Em uma das minhas várias vidas profissionais (e eu gosto da sensação de poder navegar por carreiras que se complementam e dialogam e que nunca ganham dinheiro), sou historiador. Com alguns professores que tive, aprendi que deveria ser objetivo em minhas pesquisas e fazer as perguntas corretas para os documentos.

Quais seriam as perguntas corretas?

Minha sensibilidade diria… Com a ideia de uma Nova História, aprendi também que tudo é documento. Cabia a mim, um ser objetivo e sensível (seria possível ser os dois ao mesmo tempo?), decidir quais documentos…

Já disse para meus alunos um milhão de vezes (ah, eu dou aula também de história), que eu não sou um almanaque. Não sei datas, locais e raramente guardo um nome na minha cabeça. Mas que raio de professor é você? Uai, sou um professor de história que tenta fazer a ponte entre presente e passado. Ensino o contexto das coisas, as mentalidades, nossos jeitos de pensar. Esse longo preâmbulo é para deixar bem evidente que não adianta me perguntar o nome daquele ala que jogou no time de 65. Ou quanto foi tal final? Quem jogou tal final?

Como digo pros meus moleques na sala, “pera aí, vou ver no google”.

Pra mim, história também é a sensação que você tem quando analisa fatos, pessoas, tempos.

Assisti Last Dance sobre Michael Jordan. Baita documentário. Eu queria ter feito ele. Vivi a década de 90 com meus 20 e poucos anos e só acompanhei Bulls e Jordan pelos jornais quando saía alguma coisa no Brasil. Sei que Jordan é Deus na terra (ou no ar – como preferir – afinal ele voava também), mas…

Eu, talvez, entre os seres humanos, seja um dos mais tortos que exista, passo longe da perfeição em qualquer tema da minha vida. Falho demais e mesmo velho, parece que nunca aprendo com os tais erros. Ou melhor, cometo erros novos. Uma permanência (termo que adoro da História) na minha vida..

Eu nunca seria um Jordan na quadra. Ele foi perfeito na quadra, no entanto, de verdade, ainda mais em tempos como esse no qual parte do Brasil abraça Darth Vader querendo vencer uma pandemia pelo cansaço, aquele papo de “republicano também compra tênis”… puta que pariu… Como caiu mal aquilo no meu estômago.Caramba, Jordan, eu posso agir assim como um mortal mundano qualquer. Eu sou um ser de erros. Mas você? Eu sei que não tenho direito de exigir de um ídolo uma perfeição que não existe. Jordan é um ser humano. Como eu, como você… Mesmo assim…

Você já leu meus textos? Da uma olhada aqui na visão desse fotografo, historiador e escritor.

Desde 2007, acompanho Lebron James… longe, perto, ao vivo na TV ou gravado, nos melhores momentos, no Instagram, no Cleveland, em Miami, no Lakers, cansei de falar para os meus alunos basqueteiros, que onde o Lebron for, eu vou atrás. “Ele também roubou meu coração”, como diria Rômulo Mendonça.

Comparar atletas de épocas diferentes, ainda mais num esporte que evoluiu tanto nas últimas décadas (e Jordan é um dos grandes responsáveis por isso), não é justo com nenhuma das partes. Inclusive, a história de Lebron ainda está sendo escrita. Mas, lamento, tenho que dizer… Lebron é o maior de todos… maior de todos porque todas as vezes que as convulsões sociais explodiram nos Estados Unidos, lá estava ele, encarando de fato, se expondo de fato. Lebron saiu da quadra, não se calou. Para horror da Fox News que disse que ele tinha que ficar quieto jogando basquete. Claro, não foi Lebron o único atleta a levantar bandeira contra o racismo, a brigar mesmo… O que me chama atenção, no entanto, nessa singela análise sobre um ídolo, é que Lebron não precisava dizer nada como Jordan não disse anos atrás. Ficasse apenas na quadra jogando e vendendo tênis. Ele já é um dos maiores da história, “não precisava comprar briga com ninguém”…

Ídolos não são perfeitos. Lebron não é perfeito, falhou como nós falhamos, você lembra o que diziam dele sobre como “amarelava” nos playoffs antes do título no Miami? E suas camisas queimadas quando deixou o Cavaliers na primeira vez? Mas na hora que se precisou, ele escolheu um lado e, me desculpe, era o lado certo… sem se importar com quantos tênis deixaria de vender… MJ tem seis anéis. Lebron, três. Quatro, quem sabe, num futuro próximo. Lebron derrubou técnicos? Provavelmente. Mas na causa certa que deve ser defendida, ele estava presente…

Ídolos falham…

Sim, eu sei que Michael Jordan doou milhões de dólares na luta contra o racismo na última semana. Que bom, nunca é tarde pra aprendermos… nunca é tarde…

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