O trocadilho do nome de Kemp com Legalize Hemp (maconha) fez a festa da torcida em Seattle, mas qual o impacto disso?

E, o meu último artigo inspirado no The Last Dance é sobre uma estrela de um dos times mais amado de toda a história da ABA-NBA: Shawn Kemp e o Seattle SuperSonics. No entanto, diferente de Dennis Rodman e Charles Barkley, o que me chamou atenção para escrever foi uma frase vista em um jogo das finais de 1996 e que dá o nome do post: Legalize Kemp. A placa do fã dos Sonics me deixou bem curiosa para saber o que de fato aquilo significava. Por isso, fiz uma pesquisa e conversei com meu amigo do @SonicsBr, Jonatan Carlos, e cá estou.

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O texto de hoje, porém, não é sobre um jogador e suas habilidades, mas sim sobre seu comportamento e sua influência. Shawn Kemp viu no Seattle SuperSonics e na torcida um ambiente acolhedor e perfeito para ele. Isso, então, gerou uma onda de influências e inspirações na massa supersônica que cresceu na década de 1990. Aquele time era a cara e o coração da massa popular que consumia NBA, mesmo tendo Chicago Bulls e Los Angeles Lakers para acompanhar. Time do povo? Quem sabe. Havia um jogador que roubava a cena pra si em meio aos colegas mais famosos? Sim. Era positivo? Talvez.

Em meio a questionamentos em relação a posicionamentos de atletas, levando em conta o próprio Michael Jordan que não falava nada, é interessante destacar o envolvimento de jogadores com as drogas. Esse assunto tem seus “a favor” e “contras” e eu estou aqui apenas para levantar a questão.

Dica de playlist: This is Planet Hemp.

SHAWN KEMP

Shawn Kemp nasceu em 26 de novembro de 1969, em Elkhart, Indiana. Ele estudou na Concord High School e foi o quinto jogador a ser draftado direto do colegial para a NBA, sem ir para a faculdade. Em 1989, o Seattle SuperSonics o escolheu na 17ª posição na primeira rodada do Draft. Logo de cara, ele estabeleceu uma grande identificação com a torcida, o que fez dele um dos principais jogadores da equipe. Mais tarde, em 1997, ele foi trocado para o Cleveland Cavaliers, para o Portland Trail Blazers em 2000, e encerrou sua carreira no Orlando Magic em 2002.

SEATTLE SUPERSONICS

Conversando com meu amigo Jonatan Carlos do @SonicsBr por e-mail e por WhatsApp, ele descreveu o momento vivido pelos Sonics nos anos 1990 de forma cronológica, para explicar como era a relação da equipe com a torcida naquela época. Em total êxtase com Gary Payton, Sam Perkins, Shawn Kemp, etc., os torcedores da época quase viram a equipe chegar às finais da NBA jogando o fino pronta para bater o Michael Jordan. No entanto, perderam as finais de conferência para o Phoenix Suns por 4×3 em 1993. Sobre a temporada de 1994, Jonatan destacou que aquele Sonics era O time depois do Chicago Bulls, porém deslizou diante do Denver Nuggets na primeira rodada dos playoffs. O mesmo ocorreu em 1995. Um detalhe importante é o local onde a equipe mandava seus jogos, pois em todos esses anos jogou no Tacoma Dome, pois a KeyArena estava reformando.

Quando Jonatan fala de 1996, ele explica que tanto Payton quanto Kemp estavam sem psicológico devido às últimas derrotas em playoffs. Um pouco mais tarde, então, a KeyArena foi finalizada e com ela ressurgiu o Seattle SuperSonics que todos esperavam. Aí chegaram as finais contra o Bulls de Jordan. O embate entre as equipes foi uma coisa de doido, muito competitivo e nervoso, como minha fonte conta. Um dos detalhes mais legais que fiquei sabendo foi sobre o Jogo 4 das finais, onde foi possível sentir a essência dos Sonics e perceber como eles chegaram até aquele momento. Apesar dessa garra, o Bulls venceu por 4×2 a série e levou o título.

NBA E DROGAS – LEGALIZE KEMP

Shawn Kemp não foi o primeiro admirador de maconha (ou drogas no geral), tampouco será o último. E, sim, sempre será polêmico mesmo que o consumo seja totalmente legalizado. Entre os anos 1990 e 2000, uma onda de protestos para legalização da erva tomou conta dos Estados Unidos. Isso explica porque tantos atletas se envolveram com drogas e apoiaram, de certa forma.

Entre os mais famosos da época estão Kareem Abdul Jabbar, que em 1998 foi pego com maconha no aeroporto de Toronto. Em, 2000, então, ele foi preso por dirigir sob efeito da droga. Dennis Rodman, como bem sabemos, teve diversos vícios ao longo da carreira, sendo um deles as drogas. Apesar disso, ele só procurou ajuda em 2008 e teve muitos problemas de adaptação na clínica de reabilitação. Um pouco mais tarde, Corie Blount se aposentou da NBA em 2004 e foi preso em 2008 por porte de maconha. Como exemplo de outras drogas temos Jalen Rose, preso em 2011 por dirigir embriagado.

