A terceira semana do documentário da Netflix, apresenta os problemas em ser Michael Jordan

Antes de mais nada! Esse texto pode estragar sua experiência assistindo o The Last Dance, ou o título nacional Arremesso Final, pode conter spoilers sobe o que vai acontecer e você ler antes pode atrapalhar, recadinho dado, vamos ao que vimos nos episódios 5 & 6.

Be Like Mike, foi uma máxima dos anos 90, um comercial da Gatorade que tentava retratar tudo o que representava ser Michael Jordan um sentimento de alegria em ser o melhor de todos os tempos mas aparentemente não era algo tão simples assim, ‘ser como Michael’ não é tão feliz.

Os episódios 5 & 6 da série documental produzida pela Netflix, NBA e ESPN Norte-americana, vem abordando dois pontos muito interessantes nesse Chicago Bulls e no Michael Jordan, a construção da imagem e o legado, se você sonha em ser um jogador de Basquete e ninguém pensa em ser jogador mediano, você tem que assistir e entender o que esses episódios abordam, na verdade se você pensa em ser o melhor no que você faz, assista e reflita, esses episódios também são para você.

Seja exemplo, todos estão te olhando

Quando você se coloca em uma posição onde se tem destaque, uma das coisas que você tem que se preocupar é qual a imagem você quer passar aqui. Mas quando você é colocado naquela posição, quando constroem um pedestal para você e te convidam a ficar ali para sempre qual seria a posição a tomar?

O episódio 5 fala muito sobre isso, sobre a construção de uma imagem, sobre a construção de um legado. Michael Jordan sabia desde o início de tudo que ele seria o melhor, como ele sabia isso? Bom estamos tentando descobrir, mas talvez ele não soubesse o que vinha no combo de ser o melhor de todos os tempos.

Temos uma equação que trás o mais talentoso de uma época, negro, fotogênico, midiático, líder e competitivo. Colocar Barrack Obama para falar sobre MJ, não é simplesmente colocar um ex-morador de Chicago para falar de um ídolo local, é colocar o ex-presidente dos EUA para falar de uma figura que é mais conhecida do que muitas figuras religiosas e de adoração, mas que não sabia como lidar com isso da mesma forma como sabia lidar com o que acontecia dentro de quadra.

Ele entendia que tinha que ser o exemplo, mas qual exemplo? Porque como ele mesmo diz se ele como ídolo tem que ser o que você quer que ele seja, talvez ele não seja o melhor exemplo para você. Uma coisa aqui ele deixou muito claro, ele era exemplo, mas ele não pediu para ser, você quis que ele fosse, então o problema é seu.

No episódio 6 isso fica muito mais claro quando os “problemas” com apostas são expostos, além de outros é claro, mas as apostas foram o ápice dos problemas do primeiro Three-peat do Bulls.

Em nenhum momento o Michael Jordan infringiu leis, em nenhum momento ele quebrou algum regulamento da NBA ou do Bulls, ou desrespeitou seus companheiros de equipe, David Stern e Phil Jackson estão lá para provar, mas Michael Jordan falhou no ponto de vista das expectativas dos fãs e naquele momento pareceu que ele não deveria ficar no pedestal, porque ele não era um ser humano perfeito. Mas em que momento foi feito o acordo onde dizia que ele tinha que ser?

Na foto, uma close em Michael Jordan o enquadramento pega o sorriso e a roupa de MJ, em um formato de busto, uma montagem na coloração da imagem, para destacar o paletô preto e a gravata clara tingida de um azul esverdeado. The Last Dance: O Legado de Jordan colocado em Check - Área Restritiva
Foto: JOHN ZICH/AFP/Getty Images dia Inside Hook

Ele tinha que ser ele, mas Michael estava cansado de ser o Air Jordan

Desde o começo a série prometeu que em algum momento o fã de Michael Jordan talvez não gostasse tanto de Michael Jordan. Sinto lhe informar talvez esse momento tenha chegado.

