redução salarial em prol da diminuição do número de partidas.

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Como em todos os esportes de alta performance, os jogadores são expostos aos holofotes e sua forma física posta em xeque quase sempre. Isso atinge veteranos e novatos, mas nenhum deles foi tão criticado em 2019 e 2020 como Zion Williamson, cuja chegada através do draft ao New Orleans Pelicans fez com que o antigo time de Anthony Davis ganhasse novas peças de suporte ao novato estrela através da concorrida troca do astro com o Los Angeles Lakers.  

Zion vem de uma das mais tradicionais e vencedoras equipes do basquete universitário, a Duke. Seu lendário técnico, Mike Krzyzewski, ou Coach K, foi quem deu as últimas três medalhas de ouro olímpicas à seleção estadunidense. Ele é conhecido pelo equilíbrio entre compromisso e afetividade, sendo um dos melhores preparadores dos talentos que um dia chegarão à liga profissional. 

Coach K sempre fez questão de ressaltar que Zion era muito mais do que um jogador corpulento e de explosão em suas enterradas. Que o atleta tinha sempre a vontade de aprimorar seu jogo e sua maturidade e humildade faziam dele um jogador diferenciado. Porém o mesmo Krzyzewski, em julho de 2019, declarou que Zion não estava em forma para jogar (“nem fisicamente e mentalmente”, disse o técnico) e que não deveria ter participado da liga de Verão. 

Duas fotos, paralelas de Zion Williamson comparando o físico do jogador do new Orleans Pelicans. Um pelicano pode voar alto? Zion Williamson e sua saída da Bolha de Orlando - Área Restritiva
Diferença física de Zion Williamson, chamou a atenção no retorno dos treinos da NBA. Foto: Divulgação/NBAE

Seja por isso ou por uma fatalidade, durante essa mesma competição Zion jogou apenas por 9 minutos contra o New York Knicks e lesionou o joelho. Com apenas 19 anos começou a vivenciar a triste rotina de lesões na NBA. E em 13 de outubro veio o pior pesadelo do atleta de 129kg: um rompimento de menisco que o deixou meses no estaleiro.

No entanto, sua chegada em Orlando surpreendeu a todos: 11 quilos mais magro e com 5 quilos a mais de massa muscular, um Zion com shape redefinido apareceu e o hype sobre ele voltou a crescer, com fãs pedindo o título de ROY (Rookie oh the Year – Novato do Ano).

Mesmo na bolha da NBA, novas polêmicas

Em mais uma reviravolta em sua curta carreira profissional, na última quinta-feira Zion saiu da concentração da bolha para cuidar de uma “emergência médica familiar”, como o caso foi nomeado de maneira breve e sem detalhes através de um comunicado oficial do Pelicans. Até o fechamento deste texto o time publicamente não deu mais informações sobre um retorno. Colegas e o técnico Alvin Gentry foram econômicos nas palavras e apenas disseram “esperar o retorno” do jogador.

A saída inesperada de Orlando veio em meio a polêmicas em torno de sua carreira anterior a NBA. Sua ex-agente de RP o acusa de receber dinheiro durante sua estadia na Duke, política proibida na rígida esfera do basquete universitário. E na semana passada veio à tona mais uma acusação, a de um agente que supostamente teria dado 400 mil dólares ao padrasto de Zion antes que ele se comprometesse com a universidade. 

Esse fato torna com que o real motivo de sua ausência fosse questionado. Ainda que atletas tenham direito a manter privada sua vida familiar, essa saída em meio a turbulências desse calibre faz com que todos sintam a falta de uma NBA mais espetáculo, pois Zion seria a peça certa para esse entretenimento. E não só para os já fãs dos Pelicans, pois o time é candidato a ser, por causa de Zion, uma das maiores equipes band wagon da liga (termo dado aos torcedores que mudam de time após uma compra estrelar ou por um campeonato conquistado).

Mídia, jogadores e fãs exaltam o carisma e a humildade do novato, que até agora não mostrou arroubos de estrelismo ou exposição exagerada de consumo. Zion é calmo, sorridente e realmente parece se divertir em quadra. Em um dos episódios mais espirituosos de sua carreira, foram notórias as gargalhadas dadas após uma declaração do veterano JJ Redick, seu mentor no Pelicans e lenda da mesma Duke de Zion. Redick disse aos repórteres durante uma coletiva de pré-temporada que Zion não deveria f**** seu recorde de participação em playoffs. Ali tivemos a oportunidade de ver claramente o rapaz que, em meio a tantas polêmicas alheias, só quer rir, jogar bola e ser feliz. 

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