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  Na foto, Kevin Love em meio a diversas pessoas, todas elas colaboradores horistas que trabalham no ginásio do Cleveland Cavaliers e estão sem salários com a suspensão dos jogos. Kevin Love está tirando uma selfie em meio aos profissionais, ele está com terno e gravata e a foto foi tirada de dentro do ginásio. O dia que a NBA parou! Você sabia que a liga já parou antes? - Área Restritiva

A temporada 2019/20 da NBA está suspensa, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer e muito menos se teremos um campeão. Isso já aconteceu antes, a liga já parou e hoje você vai conhecer quais foram as soluções.

A maior liga de basquete do mundo não recebeu esse título à toa. Segundo a revista Forbes, os lucros totais da última temporada da NBA chegaram a 8 bilhões de dólares, cada um dos 30 times valendo quase 2 bilhões de dólares individualmente.

Além das receitas provenientes das transmissões televisivas ao redor do globo, patrocínios, ingressos, vendas de camisas e artigos diversos, a NBA ainda é responsável direta por mais de três mil empregos só nos EUA. Não é de espantar que o impacto econômico de uma paralisação no calendário da liga seja tão grandioso.

Canais de TV sem jogos, arenas gigantescas vazias, lojas fechadas e empregados sem salário; vamos recapitular todas as vezes em que isso aconteceu?

O primeiro lockout. Durou 3 meses, antes da temporada 95/96

A NBA dispõe de um contrato (CBA) com os times e os jogadores, através da NBPA (Associação de Jogadores da NBA). Este contrato dita as regras de contratos de jogadores, trocas, teto salarial, Draft, entre outros, e é renovado de tempos em tempos de acordo com as necessidades dos times e da liga.

Durante a temporada 93/94 este contrato venceu, mas a Liga entrou em acordo com os times – até para evitar greves – e postergou o fim do contrato através de uma moratória que permitia a contratação e negociação de contratos de jogadores. Um dia depois das Finais de 1995 a moratória expirou e em 1 de julho se deu a suspensão.

Trocas entre os times, contratação de agentes livres, extensões e a Summer League foram suspensas. Apenas o Draft de expansão e o Draft regular foram permitidos. A paralisação não afetou o calendário da temporada seguinte.

A segunda suspensão durou apenas algumas horas antes da temporada 96/97

Um ano após a primeira suspensão, a NBA fez nova parada; mas esta de apenas algumas horas. A causa foi a partilha de 50 milhões de dólares provenientes de receitas televisivas: a NBA queria que 50% fosse usado para pagar salários dos jogadores, mas os jogadores queriam um pouco mais.

Depois de algumas horas de negociação a NBA concordou em acrescentar 14 milhões por temporada aos salários dos jogadores e assim terminou o lockout mais rápido da história.

A terceira greve da NBA durou mais de 6 meses e levou à diminuição da temporada 98/99 para 50 jogos!

Lembram do CBA? O Collective Bargaining Agreement é novamente motivo de paralisação. A NBA reabriu o contrato para edições, procurando fazer mudanças salariais e controlar a alta de pagamentos de estrelas em detrimento dos salários mínimos de outros jogadores, mas a NBPA não aceitou facilmente e também quis impor suas condições.

Algumas das propostas da Liga iam desde o teto salarial, passando pela Larry Bird exception, até o uso de drogas por parte dos jogadores. A NBPA reclamava ganhos de receitas televisivas e discordava da alegação da NBA de que quase metade dos times perdia dinheiro. Como os dois lados não chegavam a um acordo, o lockout foi iniciado.

A partir de 1º de julho de 1998 os times foram proibidos de negociar com jogadores, acessar os CT’s, promover encontros e os jogadores até deixaram de jogar pela seleção norte-americana. Com o passar dos meses, jogos foram cancelados – como o Jogo de Natal e o All-Star Game; a temporada regular foi resumida a 50 jogos e os ânimos acirrados se estenderam aos fãs e à mídia.