Dados os exemplos, chegamos ao Legalize Kemp: Shawn e sua relação direta com a maconha.

LEGALIZE KEMP

A frase que estampava diversas placas e cartazes na Key Arena era um trocadilho com hemp (maconha) e o nome de Shawn Kemp. Na época das polêmicas, havia um movimento muito forte a favor da legalização da erva e a associação ao jogador dos Sonics fazia todo sentido. Também havia um outro trocadilho com um candidato à presidência dos EUA, Jack Kemp, mas isso é história para outro dia. Além de ser algo da cultura de Seattle, de acordo com Jonatan, sendo comum o cheiro de maconha pelos arredores do ginásio, para a torcida o jogo de Kemp era viciante. Apesar de suas habilidades, principalmente na questão das dunks, Shawn Kemp era sempre ligado às drogas mesmo.

Apesar dos trocadilhos e dos arredores de Seattle, o ápice de Shawn com as drogas foi quando ele foi para o Portland Trail Blazers em 2000. Naquela temporada, ele precisou largar tudo antes do término para iniciar um programa de reabilitação por abuso de cocaína. Em abril de 2005, ele e um amigo foram encontrados com cocaína e maconha, sendo que Kemp foi preso. Em julho de 2006, ele foi preso novamente por porte de maconha. E, por tudo isso, então, a famoso frase Legalize Kemp se espalhou.

POLÍTICA DE DROGAS NA NBA ATUAL

A NBA tem uma política muito forte em relação a drogas que alteram o desempenho dos atletas, de forma que isso se intensifica a cada ano. Esse debate dentro da liga se iniciou com David Stern em 2000 e agora segue com Adam Silver, de formas diferentes. Ao longo dos anos, aliás, o próprio Stern que era contra o uso de maconha, percebeu e entendeu porque alguns atletas utilizavam a erva e até recomendou que retirassem a droga do programa. De acordo com ele e com outros entusiastas, a droga serve para alívio de dores, presentes em toda a vida atlética, e outras situações medicinais. No entanto, após um escândalo envolvendo Dion Waiters, do Miami Heat, com chicletes de maconha, a liga divulgou um documento com suas políticas em relação ao uso de substâncias.

De uma forma geral, o Programa Antidrogas da NBA/NBPA proíbe o uso de drogas de abuso como, por exemplo, metanfetamina, MDMA, maconha, esteróides, drogas para melhorar o desempenho e agentes mascaradores (SPEDs) e diuréticos, entre outros. Esse programa visa a identificação dos consumidores dessas substâncias para diagnosticar e iniciar um tratamento de reabilitação, se constatado abuso de drogas. No informe, há a explicação do que é feito quando um atleta testa positivo em relação à maconha: aconselhamento para tratamento em primeiro momento; multa de 25 mil dólares em segundo momento; suspensão de 5 jogos ou mais longa se for testado três vezes ou mais.

Dion foi punido com multas em dinheiro e suspensão pelo consumo de droga, mas outros atletas tiveram destinos diferentes. Tyreke Evans, do Indiana Pacers, por exemplo, foi dispensado da NBA após violar as regras de uso de drogas. O mesmo aconteceu em 2016 com O.J. Mayo, do Milwaukee Bucks. Neste link, a NBA divulga todos os atletas punidos pelo uso dessas substâncias.

A INFLUÊNCIA DE ATLETAS NA SOCIEDADE

Tendo, finalmente, em vista todo o conteúdo reunido aqui e pegando o gancho da querida Alana Ambrosio sobre “jogadores que querem jogar fora de quadra”, chamo atenção para o tipo de ativismo totalmente benéfico e humanizado. Contextualizando minha fala: a legalização de maconha é um dos principais debates das últimas décadas, em diversos locais, sendo um exemplo de permissão no Uruguai e de proibição aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, apesar dos eventos como a febre dos Sonics e de Shawn/Rodman nos anos 90 e 2000, nem todos os estados permitem o uso.

Ao mesmo tempo, vemos astros como LeBron James, Dwyane Wade e Karl-Anthony Towns se posicionarem em debates raciais, de gênero e outras causas sociais, como tem acontecido após o assassinato de George Floyd por um policial branco. Na internet, LeBron e outros compartilharam petições por justiça, fizeram doações, entre outras atividades para conscientização em relação ao racismo. Já Karl-Anthony Towns esteve em um protesto em Minnesota ao lado de Stephen Jackson, mostrando sua posição e respeito, mesmo ainda se recuperando da morte de sua mãe em março por Covid-19.

Essas atitudes implicam uma onda de influências infinitamente positivas para os fãs. Essa onda, portanto, traz consigo reclamações, indignação, denúncia, possibilidade de mudança para que a violência e o ódio não sejam predominantes. Infelizmente, a humanidade longe de acabar com todo o preconceito do mundo, mas só de ter essas pessoas como inspiração, como fonte de informação e de coragem, já é um passo para alcançar o máximo de adeptos possível. É nisso que devemos nos apegar.

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