Algo que sempre chama a atenção nesses elencos campeões é como eles lidam com o estresse e o impacto da mídia em cima do elenco.

Sabemos que o Phil Jackson é um excelente gestor de elencos e lida muito bem com os problemas, em uma das falas de Michael Jordan naquela época ele deixa isso evidente, “Phil sabe como lidar com o elenco é experiente e sabe ver quando o time precisa de folga”, mas o que talvez ninguém sabia, era que existiam mais problemas do que se pudesse imaginar.

Discussões, um Jordan militar com uma postura “faça o que eu estou mandando ou você será punido”, agressões físicas e problemas extra quadra e coloca problemas nisso, porque ter o seu nome ligado a esquemas de apostas esportivas, não as apostas que ele fazia nos jogos de cartas e golfe, Jordan teve seu nome envolvido com esquemas de manipulação de resultados.

Não dizendo ou insinuando que ele entregava as partidas, não tem como imaginar isso acontecendo e aparentemente foi provado que não, mas por andar com pessoas que eram as cabeças por trás desses esquemas, isso também foi questionado em algum momento de sua carreira.

Ah! Tem também o vestiário do Bulls que não era o lugar mais calmo e exemplar do mundo, não por menos tem até um livro falando sobre (vamos deixar para falar em outro texto), mas mais uma vez o Jordan é ‘pivô’ de polêmicas, uma dela sobre o consumo de álcool e cigarro nos vestiários “a dez anos atrás até a comissão técnica incentivava”.

No final, Jordan só estava ficando cada vez mais cansado, pensando em parar, não querendo mais isso e curtindo a solidão que alguns momentos proporcionavam, como os minutos entre um compromisso e outro ou assistir TV sozinho no quarto do hotel, porque quando ele saia do quarto ele tinha que ser o impecável Michael Jordan e ele estava cansado disso, muito cansado.

Na foto, Michael Jordan em um enquadramento de Busto, olhando para o lado com as mãos na cintura em partida do Chicago Bulls, Jordan está fazendo um não com o canto da boca, uma feição de negação para alguma coisa. The Last Dance: O Legado de Jordan colocado em Check - Área Restritiva

O exemplo x o MAIOR EXEMPLO – Michael Jordan x Mohammed Ali

Em meio a isso tudo, temos talvez o momento mais feliz na narrativa, não estou falando da história, mas da narrativa. Jordan é o ídolo, é o astro central da história dessa segunda-feira, mas tem um ponto em que Michael Jordan talvez não seja a maior figura do mundo.

Michael Jordan é o exemplo, mas Mohamed Ali é o maior exemplo e o documentário fez questão de mostrar os dois juntos e o tempo todo na narrativa, você passa a comparar na sua cabeça sem que ninguém tenha pedido por isso.

Mohamed Ali, é um exemplo de ativismo, assim como foi no Boxe, suas lutas sociais e por toda a comunidade afro norte-americana, porque não mundial é conhecida e isso o transformou em um maior exemplo, naquele momento e talvez até hoje Jordan seja só o exemplo e o documentário trata de expor isso, ao colocar na tela MJ e Ali juntos no ato da série em que é abordado o posicionamento político do MJ, em um momento como esse, com frases do Barrack Obama.

Naquele momento foi a derrota, uma das poucas da Michael Jordan e para você talvez isso não quer dizer nada, mas volta lá no documentário e veja novamente essa parte, você vai entender o impacto que aquilo poderia ter dado se fosse diferente.

Entendeu agora o peso disso tudo? Michael Jordan não queria isso e talvez você também não quisesse se estivesse no lugar dele, mas o mundo precisava do Michael e ele não estava lá para o mundo.

Na construção do legado você tem altos e baixos o tempo todo, para encontrar o equilíbrio

Mas nem só de problemas e derrotas foram esses cortes, existe o lado que transforma o Jordan no que é o Jordan e até o saudosismo do Dream Team e do All-Star Game.

