A história e os motivos para o retorno do Palmeiras ao NBB ser tão aguardado pelos fãs de basquete

A saída

A última equipe montada pelo Palmeiras para a temporada 2014-15 do NBB. Foto: Divulgação/LNB.

No dia 19 de abril de 2015, a Sociedade Esportiva Palmeiras foi derrotada pelo Franca no Ginásio Pedrocão por 73 a 64. A partida significou bem mais do que uma derrota nos Playoffs do NBB – com a vitória Franca levou a melhor de 5. O jogo em questão marcou a última partida da equipe no NBB.

Poucos meses depois, no dia 29 de junho, a equipe alviverde soltou uma nota oficial anunciando sua saída do Campeonato Paulista e do NBB, mas mantiveram suas categorias de base no esporte em atividade.

Chegava ao fim o patrocínio com a Meltex, e a equipe comandada por Regis Marrelli, que contava com os estrangeiros Toyloy, Gianella e Max Stanic, deu o seu adeus ao Novo Basquete Brasil.

A crise no futebol

Um dos principais motivos para o desligamento do basquete estava em outro esporte jogado com bola, mas não a laranja – o futebol. Não é um segredo que a principal modalidade esportiva do Palmeiras sempre foi o futebol, e na virada do século até 2015, o Palmeiras viveu sua pior fase esportiva e de financeira.

Foram dois rebaixamentos (2002 e 2012), gastos altíssimos com jogadores e inúmeras dívidas acumuladas a cada gestão. Relembrar essa fase não agrada nenhum pouco esse escritor palmeirense, porém contextualizar aqueles anos dolorosos é fundamental. O exemplo que talvez seja mais curioso foi a contratação do volante Wesley.

O Palmeiras não possuía verbas suficientes para tirá-lo do Werder Bremer da Alemanha, e precisou fazer uma vaquinha entre os torcedores para arrecadar dinheiro. A título de curiosidade, Wesley nunca desempenhou um bom futebol no clube e saiu pelas portas dos fundos.

Essa era a fase em que o clube se encontrava e que só viria a mudar com a chegada de Paulo Nobre em 2014. Na época o presidente fez inúmeros contratos de produtividade com os atletas e teve que reduzir todos os gastos incluindo, infelizmente, o basquete.

O passado glorioso e a forte base palestrina

O time campeão brasileiro de 1977, que contava com nomes como Carioquinha, Ubiratan e Oscar Schmidt. Foto:Divulgação/Palmeiras

Fundado em 1923, o basquete do Palmeiras é extremamente tradicional. A equipe foi campeã Nacional em 1977, venceu por 8 vezes o Campeonato Paulista, por 12 vezes o Campeonato Paulistano (entre os campeões da capital) e três vezes o Torneio Rio-São Paulo.

Fora as conquistas, o Palmeiras revelou grandes atletas como Leandro Barbosa, – o único brasileiro com um prêmio individual na NBA, como Melhor Sexto Homem da Temporada 2006-07 – além de Yago, destaque do Paulistano campeão do NBB em 2017-18, e um tal de Oscar Schmidt.

A base do Palmeiras segue sendo uma das mais fortes do Brasil. Só no ano de 2019, a base palestrinha conquistou 13 medalhas, sendo três de ouro, sete de prata e três de bronze. Entre os títulos, o Sub-16 foi bi-campeão brasileiro. Já a Copa Sul-Americana foi vencida pelo Sub-12 e Sub-15 do clube.

Prosperidade atual e projetos para o retorno

Voltando ao ano de 2015, o segundo semestre daquele ano marcou uma nova era vitoriosa para o futebol do Palmeiras. As conquistas da Copa do Brasil (2015) e o bi-campeonato do Brasileirão (2016 e 2018) deram vida nova ao clube.

Destacam-se o patrocínio master, o plano de sócio-torcedor e as arrecadações da bilheteria – graças a sua nova arena multiuso – que fizeram do Palmeiras um dos times mais bem estruturados das Américas em questão financeira.

Você deve estar se perguntando como o basquete profissional do clube ainda não retornou de forma efetiva. Naturalmente, alguns rumores vêm rolando nos últimos anos, principalmente entre os torcedores, mas a atual gestão não confirmou o retorno da equipe profissional.

A maior especulação até o momento vem do blog Basquete Palestrino que cogita um possível retorno do basquete profissional para a temporada de 2021-22, quando o clube passará por eleições em seu Conselho e o nome da patrocinadora Leila Pereira é forte para a presidência.

Leila planeja investir no clube social e nos esportes olímpicos no clube, como demonstrou em 2018, quando garantiu dirigir verba adicional ao Palmeiras por meio da Lei de Incentivo Fiscal ao Esporte, facilitando o investimento no retorno do clube ao basquete profissional. Porém, tudo isso dependerá de uma eleição e da palavra da patrocinadora.

O que fazer para o Palmeiras voltar?

Cabe a torcida cobrar o retorno do Palmeiras ao basquete. Como palmeirense vejo a maioria dos torcedores valorizarem apenas o futebol masculino, e isso não contribui em nada para esse projeto.

A torcida deve exigir o retorno de uma das modalidades mais tradicionais do clube, e o clube deve honrar o nome de carrega. O Palmeiras se chama Sociedade Esportiva Palmeiras porque não se resume ao futebol, sua história é vasta demais para se resumir a isso.

Uma instituição esportiva precisa estar presente em todos os tipos de modalidades esportivas. Deste modo, com o Palmeiras não pode e nem deve ser diferente, principalmente se tratando de um esporte com a tradição e popularidade do basquete. Espero ter conseguido transmitir essa mensagem pela matéria.

Aqui finalizo pedindo para palmeirenses, e não palmeirenses, refletirem sobre o tema levantado. O NBB só tem a ganhar com a volta do clube alviverde, assim como a torcida alviverde terá mais um esporte para acompanhar e para se apaixonar, um esporte que ela nunca deveria ter perdido.

Leia mais sobre o NBB e sobre o Basquete Brasileiro, separamos alguns conteúdos para você.

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