De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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Fala, pessoal!

Com o término dos campeonatos de base da temporada passada e por motivos de Férias/Natal/Reveillon, dei uma sumida. Mas o planejamento desse ano já está montado. Aliás…Feliz Ano Novo! Muito basquete para todos nós!

Continuando…

Quero começar esse ano com uma pauta um tanto quanto semântica: o que é um clube formador? É muito comum ler matérias falando que o clube X forma atletas e o clube Y pega já pronto.

Vamos exemplificar: quando Georginho foi para NBA, o Paulistano dizia “Do CAP para a NBA”. Muitas pessoas discordavam dessa abordagem argumentando que o Pinheiros havia formado o atleta, então deveria ser “Do ECP para a NBA”. Mas o armador só foi aparecer nos jardins com 17 anos, antes disso era jogador da Associação dos Funcionários Públicos de São Bernardo do Campo. Pois então, quem é o formador? O time que profissionaliza, que ensina ou que desenvolve? Ou todos estes são igualmente responsáveis pelo lançamento de um atleta.

Vou dar minha opinião no fim, analisando o histórico de times de alguns atletas em destaque no nosso cenário atual (desde os recém chegados ao adulto até os já consolidados). Preciso fazer algumas considerações antes. Não consegui encontrar informações sempre precisas de onde os jogadores passaram, ou até mesmo os nomes dos clubes. Vou deixar o link da planilha para quem tiver interesse e fico aberto para correçõeslink aqui

===============ATUALIZAÇÕES===============

Agradeço já o contato de Marco Aurélio “Mococa” e Gabriel Aockio pelas informações referentes a Jaú, Benite, Raulzinho, Wesley Sena, Lucas Dias, Victor André e dos clubes Regatas e Luso.

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Abaixo estão os jogadores que utilizei para mapear os clubes que passaram, dos 10 aos 19 anos:

Alex Garcia, Alexey, Antônio, Aquiles, Arthur Pecos, Caboclo, Caio Torres, Cassiano, Cauê  Borges, Colimerio, Cristiano Felício, Danilo Fuzaro, Danilo Sena, Davi Rossetto, Deryk Ramos, Didi, Dikembe, Elinho, Fúlvio, Gegê Chaia, Gemadinha, Gemerson, Georginho, Giovannoni, Gui Bento, Gui Deodato, Hettscheimeir, Humberto, Jaú, Jhonatan, João Pedro, Jonatan, Leandrinho, Lelê, Léo Demétrio, Léo Meindl, Lucas Caue, Lucas Dias, Lucas Mariano, Mamedes, Marcelo Huertas, Marquinhos, Murilo, Nenê, Nicolas Ronsini, Olivinha, Paulão Prestes, Pilar, Rafa Luz, Rafael Mineiro, Rafael Paulichi, Raul Neto, Ricardo Fischer, Roberto, Ruivo, Tavernari, Teichmann, Toledo, Uchendu, Varejão, Victor André, Vithinho, Vitor Benite, Wesley Sena e Yago.

  • Sub-10

As primeiras categorias são muito difíceis de tirar qualquer conclusão. Sem falar que um garoto que começa nessa idade, não necessariamente vai se sobressair sobre um que comece aos 12, por exemplo. E também não é algo comum ver um time tradicionalmente forte nessa faixa. Os talentos ficam bastante distribuídos. Veja abaixo:

  • Sub-11

Nessa idade ainda não é possível enxergar um padrão surgindo, mas sim muitos jogadores surgindo em diferentes clubes. Porém alguns projetos pontuais passam a trabalhar com alguns nomes que estamos tendo a oportunidade de acompanhar hoje, como Lucas Cauê (Pinheiros) e Roberto (Paulistano) no Guaru Educação, Lucas Mariano (Vasco) pelo Franca/ASPA, Nicolas Ronsini (Corinthians) em São Bernardo do Campo e outros já consolidados como Nenê (Houston Rockets) em uma escolinha de São Carlos e Teichmann (Minas T.C.) no Corinthians de Santa Cruz.

  • Sub-12

Aqui a coisa começa a ficar interessante. Futuros talentos dessa idade começam a germinar em alguns clubes e regiões:

  • São Bernardo viu surgir Georginho (Houston Rockets) e Nicolas Ronsini;
  • Bauru iniciou Gui Deodato (Vasco), Raulzinho e Lucas Dias (Paulistano) no basquete;
  • Círculo Militar (SP e PR) foi o palco de estreia de Léo Demétrio (Breogan), Davi Rossetto (Basq. Cearense) e Ricardo Fischer (Baskonia);
  • Campinas/Regatas, no litoral paulista, foi casa de Ruivo (Pinheiros) e João Pedro (Franca);
  • Esperia, tradicional clube paulistano, ensinou Lucas Cauê (Pinheiros), Aquiles (Pinheiros) e Jhonatan (Paulistano);
  • Limeira trabalhou com Fúlvio (Vasco) e Lelê (Minas T.C.);
  • Didi (Franca) e Mamedes (Pinheiros) vieram da Liga Urbana Social de Basquete (LUSB) no Espírito Santo;
com passagem
Raulzinho jogando pela Luso/Bauru
Fonte: Marco Silva, ‘Mococa’
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Lucas Dias nas categorias de base da Luso
Fonte: Marco Silva, ‘Mococa’

