De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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  Na foto, jogadoras e membros da comissão técnica posando para foto, porém a foto utilizada não é a mesma que a tirada, essa é algo como uma foto de bastidor, da foto tirada nas Eliminatórias Mundiais dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020, as jogadoras estão com o uniforme amarelo de jogo da seleção e a comissão com a camisa polo verde. Todos estão amontoados em um clima super descontraído todos estão com um sorriso no rosto olhando para a câmera da foto original. Qual a situação do Basquete Feminino no Brasil?! - Área Restritiva

É o mês da mulher, uma comemoração internacional. Algumas pessoas entregam rosas para as mulheres, mas no Basquete Feminino, ninguém da bola para a modalidade que vem se apequenando no país.

Faz algum tempo que vimos jogar nomes como Paula, Hortência e Janeth, algumas pessoas mais saudosistas ainda lembram do título mundial e da medalha olímpica por mais que o momento foi um tanto quanto ofuscado pelo Futebol, mas tudo isso aconteceu.

Não faz tanto tempo que o Basquete Feminino ganhou uma competição nacional, a Liga de Basquete Feminino, para os mais chegados a LBF, que na temporada 2020, completa 10 anos de existência, uma criança chegando na adolescência. Mas no meio desses 10 anos, já foi dito que a LBF seria uma das três ou quatro competições mais importantes do mundo no Basquete Feminino.

Só que hoje, não é esse o momento da LBF, o que parecia uma certeza a quatro ou cinco anos atrás, com jogadoras da Europa e da WNBA sendo sondadas e/ou vindo para o Brasil, hoje a LBF passa por um momento nebuloso.

O motivo atual dessa situação é incerteza de patrocínio master, conforme apontado pelo Demétrio Vecchioli em matéria publicada no UOL, a principal liga de Basquete Feminino no Brasil, não deverá ter seu contrato renovado com a CAIXA e deverá seguir sem patrocinador master em um primeiro momento.

Vale a pena ressaltar que a liga agora tem a parceria firmada com a GOL, que se tornou a companhia aérea oficial da competição, mas como conta no rodapé da página da competição, a LBF não tem nenhum outro patrocinador que não seja a CAIXA e o Governo Federal.

Na imagem, arte de divulgação do patrocínio da GOL, com o fundo roxo. Do lado esquerdo o logo da gol, do lado direito uma imagem de um avião da companhia aérea, abaixo a frase "cia aérea oficial da LBF CAIXA 2020". No rodapé da página o logo da LBF CAIXA. Qual a situação do Basquete Feminino no Brasil?! - Área Restritiva
A Liga de Basquete Feminino, divulgou a parceria com a Gol linhas aéreas na ultima semana.
Foto: Divulgação.

*O Área tentou contato com a assessoria da LBF através do e-mail de imprensa e não obteve detalhes da parceria

Sem o apoio da liga, os times não conseguiriam disputar a competição ou poderiam se arriscar a não conseguir completar a tabela por falta de recursos financeiros.

O Basquete Feminino sem recursos a 10 anos?

Não é bem assim, ou talvez seja. Bom, todo mundo já deve ter ouvido alguém falar que fazer Basquete no Brasil demanda recursos financeiros e estruturais altos e muitas vezes as equipes não tem isso, daí o aporte financeiro e estrutural pela LBF.

Se fazer esporte no país de maneira geral já é complicado imagina no Basquete Feminino, pensar em alto rendimento e ter que fazer tudo isso sem os recursos necessários, não é tão simples.

São 10 anos de LBF, entre transmissão na TV aberta e fechada, parceria com a LNB inclusive dividindo o mesmo espaço e organizando eventos únicos, transmissão de jogos via streaming. Mas não foi o suficiente para fazer a liga conseguir fechar novos patrocínios e se estruturar, algo bem diferente do que acontece com a Liga Nacional de Basquete.

Será que nesses 10 anos não tivemos momentos o suficiente para criar oportunidades de deixar a liga mais atrativa?!

Na foto, jogadoras e membros da comissão técnica posando para foto, porém a foto utilizada não é a mesma que a tirada, essa é algo como uma foto de bastidor, da foto tirada nas Eliminatórias Mundiais dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020, as jogadoras estão com o uniforme amarelo de jogo da seleção e a comissão com a camisa polo verde. Todos estão amontoados em um clima super descontraído todos estão com um sorriso no rosto olhando para a câmera da foto original. Qual a situação do Basquete Feminino no Brasil?! - Área Restritiva
Fora dos Jogos Olímpicos de Tokyo, o foco é o desenvolvimento para o próximo ciclo olímpico, mas a seleção precisa de apoio, do seu apoio.
Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação/CBB

A culpa é da seleção Brasileira de Basquete?!

