Apresentando para vocês Tiago Tomazini, um jogador que talvez você caro leitor não tenha conhecido, continuamos aqui o texto da série “Quando na Base”, iniciamos com Jonathan Tavernari (leia aqui) e agora chegou o momento de falar de alguém talvez pouco mais desconhecido.

Tomazini?! Quem é esse?!?!!?

Sim, Tiago Teixeira Tomazini – que foi mencionado por Jonathan como um dos melhores jogadores que viu na base –  foi um ala/armador formado no Esperia com passagens pela saudosa Hebraica, Paulistano e seleções brasileiras de base.

Pode parecer um pouco estranha essa escolha mas a ideia dessa série é apresentar  jogadores com trajetórias diferentes no basquete de base, mostrar os obstáculos que cada um experimentou e como a vida pode nos fazer mudar de rota.

Apenas um fato curioso antes de iniciarmos essa entrevista. Tiago foi um dos jogadores que minha mãe mais se impressionou enquanto me levava nos jogos (para assistir ou jogar). Ele e Bruno Pira (que espero falar sobre também).

Antes de começarmos, agradeço o Tiago pela disposição de tempo nesse questionário. Valeu mesmo!

Chega de apresentações e vamos para o bate-papo.

Na foto, o ginásio do Clube Esperia, a foto foi tirada ao lado de uma tabela apontando para a outra, no sentido vertical da quadra, é possível ver as arquibancadas do ginásio e o Banner do mascote do clube. A foto foi tirada durante o dia com uma imagem muito bonita do ginásio com o sol entrando pelas janelas do ginásio. Quando na Base - Tiago Tomazini - Área Restritiva.
Grande ginásio do Esperia, onde sempre foi QG de grandes equipes paulistanas.

Quando/onde começou a jogar basquete e porque?

Comecei a jogar basquete em 1997 no Clube Espéria por intermédio do meu irmão mais velho. Eu fazia natação no clube e meu irmão basquete. Um dia fui ver ele treinar e a técnica, Beth, me chamou pra fazer umas bandejas e disse que levava jeito. Decidi começar a treinar basquete e fiquei um tempo dividido entre basquete e natação, até que por fim decidi seguir no basquete.

Por que parou de jogar?

Foram diversos eventos. Em 2003, após voltar da Seleção Brasileira Infanto (Sub-16), rompi o ligamento cruzado anterior do meu joelho direito e tive que ficar mais de 6 meses parado e em tratamento. Voltei a jogar mas no mesmo nível que jogava antes. Já no último ano Juvenil (Sub-19), decidi começar a fazer faculdade meio período e dividir o meu tempo com os treinos. Após completar a categoria de base, fui dispensado do clube e decidi correr atrás de estudos nos Estados Unidos para poder continuar estudando também.

Nesse período passei por Sorocaba até ir pros Estados Unidos por conta própria. Lá também não tive muita oportunidade de jogar basquete, mas nas férias de volta ao Brasil participava de alguns campeonatos e em um deles rompi o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e tive que parar novamente. Voltei ao Brasil, decidi começar um tratamento e fazer faculdade, foi a partir daí que não joguei mais profissionalmente.

Você jogou junto com Jonathan, atual jogador do Paulistano, porém sempre teve mais destaque no time e nas categorias de base. O que acredita ser o fator principal para se tornar profissional?

O Jonathan começou a se destacar na categoria Infanto no Espéria, onde também jogávamos juntos. Normalmente eu e ele éramos os 2 jogadores que subíamos para também jogar no Cadete (Sub-17), categoria superior. Ele foi sempre muito dedicado e tinha um porte atlético que facilitava no basquete. Após nosso último ano juntos no Espéria, categoria Infanto (Sub-16), ele foi para o Paulistano e eu decidi tratar de minha cirurgia e reabilitação em outro clube. Acredito que aí foi o ponto principal para ele poder continuar sua evolução no Paulistano e já ter contato com os profissionais.

