A NBA “superou” o Covid-19, mas não superou o racismo e esse problema é ainda maior

Nesse momento todo mundo já ouviu falar da bolha da NBA, realmente eles estão chamando a segunda metade da temporada 2019/20 de NBA Bubble, teoricamente a NBA conseguiu superar o problema coronavírus, é só colocar todo mundo em um mesmo lugar por 4 meses sem sair e pronto. Mas sempre vai aparecer um problema novo em algum momento.

Esse problema é justamente aquele caso isolado, mais um caso isolado, o caso isolado de número 2354634534516793… (se é que existe uma contagem oficial para isso), as manifestações que estão acontecendo nos Estados Unidos e que repercutiram no mundo em algum momento iriam respingar na NBA.

Diversos jogadores da NBA estão envolvidos com as manifestações, já contamos para vocês do Malcolm Brogdon, JR Smith e existem mais diversos nomes, Shawn Kemp foi ativista e LeBron James usa seu nome como plataforma para ações nos EUA.

Leia também, Basquete, Coturnos e Canetas, essa série de textos trás histórias de ativismo dos jogadores nos EUA.

Kyrie Baba e os 80 jogadores da NBA

Kyrie Irving (ou Kyrie Baba, o trocadilho ficou bom não?!) é um dos vice-presidentes da associação de jogadores da NBA e se você está se perguntando nesse momento como ele conseguiu isso, você talvez esteja com o hate sobre o Uncle Drew, mas vamos deixar para falar sobre em uma outra oportunidade, okay? Mas porque essa informação? Justamente pelos 80 jogadores da NBA.

Nos últimos dias, circulou na internet uma reunião que não se sabe se era secreta ou não, mas uma reunião liderada por Kyrie Irving com diversos atletas da NBA e da WNBA. O número exato não foi divulgado, mas a CBS fala de pouco mais de 80 atletas das duas ligas, a ESPN fala em 100 atletas da NBA, mas é um número grande.

Na foto, Kyrie Irving segurando uma bola de Basquete no dia do Media Day do Brooklyn Nets, ele está segurando a bola com a mão esquerda a frente do corpo e apontando com o dedo indicador para a frente. Kyrie x LeBron? Atletas da NBA Rachados? Entenda! - Área Restritiva
Kyrie Irving organizou uma reunião para discutir uma possível paralização dos jogadores nesse momento. Foto: Divulgação/NBAE

O tópico dessa reunião era discutir uma possível paralisação, dos jogadores que se recusariam a jogar na NBA Bubble. Porém, até esse momento ninguém sabe dizer quantos atletas vão aderir a essa paralisação, mas alguns como Avery Bradley e Dwight Howard já se manifestaram a favor de não jogarem.

A CNN tem acompanhando os protestos nos EUA e publicou uma declaração de Dwight Howard que diz “sem Basquetebol até as coisas se resolverem”, na declaração o pivô do LA Lakers ainda diz que apoia Kyrie, por mais que ele queira um título da NBA, “nesse momento Basquetebol ou entretenimento são distrações para causas importantes e qualquer distração para a população nesse momento vai enfraquecer o movimento criado”.

Existem outros nomes que apoiam Kyrie Irving, mas até então se forem 100 jogadores da NBA que participaram da reunião e todos apoiaram, são 100 jogadores de 450 (pelos rosters da NBA) ou 469 (contratos ativos).

Fique por dentro do que está acontecendo no mundo do Basquete, temos uma sessão para o que acontece no mundo.

LeBron James. A maior voz da NBA está calada?

Na outra ponta das conversas temos LeBron James, uma das vozes mais poderosas da atualidade. Ele não participou da reunião e aparentemente está calado, não é? Sinto lhe informar, mas você também é hater do King James.

LeBron James, entende o poder de seu posicionamento mais do que ninguém e ele faz um excelente uso disso (leia o texto da Jessica para entender do que estamos falando). Atualmente o LeBron James faz parte de um grupo de atletas que criaram um fundo para apoiar o movimento #BlackLivesMatter.

Porém quanto a jogar LeBron James já havia dito que iria, antes mesmo das reuniões ou dos atos que aconteceram depois da morte de George Floyd e não mudou seu discurso até então, inclusive Patrick Beverley publicou em seu Twitter “… se LeBron James diz que joga todos nós jogamos, nada pessoal, só negócios…”

Garrett Temple, do Brooklyn Nets, conversou com a Malika Andrews da ESPN Norte Americana. Segundo o jogador ele não pode falar para um jogador deixar de ganhar seus salários por conta dos movimentos que estão acontecendo, o jogador afirma não ver resultado direto nessas ações.