 

Um ponto a destacar é o caso do Esperia, que vem fazendo um trabalho muito interessante nas suas categorias menores. Em 2017, conquistaram o vice-campeonato metropolitano sub-12 e já possuíam uma equipe de 11 anos se preparando para 2018, com bons resultados em torneios paralelos ao da federação.

  • Sub-13

Nessa categoria vemos o Círculo Militar sendo apresentado a Roberto (ala/armador do Paulistano) e Vithinho (armador do Mogi). Além disso, o Palmeiras começa a trabalhar com uma das maiores revelações do basquete brasileiro: o armador Yago (atual Paulistano). Jaú (foto abaixo) inicia sua jornada bauruense na clássica Luso. O Esperia conhece Uchendu (ou Maikão, pivô do Bauru) e duas a regiões paulista vão trabalhando com futuros talentos do país: Barueri e Campinas. É lá que surgem Caboclo (Raptors 905), Dikembe (Paulistano), João Pedro (Franca), Ruivo (Pinheiros), Benite (Murcia) e Victor André (Paulistano).

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Jaú no time da Luso
Fonte: Marco Silva, ‘Mococa’
  • Sub-14

Agora sim! Essa é a idade dos pingos nos is!

Bauru ainda mantém grandes talentos em seu território, como Lucas Dias, ala do Paulistano e um dos grandes nomes da nova geração da seleção brasileira. Roberto, que estava no Círculo Militar, vai para outro grande time de base – Barueri. Mas quem passa a chamar a atenção é o Pinheiros, que costuma recrutar grandes talentos a partir dessa categoria. Como foi o caso de  Caio Torres e Jonathan Tavernari, que aterrisam no clube nessa categoria após fim do Volkswagen Clube. Não tenho certeza, mas nas minhas lembranças, foi nessa categoria que Pilar apareceu no jardins – infelizmente não encontrei registro.

  • Sub-15

Aqui ocorrem mais movimentações interessantes. O Esperia passa a perder sua força de retenção de talentos e o Círculo Militar recruta Ruivo, que estava no Campinas/Regatas.

Limeira mostra um bom trabalho de base com o aparecimento de Jonatan (Pinheiros), Deryk e Gemadinha (ambos Paulistano) – eu não encontrei registros anteriores dos três, mas é muito provável que vieram da base do Nosso Clube de Limeira, o que mostraria mais uma vez a força da cidade no basquete dos menores.

Monte Líbano (volte!!!) também passa a trabalhar com grandes talentos atuais quando tinham 15 anos: Leandrinho (Franca), Marquinhos (Flamengo) e Toledo (Pinheiros).

E aí o padrão fica escancarado. Quem acompanha o basquete de base paulista sabe que 3 times da capital dominam das categorias sub-15 em diante: Pinheiros, Paulistano e Palmeiras. Nessa idade, só o Paulistano ainda não surge com força – mas acho que vale ressaltar que o investimento pesado na base do CAP não é algo tão tradicional assim, tanto que muitos nomes de destaque do clube são bem recentes.

O Palmeiras inicia os trabalhos com Jaú (Bauru) – que chega ao clube após 1 trimestre em Bauru nessa categoria – , Nicolas Ronsini do Metodista (Corinthians) e Vithinho do Círculo Militar enquanto o Pinheiros soma com Lucas Dias do Bauru, Lucas Cauê e Aquiles do Esperia.

Franca entra no cenário dos estaduais com Cauê Borges (Caxias do Sul), Lucas Mariano (Vasco) e Léo Meindl (Franca). Aqui digo a mesma coisa sobre os atletas de Limeira: é muito provável que já estavam lá antes, mas não encontrei informações que comprovem.

  • Sub-16

Alguns clubes vão perdendo o apelo dos jogadores, seja por não terem categorias profissionais (Jhonatan sai do Esperia em direção ao Paulistano) ou por simplesmente acabarem, como foi o caso do São Paulo, que perdeu Humberto para o Círculo Militar, ou até mesmo de Barueri, que passa a ter apenas Caboclo dos jogadores listados anteriormente.

Nessa categoria é possível notar uma explosão de talentos em Franca. Mas não acredito ter sido uma debandanda de outras regiões para o interior paulista. Eu penso que eles sempre estiveram lá (como dito anteriormente), mas os campeonatos de base no interior funcionam diferente da capital, então fica complicado rastrear o histórico deles.