Se você esteve online pelas redes sociais com pessoas que acompanham os perfis gringos que discutem Basquete, já teve ter visto uma foto do KoBe Bryant em algum momento dessa história, porque sim, tem um relato do Kobe e se você está lendo isso antes de ver o documentário, se prepare para essa cena.

Na foto, Kobe Bryant e Michael Jordan conversando em quadra durante o NBA All-Star Game de 1998, os dois estão exatamente na mesma posição, com as mãos no joelho, com o tronco flexionado olhando para o nada enquanto conversam. Kobe está com o uniforme roxo do Lakers e o Jordan com o branco do Bulls. The Last Dance: O Legado de Jordan colocado em Check - Área Restritiva
Foto: VINCENT LAFORET/AFP, HO / TNS

Como sempre a linha do tempo do documentário é sensacional e ela te leva para o NBA All-Star Game de 1998 em Nova Iorque, lá no Madison Square Garden, que antes de mais nada foi uma das maiores reuniões da história da NBA, os técnicos do jogo eram Larry Bird e Magic Johnson, as equipes nossa que elencos:

No Oeste, Penny Hardaway (Magic), Tim Hardaway (Heat), Grant Hill (Pistons), Michael Jordan (Bulls), Shawn Kemp (Cavaliers), Reggie Miller (Pacers), Dikembe Mutombo (Hawks), Glen Rice (Hornets), Steve Smith (Hawks), Rik Smits (Pacers), Antoine Walker (Celtics) e Jayson Williams (Nets).

No Leste, Vin Baker (SuperSonics), Kobe Bryant (Lakers), Tim Duncan (Spurs), Kevin Garnett (Timberwolves), Eddie Jones (Lakers), Jason Kidd (Suns), Karl Malone (Jazz), Shaquille o’Neal (Lakers), Gary Payton (SuperSonics), Mitch Richmond (Kings), David Robinson (Spurs) e Nick Van Exel (Lakers).

Os comentários sobre eram sobre respeito, sobre o que o Jordan construiu até ali, sobre o Michael continuar sendo o melhor e não por menos o título de MVP de MJ foi o certificado disso, mas o que talvez tenha trazido algumas lembranças de Janeiro desse ano, foi o depoimento de Kobe Bryant, dizendo que foi conversar com Jordan durante o jogo, pedindo dicas e que o Jordan explicou tudo e que ele via MJ como um irmão mais velho, pois é, esse foi o mesmo depoimento que Jordan deu sobre o Kobe Bryant nas homenagens ao jogador do Lakers, para ele Kobe era como um irmão mais novo.

Na foto, um momento de 1x1 de Kobe x Jordan, Kobe está atacando enquanto MJ está defendendo, Kobe com a bola na mão direita, batendo bola para cima do Jordan que está em posição defensiva peitando Kobe. The Last Dance: O Legado de Jordan colocado em Check - Área Restritiva
Foto: Keith Birmingham/Getty Images

Tem a construção da marca, o fato da lenda do Bulls e Head da Jordan Brand não querer de jeito nenhum a Nike. O papel dos pais e do agente naquele momento e o retorno de mais de 120 milhões de dólares no Air Jordan 1, quando a Nike esperava somente 3 milhões de dólares.

Além de todos os contratos do Jordan que de repente havia se tornado um empresário, de participar de eventos para trocar cartões e apertos de mão até os acordos milionários e o Michael Jordan ser mais que um jogador de Basquetebol, ser uma ícone que influenciou a cultura lifestyle.

Tudo isso somado aos números, conquistas individuais e coletivas de Jordan para a construção do que viria a ser o legado do maior jogador de Basquetebol de todos os tempos, mas nesse momento talvez você questione o papel de Jordan como um de seus ídolos, pelo simples fato de descobrir que ele não é perfeito.

Agora passo a bola para você, para você se perguntar qual o impacto do legado de Michael Jordan? Fique tranquilo ninguém vai te julgar por isso e esses dois episódios trouxeram mais histórias que vamos contar ao decorrer da semana.

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