Outra passagem da entrevista é muito parecida com a do Chris Paul no Podcast The Jump, para CP3, voltar nesse momento não é algo relacionado a valores financeiros, pelo menos não para os jogadores que já tem carreira consolidada ou contratos seguros, mas sim para aqueles jogadores que estão por um contrato ou talvez esse seja seu ultimo, eles sustentam família e ainda tem os funcionários envolvidos que recebem por jogo ou evento.

Na foto, LeBron James durante o Media Day do Los Angeles Lakers, o jogador está de lado olhando para baixo, com uma feição de pensativo. Kyrie x LeBron? Atletas da NBA Rachados? Entenda! - Área Restritiva
LeBron James está calado ou está agindo? Foto: Divulgação/NBAE

Também nesse final de semana em paralelo com a reunião de Kyrie, existem boatos de que jogadores se reuniram para discutir a doação de salários para ações de combate ao racismo, equidade e para votos populares negros nos Estados Unidos.

O discurso de Temple ainda vai de encontro com as ações de LeBron James e outros atletas da NBA e da WNBA, jogar essa temporada seria uma maneira de contribuir para o movimento, os jogadores podem doar o dinheiro para financiar as campanhas e ações dos movimentos afro-americanos.

Ei! Já leu a última sobre a NBA?! Da uma olhada aqui! Separamos o melhor da NBA para você.

Os dois lados da história colocam os jogadores divididos e fora dos protestos

Agora que vocês conhecem os dois lados da história, vamos às conclusões começando com: quem está errado?

Se, nesse momento, você escolheu um lado, talvez você esteja errado e não eles. Porque não tem lado certo ou errado, mas uma causa com diferentes formas de lutar por ela. O racismo existe, para se ter uma ideia, nos últimos dias encontraram pessoas pretas enforcadas em árvores nos EUA.

O problema dos posicionamentos dos jogadores é que não existe um posicionamento concreto. O Kyrie Irving falar que é a favor de pararem, okay! Ele é o VP da associação de jogadores, mas ele já não ia jogar os playoffs, então, não faz diferença. 80-100 jogadores não jogarem faria muita diferença.

Temple falar da doação de salários, okay! É uma excelente ideia os salários da NBA para o fim da temporada chegam a uma quantia aproximada a 1,2bi de dólares. Mas até aqui ninguém se pronunciou de doar os salários integralmente.

Mas existem dois grandes problemas aqui: o primeiro deles, que vai dividir gente, é a questão dos protestos. Como já falamos por aqui e no YouTube, existe um número grande de personalidades da NBA marchando pelos EUA, ir para a NBA Bubble iria tirar esses atletas das ruas, mas eles ganham em tempo de exposição na TV. A maior liga de Basquetebol Profissional do mundo vai ter recordes de audiência sem sombra de dúvidas.

O segundo desses problemas é essa polarização da NBA e sabe quem ganha? Os executivos da liga, porque a imagem dos jogadores vai ficar desgastada com essa coisa de Team LeBron e Team Kyrie e isso vai virar arma para os executivos renegociarem salários na próxima convenção, eles já tem a diminuição de ganhos que o mundo vai passar e a polarização de opiniões não vai ajudar em nada.

Na foto, LeBron James abraça Kyrie Irving enquanto ele ainda jogava no Boston Celtics. Kyrie x LeBron? Atletas da NBA Rachados? Entenda! - Área Restritiva
Você já ouviu aquelas falas de filmes de guerra que dizem que primeiro tem que dividir para depois conquistar? Então, nesse momento os jogadores estão divididos, esse é o problema. Foto: Michael Dwyer/Associated Press

Os jogadores têm que se unir, escolher um lado e realmente agir, enquanto tiver o “eu acho que deveriam parar”, “eu acho que deveriam doar salários”, “eu acho que deveriam continuar nas ruas”, a única certeza vai ser a de movimentos enfraquecidos no mundo todo, por influência do enfraquecimento dos movimentos nos Estados Unidos.

No Brasil não é tão diferente, se formos listar aqui a quantidade de casos isolados talvez você perceba que não são tão isolados assim.

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