Campeões, All-Stars, famosos mundialmente. Os Heatles cumpriram a promessa e levaram o troféu à Flórida. O amor ao time aumentava, a venda de camisas aumentava, o burburinho ao redor do time aumentava. Fãs celebravam e já faziam planos para o campeonato seguinte, com todo o incentivo dos jogadores. Os Heatles experimentaram a glória e queriam mais.

Sucessos do Heatles – ALL YOU NEED IS HEAT

Algumas coisas mudaram de uma temporada para a outra. A dúvida que pairava sobre o Big-3 não mais existia, eles haviam se provado; a “Heat Culture” era mais forte que nunca no espírito do time e dos fãs. No entanto, para continuar no topo alguns nomes foram excluídos e outros foram chamados, entre eles o daquele que mais tarde seria um dos heróis do título: Ray Allen.

O Miami Heat iniciou a temporada da melhor forma possível: nos 3 primeiros meses venceu 21 de 29 jogos e em março teve um recorde de mais vitórias em um mês: 17-1. Também obteve uma sequência de 27 vitórias na temporada, a terceira maior sequência da história da NBA. Não era tarefa difícil apontar quem seria o líder de conferência e favorito ao título.

Os Heatles alimentaram esse favoritismo ao varrer o Milwaukee Bucks no primeiro round dos playoffs. Em seguida, derrotaram o Chicago Bulls em 5 jogos, com grande atuação do trio e do banco. Nas finais de conferência enfrentaram o Indiana Pacers com um pouco mais de dificuldade, em 7 jogos.

Nas Finais de 2013 o Big-3 de Miami enfrentaria um trio mais experiente: Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker. Cercados de jovens promissores como Danny Green e um certo Kawhi Leonard, e sob o comando de Greg Popovich, o San Antonio Spurs não seria um oponente fraco. E não foi.

O Spurs venceu o jogo 1 com 4 pontos de diferença. O diferencial veio no último quarto, quando o Spurs marcou 23 pontos e segurou o Miami em apenas 16. D. Wade e Chris Bosh, que fizeram um bom jogo, não conseguiram fazer nada no último período; LeBron James conseguiu um triplo-duplo, mas não conseguiu impedir a derrota, selada por um arremesso clutch de Tony Parker.

O jogo 2 foi disputado até o segundo tempo, com grande atuação do perímetro e 5 jogadores pontuando em 2 dígitos: James, Wade, Bosh, Chalmers e Allen. O Heat tomou conta do jogo após o icônico block na tentativa de dunk do brasileiro Tiago Splitter no 4Q, vencendo por 103-84.

Na foto, Tiago Splitter sendo bloqueado pelo LeBron James em partida do Miami Heat contra o San Antonio Spurs. MIAMI HEATLES: O trio que mudou o jogo – parte 2 - Área Restritiva
Foto: Getty images/NBAE

Se no jogo 2 o Miami venceu por 19 pontos de diferença com ajuda do perímetro, o Spurs estava decidido a dar o troco no jogo 3. Foi a pior derrota do Heat em playoffs: 26 pontos atrás, perdeu o 4Q com o placar de 35-14 e recebeu uma clínica de 3 pontos de Gary Neal e Danny Green – os dois combinaram pra 13-19 em bolas de 3 e 51 pontos no total.

O jogo 4 foi uma demonstração de força do big-3 do Heat fora de casa. O trio combinou para 85 pontos (Bosh ainda pegou 13 rebotes), se sobressaindo no último quarto do jogo e empatando a série em 2-2.

No jogo 5 novamente uma tomada de liderança. O San Antonio comandou do início ao fim, com ótimas performances do trio texano (Ginóbili e Duncan terminaram com duplo-duplo) e Danny Green. Nem os esforços de Wade e LeBron, combinando para 50 pontos, foram suficientes para reverter o placar.

