Nomes conhecidos e desconhecidos da liga apareceram ao longo dos anos 2000 falando sobre homossexualidade

O mês de junho é conhecido pelo mês da celebração LGBTQIA+ e cada dia representa uma identidade de gênero ou orientação sexual. Por isso, mesmo que com um pouco de atraso e uns dias depois do Pride Day, em 28 de junho, resolvi trazer a pauta homossexual e homofobia na NBA.

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O basquete, assim como outros esportes populares, é uma modalidade ainda considerada “masculina”. Erro grave de todos, aliás, já que cada vez mais as mulheres têm se destacado por aí. E, esse machismo enraizado não atinge apenas a nós, ele cai por cima de pessoas LGBTQIA+ também. Dessa forma, é muito incomum que algum atleta se assuma homossexual, e se o faz, é linchado.

JOHN AMAECHI

O primeiro ex-atleta da NBA a se assumir gay foi John Amaechi. O pivô viu no basquete um lugar onde ele se sentia acolhido, principalmente por seus colegas. Com uma infância difícil, pois era um garoto negro e bastante alto, ele viu as expressões mudarem no auge dos seus 17 anos. De acordo com relatos de Amaechi, as crianças gritavam “ele está no meu time!” e isso foi o que fez com que ele continuasse no esporte.

Anos mais tarde, o garoto estava na NBA. Em 1995, ele não foi selecionado no Draft, mas foi contratado pelo Cleveland Cavaliers. Ele jogou apenas cinco temporadas na liga antes de se aposentar em 2003. Quatro anos depois, ele se assumia homossexual. Infelizmente, a revelação evidenciou um dos piores episódios de homofobia no esporte, quando Tim Hardaway falou abertamente em uma entrevista para a ESPN que odiava as pessoas gays.

JASON COLLINS

Alguns casos, no entanto, servem de fato como portas, como incentivo. Como apontado na thread do meu amigo Renan, do @KawhiLulista, esse foi o caso de Jason Collins. Draftado pelo Houston Rockets em 2001, ele só foi se assumir no final de sua carreira. É importante dizer que o número 98, um algarismo tão alto, foi escolhido por ele para estampar sua camisa em homengem a Matthew Shepard, assassinado em decorrência de homofobia em 1998. Collins se assumiu em 2013, quando estava no Brooklyn Nets, e recebeu apoio do comissário da NBA, David Stern, e da Nike.

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DENNIS RODMAN

O caso do polêmico Dennis Rodman é uma viagem. Durante as promoções do documentário 30 por 30 – Rodman: do melhor para o pior, ele deu declarações interessantes sobre a NBA e homossexuais. Para ele, 10-20% dos atletas profissionais de todas as ligas são gays e o mundo está pronto para acolhe-los. Além disso, na conversa, Rodman falou a respeito do seu envolvimento com a comunidade LGBTQIA+, uma vez que o documentário mostra seus momentos em baladas e clubes gays.

LGBTQIA+ NBA
Dennis Rodman estampa a capa da Sports Illustrated Foto: Sports Illustrated

Dennis Rodman foi uma figura extremamente brilhante dentro e fora de quadra enquanto jogava basquete. Um desses momentos foi justamente quando ele estampou a capa da Sports Illustrated vestido com lingerie. Refletindo sobre o impacto da publicação, ele conta que começou a ser procurado pela comunidade LGBT, pois viram nele e no esporte uma representação jamais encontrada.

“Eu ia em clubes de drag queens, eu estava me vestindo como uma drag. Vestia roupas de mulher, lingerie e coisas assim, e a comunidade gay começou a me abraçar. Se você é gay, eu não dou a mínima”, comentou Rodman.

MAGIC JOHNSON

Alguns anos anteriores à publicação, mas já com Dennis Rodman dando suporte à comunidade LGBTQIA+, outro assunto surgiu. Em 1991, Magic Johnson chocou a NBA ao revelar ser soropositivo. Isso porque na época esse tipo de discussão e tema não era difundido corretamente, o que levava todos a associarem o vírus do HIV apenas a homossexuais. Porém, o ídolo do Los Angeles Lakers negou ser gay e, após sua aposentadoria definitiva em 1996, ele passou a falar sobre educação sexual e foi um dos principais nomes a derrubar a associação errônea entre doenças e homossexualidade. Além disso, seu filho E.J Johnson, é gay e influenciador no Instagram.