O resultado foi um ano menos lucrativo da história da Liga: não só os índices de audiência durante a temporada caíram, como a venda de ingressos foi mais baixa na temporada 1999 e anos subsequentes. Apesar de tudo, o acordo final foi visto como uma vitória de David Stern e provocou mudanças nas questões salariais que até hoje podem ser vistas: salário máximo dependendo do tempo de liga do jogador, salários de rookies dependendo de sua escolha no Draft, exceções do teto salarial e instituição da luxury tax, aumento do salário mínimo, e expansão da política antidrogas.

Esta suspensão durou 204 dias e resultou na perda de mais de 1 bilhão de dólares para a NBA, além de desemprego e diminuição dos serviços que necessitavam da Liga para funcionar.

Na foto, David Stern, a imagem foi tirada em 2011 em uma das reuniões sobre as negociação da greve da NBA, Stern está sentado a frente dum Backdrop da NBA com diversos logos da Liga, ele está usando um paletô azul escuro, com uma camisa azul claro e uma gravata vermelha. a frente do microfone que também tem o logo da NBA e está gesticulando enquanto fala. O dia que a NBA parou! Você sabia que a liga já parou antes? - Área Restritiva
Foto de 2011, durante as negociações do Contrato da CBA.
Foto: Divulgação/NBAE

A paralização da NBA que obrigou a diminuição da temporada 11/12 para 66 jogos.

A paralisação de 2011 foi novamente motivada pelo vencimento do antigo CBA. Iniciado em 1º de julho, o lockout se deu pelo insucesso nas negociações entre a NBPA e os donos dos times no que se refere a salários, luxury tax, divisão de receitas, entre outros. Os jogadores não podiam acessar CT’s e treinadores, os times não podiam contratar ou trocar jogadores.

Durante o lockout vários atletas participaram de torneios independentes, como a Melo League e Drew League; alguns deles chegaram a procurar times em outras ligas, como Toni Parker e Andrei Kirilenko.

Como as reuniões não terminavam bem, os jogos de pré-temporada foram reduzidos a dois (eram cinco antes do lockout) e a temporada postergada até dezembro, quando os treinos foram retomados e as primeiras partidas foram jogadas na noite de Natal. No final, jogadores e donos dos times assinaram um acordo que previa mais flexibilidade no salary cap (apesar de uma queda na porcentagem dos jogadores), a nova regra “Derrick Rose” e outras exceções contratuais.

Além das perdas financeiras para a NBA e emissoras de TV, estima-se que cerca de 400 empregados da Liga perderam seus empregos durante o lockout e tiveram que trabalhar em outros empregos para conseguir pagar as contas. Segundo o Bleacher Report, mais de 40 milhões de dólares foram perdidos apenas na cidade de New York; bares, restaurantes e negócios em diversas cidades foram obrigados a dispensar seus empregados.

Prefeitos de 14 cidades chegaram a enviar cartas ao comissário da NBA, David Stern, pedindo o fim da greve, tamanha a perda na economia local.

Muitos times não puderam contar com suas estrelas durante os playoffs – Bulls perdeu Derrick Rose, Knicks perdeu Baron Davis e Heat jogou sem Chris Bosh a maioria dos jogos – por causa de lesões causadas pelo calendário apertado e extenuante da temporada: foram 66 jogos em menos de 130 dias!

O inimigo agora é outro: Corona Vírus x NBA

Na foto, Rudy Gobert, o jogador do Utah Jazz está com os braços apoiados ao lado da cabeça, olhando para baixo (algo como se estivesse se sentindo culpado de alguma coisa), ele está em uma partida do Utah Jazz, é possível identificar isso pelo Uniforme City Edition utilizado pelo Jogador. O dia que a NBA parou! Você sabia que a liga já parou antes? - Área Restritiva
Foto: Divulgação/NBAE

No dia 11 de março a NBA decidiu suspender a atual temporada por 30 dias após o jogador Rudy Gobert ser diagnosticado com o COVID-19. Desde então, jogadores e funcionários têm sido examinados e até 14 testaram positivo para o vírus, mas a preocupação maior vai além dos atletas saudáveis que podem se manter em quarentena no conforto de suas mansões, sem medo de perder seus contratos milionários.

