Um projeto de Basquete Feminino em um lugar um quanto improvável, convido vocês a conhecer essa história.

Desde que voltei da Malásia e acompanhei diversas realidades no mercado de trabalho e no Basquete, eu criei uma máxima minha, se eu tiver que trabalhar de graça, que eu trabalhe para quem precisa, certo?!

Eis que eu me dedico a visitar projetos sociais, escolas públicas e outros locais com profissionais que querem trabalhar com Basquete, afinal, vamos levar Basquete para quem precisa de Basquete, apoio para quem precisa de apoio, além do intercâmbio de conhecimento e o Basquetebol ganha muito com isso.

Indo conhecer mais um projeto de Basquete

A convite de um professor amigo meu, fui conhecer uma escola no extremo, bem extremo da Zona Leste. Talvez o Far Far Away do Shrek tenha sido inspirado nessa região de São Paulo e vocês já vão entender o porque.

Bom, combinamos tudo, esse professor fez questão de me buscar, combinamos o horário e eu estava em uma estação da CPTM esperando por ele, nos encontramos e fomos até a escola, eu não sei dizer ao certo quanto tempo levou de carro, mas foram algumas versões de Faroeste Caboclo no caminho.

Chegamos na escola, um grande prédio verde, minha primeira reação foi vou gravar algo e publicar no Instagram do Área, mas não tem sinal de celular. Caro leitor, pare e pense nesse momento, quando foi a ultima vez que você em uma capital estadual, ficou sem sinal de celular, isso a céu aberto?

Foi exatamente isso que eu pensei, estou em São Paulo/SP, a maior cidade do país e uma das maiores do mundo e não tenho sinal de celular, entenderam porque de Far Far Away do Shrek?

Na foto, a Escola Recanto Verde Sol, foto da fachada tirada pela Google, um prédio de três andares todo verde. Não tem sinal de celular, mas tem Basquete Feminino - Área Restritiva


A escola é o Recanto Verde Sol, se você não está acostumado a andar em escolar publicas no Brasil, o impacto nunca é positivo. Se as escolas particulares no Brasil são feitas pela estrutura, as escolas publicas sem dúvida são feitas pelos profissionais.

Passamos pelos corredores, chegamos no pátio da escola, me deparo com as jogadoras do time de Basquete da escola, treinando no pátio, fazendo preparação física. Ah! Um detalhe muito importante, eram férias. Isso mesmo, elas estavam junto do professor treinando nas férias escolares, fomos na escola entre janeiro e fevereiro.

O professor vem falar comigo todo sorridente, conversamos, ele me fala do planejamento, da sua história. Um professor que era do Futsal e que foi se apaixonando pelo Basquete, a conversa se deu no caminho para a quadra de Basquete, chegamos lá o professor começa a puxar o treino.

Conhecendo o projeto de Basquete do Recanto Verde Sol

O local era uma quadra poliesportiva de uma escola publica, nada fora do padrão para quem veio de uma escola publica, tabela de madeira, piso de cimento e é isso, mas ao olhar ao redor da quadra, diversas cestas, presas onde dava para serem presas, trabalho do professor, em conseguir os aros, ver como prender, apoio da comunidade ou da escola, ou dele mesmo e o trabalho está pronto.

Mas e o treino?! Até então eu não sabia que naipe iria treinar, a categoria era o menos importante para mim, é escola, eu entendo que qualquer aluno ou aluna que esteja estudando pode participar dos treinos.

Para o meu espanto, só garotas. Isso mesmo, só Basquete Feminino. Me desculpe se isso pareceu sexista ou qualquer coisa do tipo, mas não foi, você que está lendo esse texto reflita nesse momento, quando foi a ultima vez que você chegou em um lugar onde existisse a prática esportiva formal de Basquete e fosse só no feminino?

Entende agora o meu espanto? Okay! Continuando…

O impacto do que acontece no Recanto Verde Sol é tão grande que já virou pauta na ESPN, Estadão e no Globo Esporte, além do Área. Estamos falando de um colégio publico no extremo leste de São Paulo, que tem um projeto de Basquete Feminino (só Basquete Feminino), que é bicampeão da jr. nba.

Lembra quando eu falei que as escolas publicas não são as estruturas que as escolas particulares têm, mas são feitas pelos profissionais que nelas atuam?!

Bom apresento para vocês Rodrigo Mussini, esse cara. Foi para a educação física pelo futebol, dar aulas de educação física escolar por amor e faz toda a diferença no Recanto Verde Sol.

Um projeto de Basquete Feminino na escola, que virou instituto, conseguiu patrocínio da Decathlon e com anéis da jr. nba, um detalhe, uma escola publica em meio a escolas particulares. Mais uma vez a escola publica é feita de outra coisa não da estrutura, talvez esse seja o cerne da escola independente de publica ou privada e da educação, ser construída por pessoas e para pessoas.

Na foto, o elenco do Recanto verde sol em uma das edições da jr. nba. Não tem sinal de celular, mas tem Basquete Feminino - Área Restritiva

Parabéns Recanto Verde Sol.

Parabéns Rodrigo Mussini.

Obrigado por tudo!

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