Um breve resumo de como foi a curta passagem do rapper Master P, que foi do Hip-Hop para a NBA

Antes do começo da temporada 1998-99 da NBA, Michael Jordan havia se aposentado, a liga saia de um lockout feito pelos jogadores e temia-se que a popularidade do esporte caísse novamente, vide anos 70 até o surgimento da rivalidade entre Magic e Bird. Foi nesse contexto que o Charlotte Hornets decidiu ousar ao oferecer um contrato ao rapper de 31 anos Master P, algo inédito na história do basquete.

Quem é Master P?

Foto: Divulgação.

Percy Robert Miller, popularmente conhecido como Master P, é um rapper e produtor musical que ganhou notoriedade no final dos anos 90, mais precisamente em 1997 quando lançou o single “Make ‘Em Say Uhh!” pela sua própria gravadora No Limit Forever Records, fundada em 1991.

Master P também era um grande amigo de Tupac Shakur, chegando a abrir os seus shows. Ao longo da sua carreira artística ganhou prêmios como o American Music Award de Artista Favorito de Rap/Hip-Hop em 1999, e atuou em diversos filmes como o “Gone in 60 Seconds” com Nicholas Cage e Angelina Jolie, no ano de 2000. Contudo, o fato mais curioso de sua vida foi a sua passagem pela NBA.

Como foi a passagem de Master P pela NBA?

Foto: Ron Turenne/NBAE via Getty Images.

Agora que Master P foi devidamente apresentado, vamos retomar a introdução desta matéria. O Charlotte Hornets – assim como a NBA em geral – precisava de um jogador que trouxesse público, e conseguiu. Em sua estreia na pré-temporada, eram esperados 8 mil espectadores para o jogo. Antes mesmo do jogo começar, os fãs fizeram fila para ver o rapper e obrigaram o Hornets a abrir os portões 20 minutos mais cedo. Resultado: foram 15.371 torcedores para assistir a um jogo de pré-temporada.

Na partida, o rapper foi anunciado como Percy Miller, vestiu a camisa de número 15 e em 16 minutos marcou 9 pontos (três acertos em seis tentativas), distribuiu 4 assistências, pegou 2 rebotes e perdeu a posse de bola uma única vez. Nada mal para um artista, mas não foi o suficiente para que o Hornets renovasse o seu contrato para a temporada regular.

Entretanto, em uma nova oportunidade e numa nova franquia – desta vez o Toronto Raptors era o time da vez – para a pré-temporada de 1999-00, e Master P pode jogar mais uma partida. Porém, os seus 8 pontos não foram suficientes para impressionar a franquia canadense que também optou por não renovar com o astro.

Por que Master P não se firmou?

Embora tenha começado a jogar basquete com 5 anos de idade, Percy passou inúmeros anos dedicados a sua carreira artística e não a carreira esportiva. Segundo seus companheiros e ex-treinadores, Master P tinha certo talento e um bom físico, porém não no nível de um atleta da NBA. Mesmo tendo manuseio, e arremessando bem, faltava explosão e velocidade para que ele pudesse jogar como armador (1,93 de altura), especialmente na defesa.

Além das questões físicas, Master P também não possuía experiência profissional dentro de quadra e carecia de fundamentos técnicos. Ele poderia ser lapidado, mas exigiria tempo e nenhuma franquia da NBA estaria disposta a pegar um jogador tão “cru”. De todo modo, tratava-se de um artista musical, e só o fato de ter conseguido pontuar em dois jogos da NBA é um feito e tanto, ainda mais aos 31 anos de idade.

O amor pelo basquete

Foto: Jonathan Bachman/NBAE via Getty Images.

Mesmo com as portas da NBA se fechando, sua paixão pelo basquete falou mais alto, e Master P continuou jogando basquete por outras ligas nos anos seguintes. Jogou pelo Fort Wayne Fury pela Continental Basketball Association (CBA) durante os anos 90. Entre 1999 e 2001 atuou pelo San Diego Stingrays da International Basketball League e em 2004 jogou em dois times da ABA: Las Vegas Rattlers e Long Beach Jam.

Em 2008 voltou para a NBA, mas desta vez para participar do Jogo das Celebridades, em New Orleans – sua cidade natal. Aproveitou a oportunidade para dar o seu cartão de visitas a liga, marcando 17 pontos e sendo um dos destaques da partida. Participou novamente em 2017, novamente em New Orleans, e enfrentando ninguém menos do que Oscar Schmidt.

Atualmente tem uma equipe na AAU (Amateur Athletic Union) chamada P Miller Ballers que viaja ao redor do país em diversos eventos. Além disso, também tem treinando outro rapper que, segundo ele próprio, quer seguir os seus passos na NBA – estamos falando de J. Cole!

Essa é a breve história de Percy que é um dos inúmeros exemplos de que a NBA, e o Hip-Hop, andam lado a lado na cultura norte-americana. Quem sabe eu possa voltar aqui, daqui a alguns anos, para falar sobre a passagem do J. Cole pela NBA. Além das letras, mais um rapper pode reescrever essa história dentro das quadras.

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