A NBA, seus times e seus jogadores sempre sobreviveram a momentos de recessão, pois nem os jogadores deixam de receber seus salários garantidos, nem a Liga deixa de receber por contratos televisivos (este durando até 2025) e patrocínios, os jogos acontecendo ou não.

Com arenas fechadas e ordens de restrição em todos os lugares, trabalhadores comuns são os mais atingidos, pois os que recebiam seus salários por hora não têm o que receber; dos zeladores das arenas, aos árbitros da partida, todos estão em casa. Hotéis, restaurantes, bares e outros estabelecimentos não contam mais com os milhões de dólares que a NBA injeta na economia local.

Essa situação desconfortável e sem fim previsível não foi motivada por disputas de lucros, como as outras quatro paralisações, mas por questões humanitárias que afetam o mundo inteiro. O momento é de empatia e valorização da vida, por isso, diversos atletas se prontificaram a ajudar aqueles que fazem o jogo acontecer.

Na foto, Kevin Love em meio a diversas pessoas, todas elas colaboradores horistas que trabalham no ginásio do Cleveland Cavaliers e estão sem salários com a suspensão dos jogos. Kevin Love está tirando uma selfie em meio aos profissionais, ele está com terno e gravata e a foto foi tirada de dentro do ginásio. O dia que a NBA parou! Você sabia que a liga já parou antes? - Área Restritiva
Foto: Reprodução – Intagram/Kevin Love

Kevin Love, pivô do Cleveland Cavaliers, foi o primeiro a publicar sua ajuda – 100.000 dólares aos funcionários do Rocket Mortgage Fieldhouse – e aí outros seguiram a deixa, numa linda corrente de solidariedade nestes momentos  tenebrosos:

O próprio Cavs afirmou que todos os seus funcionários estariam segurados durante a suspensão;

Blake Griffin, do Pistons, e Giannis Antetokoumnpo, do Bucks, seguiram o exemplo de Love, doando cem mil dólares para os funcionários de suas respectivas arenas.

A primeira escolha do Draft de 2019, Zion Williamson, resolveu usar parte do seu primeiro salário para cobrir os salários dos funcionários do Smoothie King Center Arena por 30 dias.

Rudy Gobert doou mais de 500 mil dólares para cobrir salários e ajudar em pesquisas sobre o COVID-19.

Stephen Curry está fazendo doações de comida através da sua Fundação “Eat.Learn.Play”, assim como LeBron James (através da “I Promise School”) e seu companheiro de time, Kyle Kuzma.

Administrações das próprias arenas, como o STAPLES e Sacramento Kings, fazem suas doações, mostrando que toda a Liga está unida em um único propósito: devolver à comunidade.

Não dá pra saber quando a NBA estará de volta (o prazo dado por Adam Silver ainda deve ser prorrogado se a situação não se mostrar animadora), nem o quanto a economia e a humanidade serão impactadas pelo Corona Vírus, por isso o sentimento é de união, empatia e as campanhas por parte de jogadores, times e Liga para que as pessoas fiquem em casa e a contenção do vírus seja mais rápida.

Visando colaborar não só com os fãs norte-americanos, a NBA disponibilizou o League Pass gratuitamente por 30 dias, é possível assistir jogos antigos, programas e entrevistas; a liga também está usando suas plataformas digitais para reprisar jogos lendários todas as noites.

No Brasil também dá pra assistir reprises nos canais ESPN e SporTV. Se você prefere um filme, série ou anime, o Área já fez uma lista pra você curtir tudo isso sem deixar o basquete de lado (confira aqui).

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SOBRE O AUTOR Apaixonada por esportes, música e cultura Hip-Hop, Lua é uma jovem estudante de Jornalismo que, não satisfeita em tuitar muito, agora escreve pro Área! CONHECER TODO TIME
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