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  Na foto, a comissão técnica do Corinthians durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, todos os membros da comissão estão com camisas polo pretas, com os braços para trás. Rosana Lopes do Corinthians é a primeira técnica no NBB - Área Restritiva

Pela primeira vez na história do NBB, em 11 anos de competição nunca uma mulher esteve em quadra e o Corinthians se tornou assim a primeira equipe a ter uma mulher como técnica integrando a comissão da equipe. Rosana Lopes Garcia, coordenadora técnica da base do Corinthians se junta a comissão técnica  de Bruno Savignani no comando da equipe adulta

No último dia 10 de março, um momento histórico e inédito no basquete masculino. No Ginásio Wlamir Marques, ali no banco do Corinthians Basquete, uma mulher integrava a comissão técnica de um time adulto profissional do Novo Basquete Brasil (NBB) pela primeira vez na história da competição. Na estreia de Rosana Lopes como auxiliar técnica, a equipe alvinegra venceu o Mogi Basquete por 78 a 70, foi a primeira vez que o Timão conquistou duas vitórias consecutivas desde novembro.

Na foto, Rosana Lopes Garcia, coordenadora técnica da Base do Basquete Corinthians e assistente técnica do Basquete Adulto do alvi-negro paulista, a Rosana está utilizando uma camiseta cinza do Corinthians, com o nome Corinthians Basquete em fonte branca e o logo do Corinthians no lado direito do peito. Na mão esquerda ela está segurando uma bola de Basquete e do lado direito uma prancheta tática. Rosana Lopes do Corinthians é a primeira técnica no NBB - Área Restritiva
Rosana se tornou a primeira mulher na função de técnica/auxiliar técnica a integrar uma comissão técnica de uma equipe no Novo Basquete Brasil.
A profissional, já era técnica da equipe Sub-15 do Corinthians e Coordenadora do Corinthians Basquete.
Foto: Michael Oliveira/Click Sports 3

O início desta história, deu inicio no dia 8 de março, que marca o Dia Internacional da Mulher, símbolo da luta histórica por igualdade entre gêneros. Rosana Lopes, coordenadora das categorias de base do basquetebol alvinegro, recebeu  a grande oportunidade de assumir o cargo de auxiliar-técnica nas próximas partidas do NBB Caixa. Fato inédito dentre as 12 edições do campeonato nacional.

– É uma honra poder representar as mulheres do basquete brasileiro. Temos que trabalhar com dedicação, sem desistir, que com o momento essa oportunidade vem – festejou Rosana em entrevista ao site oficial do Corinthians.

Bom, Rosana trabalha como técnica de basquete há mais de 30 anos, iniciou sua trajetória na modalidade como jogadora inspirada por Hortência e Magic Paula. Mas foi como treinadora que se encontrou no esporte, depois de diversas lesões e atuação como auxiliar de seu então técnico. 

Professora do Centro Universitário Ítalo Brasileiro, com mestrado em reabilitação neuromotora, Rosana chegou ao clube do Parque São Jorge em 2016, para comandar a equipe sub-14 do Timão. Em 2018, virou coordenadora das categorias de base do basquete e trabalha na formação de novos talentos para o Corinthians. 

A auxiliar-técnica teve  passagem por outros clubes da capital paulista, como Palmeiras e São Paulo, além de times que nunca fizeram parte da competição nacional. Ela já trabalhou com nomes como Leandrinho e Bruno Caboclo, ambos com passagens pela NBA.

Rosana Lopes conversou com o Área Restritiva sobre o novo desafio ao integrar a comissão técnica da equipe alvinegra, e vocês podem conferir um pouco desse bate-papo abaixo:

ÁR:  Como surgiu o convite para compor a comissão técnica do time adulto do Corinthians?

Rosana Lopes: O Victor Galvani é o atual auxiliar técnico do adulto e técnico da equipe sub-19, com a sua participação no Campeonato Brasileiro Sub 21, em Uberlândia. Houve a necessidade de um substituto durante a sua ausência, surgindo o convite do Bruno (Savignani) para eu ser sua auxiliar durante esse período.

Na foto, a comissão técnica do Corinthians durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, todos os membros da comissão estão com camisas polo pretas, com os braços para trás. Rosana Lopes do Corinthians é a primeira técnica no NBB - Área Restritiva
Ao centro Rosana Garcia durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, a primeira mulher a integrar uma comissão técnica do NBB CAIXA.
Foto: Beto Miller / Ag. Corinthians

ÁR: Primeira mulher em uma comissão técnica na história do NBB, qual o sentimento?

Rosana Lopes: O fato de ser a primeira mulher não foi algo que me deslumbrou, porque acredito que existam muitas mulheres capacitadas para tal cargo. Fico sim, honrada em representar tantas mulheres que batalham pelo basquete. Por outro lado, fico triste que isso seja algo inédito. Espero ter aberto portas para outras técnicas estarem compondo as comissões técnicas na NBB e sou muito grata a diretoria e a comissão técnica do S.C.Corinthians pela oportunidade. 

