Arrebatador, um adjetivo que compreende o basquete. Encanta, atrai e cativa a todos. Independente da cor, do sexo, do credo ou da idade, o basquete é para todos. E quando esse amor arrebatador se desenvolve desde criança?!

Mateus Serafim, um grande exemplo dentro e fora da quadra, paixão que surgiu na arquibancada do Ginásio Pedro Morilla Fuentes no interior de São Paulo, nada mais e nada menos que na cidade de Franca, ou como nós basqueteiros a conhecemos ” A Capital do basquete brasileiro”. Aos 7 anos de idade, Mateus começou a frequentar o Pedrocão com sua família, nada além de um passeio familiar, que com o tempo passaram a ser frenéticos, assim despertando o interesse do menino ao esporte e ao time de Franca.

Ir aos jogos no Pedrocão, não era mais visto ao Mateus somente como um passeio, desde sua primeira ida ao ginásio o basquete o conquistou, a cada dia buscava informações sobre o esporte e histórias do clube,  conhecendo grandes ex -jogadores como Chuí, Paulão e Helinho Rubens, que contribuíram para o fortalecimento do basquete de Franca. 

A nova paixão do menino francano foi para as quadras, começou a jogar basquete aos 10 anos. Os jogos de Franca era como aprendizado ao garoto atento a cada jogada, lance e passes em busca de melhorar o seu jogo, com a expectativa de alguns anos pudesse estar ali,  representando o time de sua cidade. A torcida não fugia dos olhos de Mateus também, acanhado em seus primeiros jogos, começava a vibrar e cantar com o restante empurrando o time. Esses momentos foram significativos para Mateus, motivado a jogar e viver desse amor que só aumentava.

Praticando basquete mostrava grande desempenho, jogando em categorias acima de sua idade. Através de uma seletiva, aos 14 anos foi integrado ao rendimento do Sesi Franca, momento magnífico e de muito conhecimento ao  atleta, iniciava sua trajetória no clube de coração. Seus frutos surgia no sub- 14, eleito o melhor jogador do Estado de São Paulo e pré-convocado pela seleção brasileira da categoria para a disputa da Copa América, o qual se ausentou devido a falta de verba financeira.

Aos 15 anos, campeão paulista contra o Pinheiros, na casa do mandante. E os 16 anos juntamente com outro atleta, foi convidado a treinar com a equipe profissional do Franca, tendo contato com comissão técnica e jogadores na academia, treinos e jogos. De puxões de orelha a dicas e conselhos dos experientes, Henrique Coelho e Cipollini era os preferidos e os quais Mateus tinha mais afinidade, não perdia a oportunidade de mais um X1 com Coelho. De treinos com duração de sete horas e meia, seu objetivo a cada momento com o time profissional, jogos da base e apoio significativo que a torcida o repassava, o garoto de Franca sonhava mais e mais em se tornar jogador profissional de basquete.

Mateus carrega em si o basquete nas veias, respirava e vivia para o esporte. Somando 9 títulos na categoria de base dos 12 aos 16 anos, era cotado pela torcida de Franca como promessa. Mas, após uma tragédia no dia 16 de janeiro de 2018, o sonho do garoto de Franca escapou de si. Mateus andando de bicicleta a caminho da igreja, teve sua frente cortada por um carro em excesso de velocidade, desequilibrado caiu dentro do Córrego Cubatão. Pela queda, teve fratura na cabeça (politraumatismo), cinco costelas quebradas, um pulmão perfurado e cinco vértebras da coluna quebradas. Do resgate a chegada ao hospital, todos desacreditaram na sobrevivência do menino, até mesmo pela falta de socorro do transgressor. Foram 33 dias internados com observações privadas, quando finalmente recebeu alta.

Voltando para casa a fisioterapia, a terapia ocupacional e a hidroterapia se tornaram o treinamento diário de Mateus. Ainda lidava com a fisioterapia, perdeu movimentos do lado esquerdo do corpo, tendo dificuldades em atividades cotidianas e no que mais amava, o basquete, Mateus não poderia  mais jogar basquetebol em alto nível. Com familiares e amigos ao seu lado, nunca passou por sua cabeça perder essa série difícil em sua vida .

Apesar de sempre ter tido controle sobre seu corpo, conhecê-lo pelo Basquete, teve a paciência e compreensão do que acontecia, e que jamais desistiria. O Time de Franca e torcedores abraçaram Mateus como sempre faziam nos jogos, mensagens de apoio e presentes para ele e a família para ajudá-los, e quando precisou de transfusão de sangue, Franca foi o maior meio de divulgação nas redes sociais e pontos de coletas durante os jogos, inclusive ajudando outros pacientes na arrecadação de bolsas de sangue.

No dia 2 de Março de 2018, ocorreu o reencontro de Mateus com o Franca no Pedrocão, o local que se descobriu no esporte que tanto ama, que aprendeu a amar Franca de forma indescritível. Ovacionado pela torcida e jogadores emocionados em pé por sua luta, levou a bola do jogo ao árbitro ao árbitro Carlos Pelissari.

Mesmo com o “choque” de todos sobre o ocorrido, Mateus jamais deixou isso o abalar. Tinha consigo que precisava lutar e ganhar essa batalha, ganhar o maior troféu de todos, o troféu da vida. Sua missão sempre foi ver as pessoas felizes e bem.

Fora de quadra Mateus é exemplo de fé e obstinação, não deixou os problemas e dificuldades afastá-lo do basquete, mesmo com o seu sonho interrompido. Carrega em si anos de alegria, de aprendizado, de vitórias, de derrotas, de amigos e momentos que o esporte lhe deu.

GUERREIRO FORA DA QUADRA
Mateus Serafim, reencontrando Franca e torcida no Pedrocão.

Hoje palestrante, designou parte de sua luta por amor ao basquete, por querer voltar ao seu rendimento de antes, sabendo que essa possibilidade não existe, a esperança e paixão no esporte através do time de Franca prevalece ainda mais como torcedor. Franca e amigos que lá fez, o ajudaram e o apoiaram ao máximo  quando mais precisou. Perguntado ao Mateus o que significava Franca em sua vida, sem hesitação respondeu:

– “O Franca basquete é alegria, é superação e união. O meu reencontro com o Franca basquete foi muito significante na minha vida, onde lá eu tive o apoio que eu precisava de verdade”

Franca leva na bagagem muitos títulos, e uma torcida extremamente apaixonada, torcida que engrandece e fortalece o time desde sua fundação. Uma torcida que esperou 11 anos para conquistar o estado de São Paulo novamente, que almejou o triunfo inédito da Sul-americana e que a oito anos esperava novamente ir as finais do NBB.

O fruto dos méritos de Franca, tem grande parcela devido a torcida, é o estímulo no cantar, no gritar, na cobrança, na história de vida a contribuir e participar do esforço dos jogadores.

Mateus Serafim é mais uma história por trás de Franca, mais uma coluna desse corpo que ganha resultados pela empatia, força e amor que muitos nunca entenderão,  o que torna o basquete fantástico.

 

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