O nosso jogo, o processo de finitude do basquete

Março de 2020, a NBA parou, o NBB parou, o basquete de base… Parou…

O fim teve início antes mesmo dos campeonatos elegerem seus campeões, se até os times profissionais não tem dinheiro para continuar, você já pensou o que acontecerá com os tantos times que disputam jogos em Federações e campeonatos amadores?

Não precisamos levantar muitas bolas, no apito inicial tudo fica as claras, despesas maiores do que as entradas, sem possibilidades em fazer muitas ações para manter os times em atividade. O que era mais temido aconteceu: o jogo estagnou, sem data de retorno.

Esse cenário já está mais do que conhecido e não poderia ser diferente, mas a questão que levantamos é: e os jogadores, o que acontecerá com eles?

Aqueles que mudavam toda a rotina da família, que acordavam cedo, dormiam tarde, viviam mais com seus colegas do que com os próprios familiares, dependiam das custas do clube para fazer mais uma alimentação durante o dia e é claro, sonhavam com o momento de adentrarem a quadra para fazerem o que mais gostam: jogar basquete.

Esse jogo que move todos os atletas, federados ou não, aqueles que estão nos primeiros campeonatos, porque agora tem idade, que ficaram anos esperando para sair da escolinha e finalmente jogarem seu primeiro jogo oficial ou aqueles que não queriam que esse dia chegasse, porque sabiam que poderia ser o último jogo da categoria de base.

O sonho pausou e não escolheu endereço, não viu se um tinha mais determinação do que o outro, não viu se era a única fonte de lazer e prazer que aquele ser tinha. Não viu tamanho e muito menos gênero. O sonho foi descontinuado para todos.

A pandemia parou treinos, jogos, cancelou contratos, acabou com o condicionamento físico, acabou com a confiança e o psicológico daquele jogador que não sabe mais o que será da sua vida quando a crise da doença acabar, porque um dia ela acaba, mas o sonho, ah esse não pode morrer…

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O processo de finitude tem vários pontos negativos, mas ele é necessário para que sejamos outras pessoas depois da tempestade. Para todo fim sempre há um recomeço e nesse momento os clubes podem repensar em seus contratos, os jogadores podem rever o grau de importância de seus times e dos seus familiares, os trabalhadores do setor podem repensar em regulamentos mais flexíveis em relação às idades. Tudo pode ser revisto, temos tempo de sobra para isso.

Quem está em casa tem o privilégio de assistir jogos pela internet, se conectar com pessoas da área através de Lives, consegue analisar jogos, saber de regras, jogadas, treinar em casa (quando possível); hoje em dia o tempo mudou o conceito das pessoas, podemos conversar por horas sobre basquete, podemos melhorar intelectualmente, fisicamente, para colher os frutos quando for possível.

Podemos fazer muitas coisas a nosso favor, o que não podemos agora, justo agora é desistir, deixar o amor minguar, não seria justo com a gente, não seria justo com a nossa história, não seria justo com o basquete. Continue, siga em frente, porque como diz Elisa Lucinda: “não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final”.

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