Décadas após o lançamento do mangá Slam Dunk, a evolução do basquete japonês pode ser visto na chegada de Rui Hachimura à NBA.

É um fato de que o esporte só existe por conta de duas palavras muito importantes – amor e inspiração. Quando somos crianças, estamos acostumados a ver grandes jogadores como super-heróis, e tentamos imitar os seus gestos e as suas jogadas (mesmo que sem muito sucesso).

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Milhares de crianças brasileiras, nos anos 60 e 70, sonhavam em ser como o Pelé, da mesma maneira que milhões de crianças norte-americanas sonhavam em ser como Michael Jordan, nos anos 80 e 90. Mas e quando um país não tem uma grande referência esportiva? Esse foi o caso do basquete no Japão durante longas décadas de ostracismo.

A altura média de um japonês é de aproximadamente 1,72, tornando o basquete uma espécie de “esporte tabu” no país. Poucos eram os praticantes, e o baseball era a principal febre entre a população, sendo este o esporte mais popular do país até hoje.

Deste modo, tendo em vista que os grandes atletas de basquete estavam no Ocidente, mas precisamente nos Estados Unidos, surge a ideia que já havia ocorrido com o futebol no país. Se em 1981, o mangá de Captain Tsubasa (Super Campeões, no Brasil) trouxe um novo amor para os japoneses, porque não fazer o mesmo com um mangá de basquete? Essa foi a ideia de Takehiko Inoue, o criador de Slam Dunk.

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O fenômeno cultural de Slam Dunk e de Sakuragi Hanamichi

A ideia ousada de trazer o basquete como tema central de um mangá colocou uma pulga atrás da orelha dos produtores da Shounen Jump. Ninguém acreditava que um esporte sem qualquer apreço no país poderia ser comercial. Todavia, Inoue estava confiante no potencial de sua ideia, e conseguiu convencer à editora.

Com sua primeira edição publicada no dia 1 de outubro de 1990, Slam Dunk contava a história do rebelde Sakuragi Hanamichi, um jovem primeiro-anista do Ensino Médio que, para impressionar uma garota – quem nunca fez isso, que atire a primeira pedra  – decide entrar no time de basquete do colégio. Sakuragi, no entanto, não entende absolutamente nada sobre o esporte.

Porém, o jovem é extremamente atlético e ao longo da história, desenvolve uma paixão pelo esporte a treino e a cada partida. O resultado desta premissa resultou em 31 volumes, seis anos de produção e incríveis 126 milhões de cópias vendidas. Slam Dunk é o oitavo mangá mais vendido da história, e em 1996 teve a sua adaptação animada para a televisão.

Tanto o anime, quanto o mangá, traziam explicações das regras do basquete, nomes das jogadas, expressões do esporte e referências diretas (e indiretas) a NBA. Sakuragi é um defensor e reboteiro de elite, com o cabelo vermelho e “colecionador” de faltas, uma referência clara a Dennis Rodman.

Ainda sobre Sakuragi, o jogador tem dificuldades para cobrar lances-livres, e durante uma partida decide arremessar a bola de baixo para cima, e a citação sobre o arremesso de lavadeira de Rick Barry é mostrada na obra.

O resultado do sucesso da obra, somado a globalização da NBA nos anos 90, enfim tornou o basquete popular no Japão. Contudo, ainda faltava um grande jogador que tivesse impacto no cenário mundial. Aparentemente, este jogador apareceu e seu nome é Rui Hachimura.

Rui Hachimura, a esperança do basquete japonês

Nascido em Toyama, Rui Hachimura é um ala (que também joga de ala-pivô) com 2,03 de altura e 2,18 de envergadura. Seu pai é de Benim (país da África Ocidental) e sua mãe japonesa. Começou a jogar basquete com 13 anos, e com 17 se mudou para os Estados Unidos para jogar no College.

Atuando por Gonzaga em três anos, Hachimura teve médias de 12,1 pontos por jogo, 4,4 rebotes e 57,9 de aproveitamento em arremessos. Continuou defendendo a seleção japonesa, e teve destaque nas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2019, quando teve médias de 21.5 pontos e 6.0 rebotes.

Atlético assim como Sakuragi, Rui Hachimura tornou-se um prospecto do Draft de 2019, e ao ser escolhido na nona escolha pelo Washington Wizards, também se tornou o primeiro japonês na história da NBA a ser escolhido na primeira rodada.

No Wizards, teve até o momento médias de 13.4 pontos e 6.0 rebotes na liga, demonstrando um grande potencial na liga, e se consolidando como o melhor jogador japonês a atuar no maior basquete do mundo.

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Falta lapidação para essa jóia bruta

Curiosamente, Hachimura tem o mesmo ponto fraco de Sakuragi – o seu QI de basquete. O jogador é um excelente pontuador, mas recebe críticas quando se trata da sua eficiência em quadra e, de como o jogador em certos momentos é impulsivo em determinadas jogadas. Este talvez seja um exemplo perfeito de como a vida imita a arte.

No entanto, Rui Hachimura sabe de sua responsabilidade não só como um jogador, mas como o exemplo de uma nova geração. Em uma entrevista, o jogador comentou a importância de sua evolução para o atual momento do basquete japonês:

“O basquete está crescendo no Japão. Eu quero ser o cara, o rosto disso. Eu estou animado. Quero ser um atleta completo para o Japão” – Rui Hachimura em 2019, antes do Draft.

Resta aguardar o futuro para saber se outras crianças, assim como as crianças dos anos 90 que queriam jogar basquete ao lerem as histórias de Sakuragi Hanamichi, irão querer praticar o esporte por inspiração de Rui Hachimura.

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