Não lembro o dia ou horário exato, mas, o local se eternizou em mim. Como esquecê-lo?! Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos, localizado em Mogi das Cruzes, São Paulo. O caldeirão, intitulado pela torcida mogiana, onde obtive meu primeiro contato com o esporte da bola laranja.

O ano era 2005, na época eu tinha por volta de sete anos. Enquanto assistia TV como fazia toda tarde, meu pai chegou. Logo de cara veio fazendo um convite a mim e a minha mãe, irmos a um jogo de basquete. Admirador e fã do esporte, aquele típico torcedor tradicional do Lakers ( não ouse dizer que ele é torcedor do Lakers após Lebron James) começava a acompanhar o basquete brasileiro à risca.

Por intermédio do meu pai, estava a caminho do meu primeiro jogo de basquete. Costumava vê-lo acompanhar a NBA, ficava alegre ou nervoso com o desenrolar das partidas. Mesmo seu time parando no meio do campeonato, continuava a assistir a temporada. Fomos de carro ao ginásio, que não estava cheio como imaginava vendo pela TV. A quadra era simples e marrom, a arquibancada acimentada e não havia aquelas luzes como na NBA. Até então, nada atrativo para uma criança.

Me recordo de uma música no fundo, bem alta. Tinha umas pessoas com bandeiras, camisas iguais,e aos poucos aumentava aquele grupo. Sentamos na arquibancada central, ficava de frente a quadra, com ampla visão do ginásio, que era enorme aos meus olhos. Filha aquele é o Mogi das Cruzes, o time da nossa cidade”, apontava meu pai para homens gigantes de roupa branca; eles eram muito, muito, muito grandes. Os homens de branco começaram a jogar a bola de cor laranja um para o outro, eram rápidos nas trocas, e toda vez que a bola caia no cesto, aquele grupo de roupa parecida gritava de alegria, na verdade eles não paravam de gritar e cantar.

Certo momento, um homem de branco saltou com a bola no cesto, ficando pendurado por um tempo, aquilo foi muito legal, e pela primeira vez eu gritei pulando de alegria, eu tinha gostado daquilo:

Papai o moço voou

Sim filha, ele enterrou

Enterrou? O que é isso? Palavra desconhecida, esporte desconhecido. Tudo era anônimo, porém me despertava curiosidade.  Após o lance, larguei de mão a boneca que tinha levado e assiste o jogo, ocorreu outra vez um lance parecido, em êxtase pela cravada fui arremessada ao ar pelo meu pai e recebida por um “VAI MOGI FILHA”. Meu pai possuía um brilho nos olhos que eu nunca tinha visto, era novo, queria sentir o seu deleite.

Outros jogos passaram, meu interesse aumentava a cada partida, a cada lance. Sempre detalhando as ações das jogadas, ouvidos atentos a minhas perguntas e dúvidas. Meu pai, desamarrado de qualquer preconceito  e defensor da mulher no esporte seja ela torcedora, atleta ou profissional do meio, me apresentou o basquetebol. Todo meu fascínio veio de sua paixão repassada de forma arrebatadora.

Como podem perceber, o basquete é a base do meu relacionamento paterno, fortificou o respeito e amor por meu pai, nos fez próximos.

Gosto de saber que por trás de um amante do basquete tem uma história. Me perco nos ginásios a fora, olhando as pessoas, seus sorrisos com as jogadas, seu fanatismo, sua prece, seu choro, o olhar deslumbrado de uma criança ao ver o seu jogador favorito.

O basquete nos escolhe, e cabe a nós como vivenciar esse amor. Toda paixão avassaladora, tem um começo, qual é o seu ?!

O BASQUETE ME ESCOLHEU!
Ginásio Professor Hugo Ramos.
Foto: LNB/Divulgação

E aí,  sou a Graziela Cristina! Mas podem me chamar de Grazi, e sim, sou a nova colunista do Área Restritiva. Estudo jornalismo, por  amor e influência do esporte, dentre eles o Basquetebol. Jornalismo é simplesmente contar histórias, resolve juntar o que mais gosto: História e Basquete.

Essa ideia estava em constante planejamento e BOOM, o Área apareceu a mim, de leitora a colunista. Doido, né?! SIM, mas não teria melhor forma da minha história, jornalista esportiva, começar melhor!