Quais foram as pessoas marcantes do meio (técnicos, jogadores, diretores,…) durante seu desenvolvimento e por quê?

Tenho alguns. Primeiramente falando sobre técnicos, a Beth, no Espéria, que me ensinou os fundamentos básicos do basquete. Depois, ainda no Espéria, passei pelo Marcão, Pipoca e Marcelo Rato, esse último foi com quem tive as melhores oportunidades e maior destaque, chegando às seleções paulista e brasileiras da categoria Infanto. Na seleção lembro muito do Camargo, seleção paulista, e Flávio Davis, seleção brasileira. Joguei no Sírio com o Cesar Guinete, Adriano no Hebraica e Gustavinho no Paulistano. Todos eles foram muito importantes na minha trajetória, mas a época mais marcante foi meu período no Espéria.

Sobre jogadores, o Jonathan Tavernari e Caio Torres, que foram grande oponentes e me obrigavam sempre a melhorar meu nível para continuar competindo. Eles também se tornaram grandes amigos após jogarmos juntos nas seleções paulista e brasileira de base. No Hebraica um jogador que eu sempre observei treinando e jogando foi o Fernando Fisher, pela sua inteligência de jogo e habilidade nos arremessos. E no Paulistano o Shamell foi um jogador que também passei a observar por sua habilidade no jogo no geral.

Você começou jogando no Esperia e terminou passando por Hebraica e Paulistano. A troca de times foi devido a possibilidade de jogar no adulto ou tiveram outros fatores?

Sim, essa troca foi a possibilidade de ter maior contato com as categorias adulto.

Na foto, Jhonatan Luz, segurando o troféu de Campeão do NBB, o jogador que está de camisa branca com a medalha no pescoço e abraçando o troféu com as duas mãos. Quando na Base - Tiago Tomazini - Área Restritiva.
Jhonatan Luz fez grande dupla com Tiago no Esperia.
Foto: Luiz Pires/LNB

Quais eram suas referências de jogadores – nacional e/ou internacional?

Minha principal referência internacional foi o Kobe Bryant, me lembro da estréia dele no all-star game. Nacional minhas referências eram sempre os jogadores que tinha contato no dia a dia, como os que pontuei acima.

Quais foram os melhores jogadores que viu jogar na base, mas que não viraram profissionais? E quais viraram?

Que não virou profissional foi o Aramis Frederico, um armador muito bom, rápido e habilidoso. Que virou jogador foi o Caio Torres.

Como foi a experiência de ser convocado pela primeira vez pela seleção brasileira?

Me lembro que foi uma sensação muito boa e que foi uma experiência incrível viajar com o pessoal e jogar no exterior, passando pelos momentos de convivência dentro e fora das quadras.

Além de Tavernari e Caio Torres, você foi o único jogador 87 a ganhar prêmio de MVP. Como eram suas rotinas de treinos?

Não me recordo muito bem das rotinas, pois estudava pela manhã e passava o resto do dia no clube, treinando e jogando basquete após os treinos. Na época não era algo que levava muito a sério pensando em se profissionalizar, mas era a coisa que mais gostava de fazer e tinha prazer em ficar o dia todo no clube.

Qual foi a categoria que mais te marcou e porque?

Com certeza foi a categoria Infanto no Espéria, por eu estar jogando 2 categorias, ter sido convocado para as seleções paulista e brasileira e por ter sofrido minha primeira contusão séria no joelho.

Quais foram os 3 jogos memoráveis na base?

 Os 2 jogos finais contra o clube Pinheiros da categoria de base Mirim (Sub-14), apesar de perdermos os 2 jogos, foram os jogos que fiz mais de 30 pontos por jogo e dei uma das minhas primeiras enterradas* em um jogo. O jogo final do pré-mini (Sub-12) contra o Ypiranga**, onde nosso time estava perdendo de 20 pontos no intervalo, entrei no jogo para jogar os últimos 2 períodos e viramos o jogo, indo para o estadual. E por último a final da categoria Juvenil no Paulistano vs Franca, onde nos sagramos campeões, pois esse foi um ano muito difícil pessoalmente em que minha mãe veio a falecer e esse título que trouxe muita alegria.