THE HEADBAND GAME

Cotado como um dos maiores jogos da história da NBA, o jogo 6 fez por merecer o posto. Com a casa cheia, o Miami perseguia o Spurs no placar durante o jogo inteiro, mas no último quarto uma remontada foi guiada por LeBron James. O rei, que havia marcado apenas 14 pontos nos 3 primeiros quartos, já havia marcado 10 nos primeiros 5 minutos do último período; LeBron ainda deu um toco fenomenal em Tim Duncan (que, aliás, não pontuou depois do 3ºQ) que serviu para inflamar ainda mais o time e a torcida da Flórida.

Outro lance que serviu como “gasolina” para o jogo foi a bola de 3 de Mike Miller; o Heat ainda estava 7 pontos atrás no placar e tinha a posse de bola, mas Miller não tinha um tênis. Ele recebeu o passe de James e capitalizou mesmo assim, com um pé descalço. Pouco depois LeBron, em uma enterrada, perdeu a headband, a famosa testeira que era uma de suas marcas registradas, e continuou o resto do jogo sem ela. Por isso, alguns chamam de “the headband game”.

O último minuto de jogo foi desesperador. Tony Parker fez duas cestas consecutivas e a vantagem do Spurs era de 2 pontos. Com pouco mais de 30 segundos no relógio LeBron perdeu a bola para Tim Duncan e Ray Allen foi obrigado a fazer uma falta em Manu Ginóbili. Manu marcou os 2 lances-livres e não demorou muito para tentar novamente. LeBron mais uma vez perdeu a bola e mais uma vez Manu foi para a linha, dessa vez acertando apenas 1. No entanto, o Spurs tinha agora 5 pontos de vantagem e 28.2 segundos no relógio.

Foi então que LeBron decidiu tentar novamente. No primeiro arremesso do perímetro ele errou, mas depois de uma briga pelo rebote, Miller deu a ele mais uma chance e dessa vez ele não perdeu: mais 3 pontos para o Miami. 20.1 segundos no relógio. Popovich pediu seu último timeout.

A bola voltou a rolar e, então, mais uma falta para o Spurs, dessa vez o jovem Kawhi Leonard arremessa. Ele errou o primeiro e a torcida do Miami gritou, aliviada, eufórica. Leonard acertou o segundo, obrigando o Heat a fazer uma cesta de 3 pontos nos 19.4 segundos restantes para levar o jogo para a prorrogação. Era tudo que eles precisavam.

Mais uma vez a bola do jogo foi para LeBron James, mas dessa vez ele errou. Bosh brigou pelo rebote e encontrou Ray Allen no corner. Em uma fração de segundo Tony Parker já estava em cima de Allen; nessa fração de segundo a torcida no American Airlines Arena – e no resto do mundo – segurou o fôlego; James até pediu a bola e estava livre numa melhor posição para arremessar, mas Ray Allen era um shooter e “shooters gotta shoot”. O resto é história. BANG!

Na foto, o momento em que o Ray Allen estava arremessando em partida do Miami Heat nas finais da NBA contra o San Antonio Spurs. Na foto, momento da partida entre Miami Heat e San Antonio Spurs onde LeBron James está sendo marcado pelo Kawhi Leonard. MIAMI HEATLES: O trio que mudou o jogo – parte 2 - Área Restritiva
Foto: Getty Images/NBAE

Jogo empatado, 5 segundos para acabar. Parker ainda tentou um último arremesso, mas esse era um jogo histórico, é claro que cabia uma prorrogação. Novamente Ray Allen e Chris Bosh – a âncora defensiva do Heat – foram fundamentais. O Heat liderava, 101-100, e para segurar a vantagem contou primeiro com um toco de Allen e, depois, faltando 32 segundos, com outro toco de Bosh; nas duas vezes a vítima foi Tony Parker.

Num penúltimo esforço, San Antonio tentou infiltrar com Ginóbili, mas, muito bem marcado por Ray Allen, Manu perdeu a bola. O Spurs foi obrigado a fazer a falta e enviou o melhor arremessador da história para a linha de lance-livre faltando 1.9 segundo para acabar o jogo e Allen não perdeu. 103-100. A última posse era de San Antonio e a jogada foi desenhada para Danny Green tentar fazer o mesmo que Ray Allen havia feito pouco antes, mas Chris Bosh não permitiu: com um toco violento, o pivô sacramentou a vitória do Miami Heat.