Lembra que disse que o CAP é uma das potências do basquete de base? Pois então, no sub-16 surgem muitos bons atletas por lá, como Victor André e Roberto. Pinheiros vai buscar Mamedes lá no Espírito Santo e o Palmeiras recebe Wesley Sena (Mogi).

  • Sub-17

Para fazer frente com o trio paulistano, Bauru começa investir na base e traz dois talentos para sua categoria: Jaú e Uchendu. Franca continua sendo um celeiro de jogadores; o Palmeiras aparentemente passa a trabalhar  apenas com as peças presentes no clube; e o Pinheiros não para de buscar novos jogadores em todo o país, como foi o caso de Danilo Sena (Lance-Livre/Brasília).

  • Sub-18/19

Aqui já é bem claro onde existe a maior concentração de talentos brasileiros: Pinheiros, Paulistano, Palmeiras, Franca, Bauru, Minas T.C. e Limeira – não mencionei Ribeirão Preto em nenhum momento pelo projeto ter terminado, demonstrando ter sido pontual o encontro de grandes jogadores da mesma idade).

Bom, onde eu chego com tudo isso? Não acredito ser possível dizer que um clube é responsável pelo sucesso da  carreira de um jogador, mas posso dizer que cada um, aparentemente, tem algo a acrescentar.

Vejo 3 tipos de clubes:

  • Formadores: ensinam os primeiros fundamentos e introduzem o esporte;
  • Desenvolvedores: lapidam o atleta e o coloca em nível de competitividade;
  • Lançadores: possibilitam os jogadores de ingressarem na vida profissional.

Dessa forma, EU (YO, ICH, JE, IO, I) acredito no seguinte:

  • Formador: Barueri, Limeira, Círculo Militar, Esperia, Campinas
  • Desenvolvedor: Palmeiras, Pinheiros, Franca
  • Lançador: Paulistano, Bauru, Minas T.C., Franca, Palmeiras (não tem profissional, mas gera grandes talentos aptos a performar no adulto )

Mas isso é a apenas um panorama geral do que acontece na maioria das vezes. Nada impede que um projeto novo faça algo que contriga esse comportamente. Vou dar alguns exemplos recentes. O Mackenzie, que não foi citado durante toda a matéria, faz um excelente trabalho de formação e desenvolvimento de atletas. Eles foram lugar no Sub-12, lugar metropolitano e estadual Sub-13, lugar no metropolitano Sub-15. E o Paulistano, que não tem tradição nas categorias menores, foi campeão paulista e estadual Sub-13 (e no ano anterior, foram lugar).

Outro caso interessante ocorreu em Bauru, com Gui Bento. O time do Dragão lançou muito atletas nos últimos anos – Ricardo Fischer, Gui Deodato, Jaú, Stephano, Wesley Sena, Uchendu (com algumas aspas) – mas o ala/armador só foi conseguir deslanchar quando chegou no adulto do Pinheiros, que não costuma dar tantas oportunidades para os mais jovens.

Mas o que você acha? Faz sentido essa análise? Deixe seus comentários abaixo!

Um abraço e até a próxima!

SOBRE O AUTOR Fala, pessoal! Meu nome é Léo, Osasquense de nascimento e bauruense de coração, ex jogador do eterno Continental Parque Clube e entusiasta do basquete de base. Sempre que quiserem trocar ideia sobre basquete nacional (base, adulto, seleção...), estamos aí! CONHECER TODO TIME
RESENHE COM A GENTE AÍ!

7 resenhas

  1. Bacana sua análise.
    Mas, talvez, pegar nomes consolidados e rastrear suas trajetórias pode enganar um pouco, pois muitas equipes podem manter times de base é simplesmente, por diversos motivos, não conseguir emplacar um nome conhecido no adulto.

    Se vc puder, sugiro levantar quantas equipes tem basquete de base, de qual até qual categoria.

    Uma boa referência é o “novo” campeonato brasileiro de base, chancelado pela CBB e realizado pela CBC – Confederação Brasileira de Clubes. MG sediou no final de 2017 2 categorias, RJ sediou 1 ou 2 TB. Clubes que tem base forte estão participando em massa de campeonato.

    Grande abraço.

    1. Fala, Bruno, tudo bom?
      Obrigado pelo comentário.
      Realmente, enquanto estava levantando os dados, vi que poderiam ser feita diversas outras análises. Uma que pensei mais para o fim do texto foi de fazer apenas dos jogadores atuais. A sua sugestão é bastante válida também.
      Abraço!

  2. Léo, parabéns pelo trabalho, importante contribuição para o basquete. Em minha opinião, Franca se caracteriza também como “formador”, pois todos os atletas citados, bem como tantos outros, passaram pelo processo de iniciação à partir de 11 anos.

    1. Fala, Jamil!
      Realmente. Eu só não listei por não ter encontrado registros de onde começaram, mas imaginava que provavelmente iniciaram suas práticas em Franca mesmo.
      Abs!

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