De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
Geração que marcou não só o feminino, mas o Basquetebol Brasileiro
Parte do elenco campeão mundial de 94, presentes na homenagem de 25 anos da conquista.
Foto: Jorge Bevilacqua/CBB

Dificilmente botavam fé nas chances da seleção no Mundial. Na competição anterior, havia terminado em 10º lugar.

A imprensa também desvalorizou, apesar de transmitir as partidas do Mundial feminino. A emissora Bandeirantes não estava com a equipe no local, devido às atenções voltadas para a cobertura da Copa do Mundo FIFA (Federação Internacional de Futebol), no Estados Unidos. Pelo jornal “Gazeta Esportiva”, o repórter Juarez Araújo colocava às entrevistas de jogadoras no ar por telefone celular. Apenas dois jornalistas brasileiros viram o título. Além de Araújo, o repórter da Globo Marcelo Barreto. A conquista da seleção feminina ficou em segundo plano, por causa da copa.

Do outro lado, o lado torcedor, as pessoas torciam muito, iam para o ginásio, acompanhavam pela televisão os jogos realizados nas madrugadas. Era o auge do basquete feminino nacional.

O depreciar e a pouca visibilidade da mídia, não apagou o brilho e mérito desse mundial, das atletas e da comissão técnica. Após 25 anos, ainda é comemorado. Todos que fizeram parte são aplaudidos, homenageados e estímulo a novos triunfos dentro e fora da quadra.

Daniela Corrigi, na época com 19 anos trabalhava no McDonald ‘s, por trabalhar no período noturno, conseguiu acompanhar todos os jogos da seleção que eram transmitidos nas madrugadas. Ficava entre a atenção de suas atividades e a TV, com a ausência de clientes, a atenção era em dobro no jogo. Se emocionava a cada jogo, a cada vitória.

“O desfecho com o título foi maravilhoso, claro! Mas, a trajetória da Paula, Hortência, Janeth, Ruth até chegar na glória de serem campeãs do mundo, serviu muito para me estimular a vencer meus próprios desafios de vida. Hoje também me considero uma vitoriosa, consegui me formar como fisioterapeuta, além de ser professora universitária, ter feito mestrado e nesse momento, estou fazendo doutorado na Unicamp. Meu esforço e coragem com certeza tem a ver com esses espelhos maravilhosos que elas foram pra mim. Fico emocionada até hoje com o mundial “

Ana Paula, uma garota de 17 anos, o que a tornava diferente das garotas de sua idade, era seu amor pelo basquetebol.


Sempre fui apaixonada por esportes em geral, mas a minha paixão maior sempre foi o basquete. Acompanhava os campeonatos de basquete feminino.  Durante esse Mundial, onde os jogos aconteciam durante a madrugada, antes de dormir colocava o despertador para tocar antes do horário dos jogos, não queria perder nenhum lance. Acordava feliz demais para acompanhar e torcer para nossas meninas. Não perde um jogo. No outro dia, comprava jornal para recortar as reportagens que eram publicadas pois eu colecionava. Uma paixão mesmo, sem dúvidas foi a maior geração do nosso basquete feminino”

Joice Rodrigues, atleta profissional de basquete. A camisa 11 do Ituano Basquete, na época tinha 8 anos, como toda criança não parava, de um lado para o outro brincando. Assistia basquete, mas ainda não entendia , na final contra a China, se viu parando na frente da TV, Magic Paula nos minutos finais da partida acertando os lances livres certeiros aumentando o placar.

Obteve as jogadoras como estímulo e determinação no exercício do basquete, assistindo vídeos da conquista. Chegou a jogar contra Adriana Santos e Helen Luz. Paula sua maior inspiração, buscava imitar seu passe de bola por trás.

“Vê vídeos delas e arrepia. Gosto desse tipo de motivação. São grandes ícones do basquete feminino, a garra, a determinação na expressão de cada uma delas é muito contagiante, arrepia. Ser campeão é indiscutível!”

O campeonato, a conquista entrou para a história. Penosamente o Brasil, terá uma nova seleção como de Hortência, Janeth e Paula. Único êxito mundial.

Ainda hoje, por falta de reconhecimento, fiascos no mundial, fracassos olímpicos, dança nas cadeiras dos técnicos, má direção na CBB ( Confederação Brasileira de Basketball), longe dos holofotes da mídia, e investimentos na modalidade, a equipe de 94 é a única grande inspiração nacional para jovens atletas.

o basquete feminino brasileiro não dispõe de ídolos tão representativos como as jogadoras de 94, que ainda servem de suporte para as iniciantes. Não com tanta empolgação, afinal, muitas delas nem eram nascidas.

Ainda falta a importância da representatividade feminina atual. Sem essa referência é mais difícil. Os obstáculos se tornam maiores e talvez mais fácil desistir ao longo do caminho

A luta dessas mulheres guerreiras de 94, silenciando a todos, abriu as portas para as novas gerações. Mas ainda o basquete feminino tem um longo caminho a ser trilhado, árdua fase de reestruturação.

Não há dúvidas que essa seleção brasileira, a geração de ouro, marcou a história das atletas, dos torcedores, do presente e futuro do basquete brasileiro.

As mulheres no topo, trouxe o empoderamento à mulher que pratica, comanda, apita ou torce para o basquete. Deixando o sonho vivo, de futuramente o basquete se tornar a modalidade mais praticada entre as garotas.

Esse é o terceiro texto da série “25 anos da conquista do mundial de basquete feminino”, o Área Restritiva lhes apresenta quatros textos sobre o mundial da Austrália. Serão quatros dias seguidos, um texto completando o outro, não leu os dois primeiros?!

Segue os links para vocês não perderem nada.

25 anos do mundial da Austrália conquistado por ELAS!

O Basquete Feminino Brasileiro, contra o Mundo, esse foi o Mundial de 94

 

SOBRE O AUTOR Olá pessoal! Sou a Graziela Cristina, mas podem me chamar de Grazi, estudante de Jornalismo e fascinada pelo Basquete e suas magias! Amo histórias, quero trazer à tona a paixão do torcedor, mostrar quem é o verdadeiro " sexto homem", a torcida. Então, vamos juntos nessa série?! CONHECER TODO TIME
RESENHE COM A GENTE AÍ!

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