*Caro leitor, preciso dizer que meu gosto por jogos de base vem desde de muito tempo. Digo isso porque estava na arquibancada dessa final mirim e acho que lembro dessa enterrada que o Tiago menciona. Assisti o jogo no Esperia e realmente foi muito bom!

 ** Esse time do Ypiranga era treinado pelo Gustavinho, atual técnico do Paulistano. O Esperia perdeu a decisão do metropolitano mas venceram o estadual.

E quais jogos que deveriam ser esquecidos?

O que queria esquecer foi o jogo contra p Ribeirão Preto/COC, na categoria infanto, aonde eu sofri a minha primeira lesão de joelho.

Qual seu recorde de pontos? Como foi?

Não me lembro ao certo quantos pontos fiz, mas foram as finais da categoria Mirim, que foi algo em torno de 33 e 32 pontos em cada jogo.

Como foi a transição para o adulto: continuar ou parar?

Após ser dispensado do Paulistano após o título da categoria Juvenil, decidi que queria continuar fazendo faculdade e jogando, mas era muito difícil isso acontecer no Brasil. Por conta disso decidi ir para os EUA e tentar conciliar as 2 coisas.

Quais são as maiores dificuldades que enfrentou no desenvolvimento – por exemplo, dificuldade de locomoção, falta de apoio/visualização, lesões, ausência em eventos familiares, alimentação, exigência de técnico, gestão de tempo…

Graças a Deus minha família conseguiu facilitar muito meu desenvolvimento, tanto financeiramente como pessoalmente. Meus pais, irmãos e até outros familiares acompanhavam de perto meus jogos. Mas minha maior dificuldade foram as lesões, com certeza.

Já teve alguma decepção com o esporte na base – falta de espaço, politicagem, desinteresse do clube…?

Não.

O que acha que falta no desenvolvimento dos atletas?

Acredito faltar tanto profissionais de qualidade, quanto maiores investimentos dos clubes nesses profissionais e em atletas. Uma solução que acredito essencial seria a introdução do esporte nas escolas e faculdades, criando ligas competitivas, como é feito nos Estados Unidos.

Você ainda tem alguma ligação com o basquete: joga, acompanha torneios,…?

Atualmente acompanho mais NBA e faço parte de um time que joga Pré-Veterano, representando o clube Espéria.

Teria feito algo diferente?

A única coisa que teria feito diferente seria ter escolhido ir para o Paulistano na transição da categoria Infanto para Cadete. Foi me dada essa opção mas optei por tratar minha cirurgia e recuperação em outro local.

E é isso, caro leitor. Fiquem ligados para as próximas e entrevistas e, mais uma vez, agradeço a atenção do Tiago com todas minhas perguntas!

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4 COMENTÁRIOS

  1. Joguei com o Aramis no Tiete bem no inicio no pre-mini e mini.
    Fomos jogar em Sao bernardo contra a Wolks e perdemos de um ponto com o Caio e o Jonathas no time, um jogão, nunca vou me esquecer.
    Um tempo depois treinei com o Chiquinho e depois com o Pipoca no Salesiano e ele me chamou para treinar no Esperia mas acabei recusando, me arrependo até hoje de não ter voltado a treinar em alto nível teria sido uma experiencia fantástica.
    Excelente entrevista, deu saudades. Bons tempos!!

    • Fala, Bruno, tudo bem?
      Lembro do Tietê na categoria sub-15 (infantil). Era um bom time, você jogou lá?
      Fui treinado pelo Pipoca também. Ele é demais né, foi um dos responsáveis por me fazer gostar do jogo.
      Valeu pelo comentário!

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