ÁR: Qual foi o retorno de sua família, colegas de trabalho e atletas pela conquista?

Rosana Lopes: Todos ficaram orgulhosos, mas também  sabem a quanto tempo venho trabalhando em prol do basquete e colhendo bons resultados. E não posso deixar de agradecer ao meu marido, que sempre me acompanhou e incentivou a minha profissão. Não é fácil estar ao lado de uma técnica irada após uma derrota (risos).

ÁR: Já tinha contato com a equipe adulta do Corinthians?

Rosana Lopes: Sim, sempre que possível nos reunimos para determinar algumas metodologias. Existe uma integração do adulto através  do Bruno (Savignani) que valoriza muito a base.

ÁR: Como foi a preparação para esse novo desafio de assumir o cargo de auxiliar técnica do Corinthians?

Rosana Lopes: Eu acompanhei a rotina dos treinamentos durante a semana, e o Bruno (Savignani) foi me inteirando das situações táticas, defensivas e ofensivas que são utilizadas com a equipe.

ÁR: Ouvimos alguns torcedores se referindo a você como pé quente, em seu  primeiro jogo vitória da equipe contra o Mogi. Como foi a experiência durante a partida?

Rosana Lopes: Foi uma experiência única, de muito aprendizado  e realização. A vitória contra a difícil equipe de Mogi veio no momento em que o Corinthians necessitava de uma recuperação no campeonato. 

ÁR: Está substituindo o Vitor Galvani, tem alguma possibilidade de continuar na comissão técnica da equipe?

Rosana Lopes: No retorno do Galvani o Bruno (Savignani) me convidou para permanecer no próximo jogo, mas com essa pandemia o jogo e os treinos foram suspensos. Sempre que necessário será um prazer contribuir com o adulto, mas minha paixão e meu foco continua sendo a base. 

ÁR: Falando sobre você, como começou sua história com o basquete?

Rosana Lopes: Quando ainda jogava, sofri uma lesão e na recuperação comecei a auxiliar o meu técnico trabalhando na escolinha. Minha primeira equipe como técnica foi o Padote no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, depois atuei nas seguintes equipes: S.E.Palmeiras, C.R.Tietê, São Paulo F.C, Círculo Militar, Finasa, Guarulhos, Barueri e atualmente no S.C.Corinthians. Minhas referências como técnica sempre foram a Maria Helena Cardoso, Hélio Rubens e o Lula que tive a oportunidade de aprender muito.

São 30 anos formando diversos atletas tanto no masculino como no feminino. Minha carreira é muito marcada por ter trabalhado com Leandrinho e Bruno Caboclo, que atuarem na NBA, além de muitos outros jogadores no basquete nacional. Não posso deixar de citar diversos atletas que tive a oportunidade de contribuir na formação como cidadãos, atletas esses que construíram famílias, se tornaram excelentes profissionais e alguns que atualmente atuam como técnicos (as). Independente do caminho que seguiram  todos me orgulham muito.

ÁR: Atualmente coordena a categoria de base, nos conte um pouco sobre o seu trabalho com a base?

Rosana Lopes: O Corinthians não tinha uma escolinha específica de basquete, então esse foi o meu maior objetivo como coordenadora da base, formar uma turma de iniciantes. 

Assim, foi criado o Arremesso Inicial, escolinha de basquete, com o intuito de formarmos a nossa categoria sub-12 e de oportunizar meninos e meninas a prática do basquetebol. Hoje contamos com  mais de 100 crianças praticando basquete no arremesso inicial, mas esses números estão abaixo do que idealizamos. É um trabalho a longo prazo, com o objetivo de sermos referência na formação de base.

ÁR: Abrindo portas para novas técnicas no elenco principal das equipe, como vê o basquete masculino para as mulheres?

Rosana Lopes: Não acredito em gêneros no basquete masculino ou feminino, e sim em competência profissional.  

ÁR: Que mensagem você deixaria ao torcedor alvinegro que não conhece o seu trabalho? 

Rosana Lopes: A base do S.C.Corinthians  sempre será tratada com muito profissionalismo e dedicação. Tenham certeza que o melhor está sendo feito para honrar a nossa camisa.

Momentos históricos como o caso da Rosana, desperta a esperança do aumento primordial da mulher no basquete masculino. Cargo conquistado pela sua competência e trabalho em prol do basquete em 30 anos dedicados a modalidade, muita história e suor dela que hoje treinadora da base do basquete alvinegro.

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SOBRE O AUTOR Olá pessoal! Sou a Graziela Cristina, mas podem me chamar de Grazi, estudante de Jornalismo e fascinada pelo Basquete e suas magias! Amo histórias, quero trazer à tona a paixão do torcedor, mostrar quem é o verdadeiro " sexto homem", a torcida. Então, vamos juntos nessa série?! CONHECER TODO TIME
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