THE BALLAD OF WADE AND LEBRON

O jogo 7 seguiu o mesmo script dos anteriores, não tão dramático quanto o jogo 6, mas ainda assim emocionante. Foi uma partida disputada com unhas e dentes e o Heat precisou de uma apresentação soberba de Wade e LeBron – e Battier – já que Bosh e Allen não conseguiam pontuar. O Miami só conseguiu colocar uma leve vantagem no último quarto e, mesmo assim, apenas 6 pontos de diferença. No último minuto o Heat se fechou e induziu dois erros seguidos de Ginóbili para segurar a vitória em 95-88. LeBron terminou a partida com um duplo-duplo (37 pt. e 12 rbt.), assim como Wade (23 pt. e 10 rbt.).

O Miami Heat era o campeão da NBA pelo segundo ano consecutivo, LeBron James era o MVP da temporada regular e das Finais pelo segundo ano consecutivo. Os Heatles estavam novamente no topo do mundo.

Miami Heatles – YESTERDAY

Tudo que é bom, um dia acaba; assim diz o ditado e assim aconteceu com o Big-3 que talvez seja o maior já formado na história da NBA.

O último ano do grupo não foi diferente dos anteriores: fez partidas absurdas que enchiam os olhos dos fãs, quebrou recordes, terminou a temporada entre os primeiros da conferência e foi às Finais destruindo tudo o que ficava em seu caminho. Mas, da mesma forma que perderam as Finais de 2011 e deram o troco em 2012 contra o Dallas Mavericks, o San Antonio Spurs perdeu 2013 e se vingou do Heat em 2014.

Com um estilo de jogo mais voltado para o grupo e um elenco mais profundo do que o de Miami, o Spurs de Popovich era um dos times mais divertidos de ver. Kawhi Leonard, que na época tinha 22 anos, se tornou o terceiro jogador mais jovem a receber o prêmio de MVP das Finais, fazendo uma das melhores séries de sua vida nos dois lados da quadra. O time texano impediu o three-peat do Heat, concluindo a série em 4-1.

Na foto, momento da partida entre Miami Heat e San Antonio Spurs onde LeBron James está sendo marcado pelo Kawhi Leonard. MIAMI HEATLES: O trio que mudou o jogo – parte 2 - Área Restritiva
Foto: Bob Donnan/USA TODAY Sports

E foi assim que o Big-3 terminou. Em 4 Finais, subiu ao pódio 2 vezes. Foi All-Star, All-Defensive, 1st Team, 2nd Team, MVP e tudo o que se tem direito. Um time histórico, com alguns absolutos Hall of Famers e que mudou a forma como o mundo vê e joga basquete. O trio poderia continuar unido e tentar outra vez? Talvez. Mas a força maior dentre os três decidiu voltar para casa: LeBron James assinou com o Cleveland por pouco mais de 42 milhões/2 anos e diminuiu consideravelmente as chances de Miami continuar indo às Finais. Ray Allen também se aposentou ao final da temporada, deixando Bosh e Wade em South Beach.

Uma história gloriosa, sem dúvida, que os fãs do Heat – e de todos os outros times – vão contar ao longo dos anos e um legado para as gerações futuras de jogadores e jogadoras que amam o basquete.

Na foto, LeBron James, Dwayne Wade e Chris Bosh, comemorando a conquista de um dos títulos do Miami Heat, Eles estão sentados no chão do vestiário com garrafas de champagne e charutos posando para a foto em um momento bem descontraído. MIAMI HEATLES: O trio que mudou o jogo – parte 2 - Área Restritiva
Foto: Andrew Innerarity / Reuters

Muito obrigada, Heatles.

Leia a parte um do texto sobre o Miami Heatles! A NBA que me marcou: Heatles, o trio que mudou o jogo.

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