De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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  O Guia Histórico do Basquetebol - As mudanças no Jogo

Continuando com os textos retirado da História do Basquetebol, publicado no Guide to Coaching Basketball, o autor apresenta as alterações que vinham acontecendo nos sistemas em detrimento das alterações de regras e das mudanças de jogo, uma vez que a dinâmica era toda diferente.

O Guia Histórico do Basquetebol - As mudanças no Jogo
Fonte: Degler Whiting

A História do Basquetebol – A Regra Muda e Favorece o Ataque

Os expectadores sempre gostaram muito mais do ataque do que da defesa, uma vez que atacar é mais empolgante. Até mesmo a maioria dos atletas prefere atacar do que defender.

Passado os anos. Se você prestar atenção, a maior parte das alterações das regras nos esportes coletivos dos Estados Unidos são feitas para favorecer o ataque, em especial quando pensamos no Basquetebol. A popularidade do jogo cresce na mesma proporção que o resultado final das partidas. O comitê de regras fez sua parte ao implementar a regra dos 10 segundos em 1932. 5 anos depois eles tiraram o pulo bola depois de  cada cesta. Essas duas mudanças mudaram o jogo drasticamente.

Com a reposição de bola sendo feita no fundo da quadra depois de cada cesta o jogo conheceu uma nova ameaça, eles a chamavam de ataque rápido. Isso trouxe mais ação aos jogos e o tornou incrivelmente mais popular no Ensino Médio principalmente em Indiana. Isso tornou possível as equipes pontuarem antes da defesa se organizar e proteger a cesta. Algumas equipes tinham de 50-70% de seus pontos advindos dos ataques rápidos.

A História do Basquetebol – O Arremesso Com Um Das Mãos

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Foto: WikiPedia

Talvez mais significante do que as alterações das regras que citei anteriormente, foram esses dois fundamentos: O arremesso com uma das mãos e o Jump Shot. Até então os jogadores só arremessavam de gancho ou com as duas mãos. No caso da segunda técnica, ainda assim mais próximo a cesta e de qualquer forma a maioria dos jogadores não tinha um bom aproveitamento nos Ganchos ou com as duas mãos.

O Arremesso com Uma das Mãos, apareceu pela primeira vez no inicio da década de 40. Os técnicos e os atletas, descobriram que dessa forma os arremessos tinham uma acurácia maior do que o normal, além de serem executado de forma mais rápida.

Alguns anos depois alguns jogadores adicionaram o salto ao arremesso, o que transformou em um arremesso diferenciado (Jump shot) e até mesmo mais efetivo de distâncias maiores a três metros da cesta, distância comum para arremessos naquela época. O Jump se tornou o arremesso mais letal dos anos 40, por ser o mais efetivo e de uma mecânica mais fácil do que o imbatível Gancho.

Chegando os anos 50, diversos atletas do ensino médio se tornaram muito bons no Jump Shot. O que levou aos atletas a passarem a tentar arremessar cada vez mais longe da cesta e com isso trouxe a defesa apertada que era a individual a mudar para um sistema defensivo zona e mesmo assim fez a defesa se expandir.

Como resultado disso as infiltrações se tornaram mais eficientes como armas do ataque. Alguns jogadores hábeis e com dribles ágeis, utilizaram dessa vantagem e começaram a enxergar situações de 1 contra 1. Isso deu ao ataque uma nova perspectiva com a possibilidade de pontuar ou de deixar um companheiro livre para arremessar.

A História do Basquetebol – Mudanças na Defesa

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Kenny Sailor’s jump-shot
Foto: Googe

Os técnicos que defendiam os Sistemas Defensivos Individuais Simples, passaram a aplicar mais pressão na bola e instruíram o lado fraco da bola a flutuar (dar espaço ao seu marcador, por esse ter menor possibilidade de pontuar). Este foi o começo da ajuda e recuperação nos sistemas estratégico-táticos vistos hoje em dia.

Esse técnicos da marcação 1-1 ou “homem-a-homem” ainda assim utilizam as zonas como ultimo recurso, ou quando pretendiam mudar o ritmo da defesa e do jogo. Porém naquela época a maioria técnicos preferia trabalhar com sistemas defensivos zona como sua primeira opção, mas se a “zona” falhasse eles mudavam para “individual”.

Depois dessa experiência um novo tipo de sistema defensivo surgiu, na década de 50 o Basquetebol conheceu a “Zona Match-Up”. A novidade teve um grande impacto, porque conseguia desacelerar o ataque quando bem executada, mas era muito difícil de se ensinar.

O sistema defensivo zona Match-Up tinha várias variações para igualar os sistemas ofensivos, na tentativa de proteger determinadas áreas da quadra. Cada atleta poderia utilizar uma combinação entre defesa zona e individual dependendo da ação ofensiva em determinado espaço da quadra.

Fora a Match-Up algumas outras defesas ‘homem-a-homem’ e outras configurações de ‘zona pressão’ passaram a ser utilizadas nos anos 50. Até então as defesas pressão só eram utilizadas por equipes que estivessem perdendo o jogo e ainda assim eram utilizadas só no final das partidas. Mas antes disso algumas equipes utilizavam comumente as ‘pressões’ em qualquer momento do jogo, sem distinção alguma.

As defesas se tornaram mais agressivas e sem necessidade em um esforço para combater qualquer evolução do ataque. Naquele momento os técnicos pensavam que um atleta tinha que pelo menos converter 40% de seus arremessos ou colocaria tudo a perder, a média de pontos de uma equipe era de 45-50%. Era normal ouvir um técnico falando “45% ganha jogo, 30 perde”.

 

Mais um texto extraído das pesquisas da minha dissertação. O mais curioso que em 1940-1950 pensavam como hoje, mas a dinâmica do jogo era completamente diferente e pensar que um arremesso de longa distância era um arremesso entre três e quatro metrôs.

O que estão achando da História do Basquetebol?! Para quem não leu o primeiro só acessar A História e evolução do Basquete.

O segundo texto dessa série está disponível para vocês, só clicar no Guia histórico do Basquetebol – As estruturas do jogo de Basquete.

Para quem ainda não tinha lido sobre o Jump Shot. Indico para vocês a leitura de A História do Jump Shot.

SOBRE O AUTOR Diego Andrade, mais conhecido como Diego Silver. Professor de Educação Física. Pai, viciado em coisas de Nerd e é claro entusiasta do Basquetebol. Ex-Aluno do Bi-Campeão Mundial Rosa Branca, quando o mesmo era servidor do SESC Consolação. CONHECER TODO TIME
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