Se você acha que a culpa é da Seleção Brasileira, volte do começo e comece a ler novamente. Mas entenda, que Seleção Brasileira e CBB, por mais que ligadas, são coisas distintas, okay?!

Agora vamos lá, seleção é o ápice do trabalho e do planejamento, que geralmente é organizado em ciclos olímpicos, diferente do futebol que funciona em ciclos mundiais. Se é o ápice do trabalho a culpa não é da seleção que é a representação do país e de seu trabalho de formação de atletas e massificação no esporte.

Sim, claro que as seleções, tem o maior tempo de mídia e foco da imprensa, muita gente que acompanhou as eliminatórias e os Jogos Pan-Americanos, não acompanham os estaduais e a LBF, o impacto acaba sendo maior, mas não o responsável pelo momento, talvez a seleção brasileira sirva para as meninas falarem “meus amigos existimos e respiramos”.

Agora a CBB tem sua parcela de culpa e talvez a maior delas, uma vez eu ouvi que as federações são formadas pelos clubes, então eles devem funcionar para atender as necessidades dos clubes. Logo, quando a CBB vai atender a necessidade do Basquete Feminino?!

Calma, eu não estou falando que estão parados, mas estou falando que não está bom. Massificação, cursos para formação, mentoria, viagens das comissões técnicas pelo Brasil, tudo isso é uma necessidade.

Não da para se contentar só com o Brasileiro de Clubes, uma ação da Confederação Brasileira de Basketball e da Confederação Brasileira de Clubes, porque é uma competição que não abrange a todos e a todas as realidades do Brasil, precisamos de mais, o Basquete Feminino quer mais.

Imagem de divulgação do Camp promovido pela NBA Basketball School. Em um fundo roxo, centralizado a esquerda está o logo da NBA e o nome NBA, "Basketball, School" uma palavra abaixo da outra no mesmo tamanho que o logo, centralizado a direita o logo do Camp, o símbolo do sexo feminino, com uma bola de Basquete no centro do círculo, do lado está escrito "Girls Camp" com a letra "i" do Girls de cabeça para baixo. Qual a situação do Basquete Feminino no Brasil?! - Área Restritiva
Se existe oferta é porque existe demanda, certo?!
A NBA organiza um Camp de Basquete Feminino no Brasil, trazendo diversas personalidades do nosso esporte, as meninas estão sendo ouvidas.
Imagem: Divulgação NBA.

Mas ainda assim estamos no melhor momento das meninas

Nitidamente estamos chegando no melhor momento do Basquete Feminino, não pelo nosso Basquete adulto (claro que mais uma vez ele tem sua cota de influencia, ele é a vitrine), porque é um momento de mudanças no Brasil.

Nunca as meninas tiveram tanta voz como hoje e ainda é pouca voz, mas elas estão falando. Diversos coletivos surgiram, o Basquete Feminino ganha espaço nas quadras e nos rachas, mas é só “gente velha” e “gente que não sabe jogar”, você já parou para pensar no impacto disso a longo prazo?

Um grande exemplo dessa mudança e o NBA G!rls Camp promovido pela NBA aqui no Brasil, uma clínica gratuita de Basquete para jovens atletas, com a presença das lendas do Basquete brasileiro e de professoras da NBA School, além da comissão técnica da Seleção Feminina Adulta e lendas da WNBA.

Hoje, uma mãe consegue ir praticar Basquete, ela tem uma filha que provavelmente leva junto e essa menina está vendo a mãe se divertir em um ambiente seguro com suas iguais, você acha que ela vai querer fazer o que?!

Ainda vivemos em uma sociedade onde culturalmente a menina ganha uma boneca e o menino uma bola, como alguém espera que o esporte feminino seja massificado, se estruturalmente nossa sociedade educa a menina a brincar de casinha e o menino a jogar?

Agora eu passo essa bola para você, o que você acha que tem que ser diferente no Basquete Feminino e no Basquete Brasileiro para elevar o patamar do nosso Basquetebol?

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SOBRE O AUTOR Diego Andrade, mais conhecido como Diego Silver. Professor de Educação Física. Pai, viciado em coisas de Nerd e é claro entusiasta do Basquetebol. Ex-Aluno do Bi-Campeão Mundial Rosa Branca, quando o mesmo era servidor do SESC Consolação. CONHECER TODO TIME
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