KENNETH FARIED E A COMUNIDADE LGBTQIA+

Criado por duas mães, Kenneth Faried recebeu educação o suficiente para que ele aprendesse a respeitar as diferenças e apoiá-las. Logo após a revelação de Jason Collins, Kenneth apareceu como uma voz muito ativa sobre os direitos LGBTQIA+, mesmo sendo heterossexual. Em um dos seus principais questionamentos está a utilização do termo “união civil” para oficializar a união entre duas pessoas do mesmo sexo, ao invés de casamento.

“Muitas pessoas estão dizendo união civil. Não gosto que isso seja chamado assim, porque posso me casar com uma mulher e isso é chamado de casamento. Por que uma mulher não pode se casar com uma mulher e um homem com um homem e isso se chamar casamento? Você ainda tem a mesma coisa, o mesmo amor e felicidade”, reflete Kenneth.

O maior apoio à comunidade LGBTQIA+ de Kenneth Faried é mesmo nesse sentido. Além do direito básico à vida, ele quer mostrar que LGBTs também têm direito de ser casar e viver em segurança. Assim, em 2013, ele também apareceu em público para divulgar a OneColorado, advocacia de sua mãe em prol dos direitos civis da comunidade. Outra demonstração importante é que o jogador foi o primeiro atleta da NBA a integrar a Athlete Ally, um grupo de apoio à causa.

Outros nomes que atuam nesse sentido são Dwyane Wade e Reggie Bullock. Wade tem um filho assumidamente gay de 12 anos e, ao lado de sua esposa, utiliza sua voz para defendê-lo e auxiliar a comunidade LGBT. Já Bullock tem uma dor imensurável e busca ajudar na causa por conta disso. Em 2014, sua irmã transexual, Mia Henderson, foi assassinada. Desde então ele participa ativamente de protestos em prol da causa e em busca de justiça. Em 2019, sua irmã mais nova, Keiosha Moore, também foi assassinada.

DWIGHT HOWARD

Atualmente na liga, um caso envolvendo Dwight Howard poderia ser o pontapé para que houvesse um representante LGBTQIA+ na NBA. Em 2018, um homem trans foi ao Twitter acusar Howard de assédio e ameaças como tentativa de esconder o relacionamento entre eles, além de outras mulheres e homens trans. Em julho de 2019, então, o jogador se manifestou dizendo que não conhecia quem o acusava e que também não era gay. Ele finalizou a entrevista dizendo que essa situação toda serviu para que ele visse como as pessoas se sentem, apontou medo em ser quem elas são e afirmou que não quer aquilo para ele.

A NBA E A COMUNIDADE LGBTQIA+

A NBA, assim como diversas empresas, pode se utilizar de causas para lucrar. Bandeiras, camisetas, entre outros objetos, podem ser comercializados para arrecadação de fundos para ONGs em suporte aos homossexuais, o que nem sempre é suficiente. No entanto, é importante observar que muitas dessas promoções podem ajudar ambos envolvidos. A National Gay & Lesbian Chamber of Commerce (NGLCC) sabe e entende isso, por isso mantém uma parceria comercial com a liga americana e isso parece se intensificar cada vez mais.

Enquanto este texto era escrito, uma thread no Twitter me chamou a atenção, pois expôs alguns pontos sobre a NBA e a causa LGBT. Um dos pontos que o Cadu Arraes escreveu foi que a liga mudou o local do All Star Game de 2016 porque a Carolina do Norte tinha leis atacando a comunidade homossexual. Apesar de uma atitude “pequena”, foi um momento importante para mostrar que se importa. Ao mesmo tempo, voltando às histórias contadas aqui, vemos exemplos de como a liga não sabe lidar com o assunto quando ele atinge o interior do jogo. O processo é lento, mas aos poucos vemos que o ambiente esportivo, pelo menos no basquete, tem acolhido melhor não só LGBTs como mulheres e pessoas negras, um marco também contra machismo e racismo.

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