Há uma mudança no jogo diante dos nossos olhos, mas ninguém quer ver

Alguns atletas são pouco lembrados nas discussões em torno dos melhores ou piores da NBA. Alguns são lembrados, mas subestimados, sempre colocados abaixo de nomes constantes nos holofotes. É o caso do Karl-Anthony Towns, um pivô de 24 anos, sabotado por uma mídia que gosta de confusão.

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Não é novidade que times menores basicamente não tem impacto nesse tipo de conversa, e talvez seja por isso que as pessoas muitas vezes não conhecem seus atletas. Mas estar em um time pequeno não significa ter um rendimento ruim. Pelo contrário, temos Devin Booker, Kelly Oubre Jr, D’Angelo Russell, entre outras peças, para provar que isso é mentira. Nisso, se encaixa o melhor jogador da classe de 2015 de rookies e eu te conto o por quê.

KARL-ANTHONY TOWNS

Karl-Anthony Towns nasceu em 15 de novembro de 1995 em Metuchen, Nova Jersey. Filho de Jackie Towns, descanse em poder, e Karl Towns Sr., ele sempre esteve envolvido com o basquete, pois seu pai jogou pela Monmouth University. Com 2.11 metros de altura e 112.5 kg, KAT atua como pivô. Ele possui ascendência dominicana, o que o permite defender as cores da seleção de basquete da República Dominicana desde os 16 anos.

HIGH-SCHOOL E COLLEGE

Towns começou a jogar na St. Joseph High School, onde passou a integrar o The Falcons, time da instituição, onde teve um grande impacto. Em 2012, ele ajudou a equipe a vencer o campeonato estadual e, com isso, figurou no topo da lista dos 25 melhores jovens da ESPN daquele ano. Nos anos seguintes, ele ganharia mais três estaduais.

Posteriormente, KAT foi para uma das faculdades que mais revela para a NBA: a Kentucky University. Por lá, ele atuou em 39 jogos e teve 10.3 pontos, 6.7 rebotes e 2.3 tocos. Apesar do período curto, ele ajudou a equipe a conquistar 38 vitórias seguidas antes de ser derrotada no Final Four da NCAA pelo Winsconsin. Entre seus recordes e atuações memoráveis está o dia em que ele marcou um quadruplo-duplo com 16 pontos, 17 rebotes, 11 tocos e 11 assistências em 06 de janeiro de 2013. Ele repetiria o feito em 05 de janeiro de 2014 quando anotou 20 pontos, 14 rebotes, 12 tocos e 10 assistências.

NBA

Karl-Anthony Towns foi escolhido na primeira posição do Draft de 2015 da NBA pelo Minnesota Timberwolves. Em sua temporada de rookie, teve 18.3 pontos, 10.5 rebotes, duas assistências e 1.7 tocos. Seu aproveitamento nos arremessos de quadra foi de 54.2%, sendo que o de três foi de 34.1%. Dessa forma, ele foi eleito o rookie of the year. Mais tarde, em 2017-18, ele foi All-Star pela primeira vez e integrou o terceiro time All-NBA. Na temporada seguinte, a presença no All-Star se repetiu. Em cinco temporadas na NBA, Towns tem médias de duplo-duplo em todas (22.7 pontos e 11.8 rebotes de média).

Em 2018, Towns ajudou o Timberwolves a obter um recorde de 47 vitórias e 35 derrotas. Com o número e, após derrotar o Denver Nuggets no último jogo daquela temporada, ele chegou aos playoffs pela primeira vez na carreira. Foi também a primeira vez que o time figurou na pós-temporada desde 2003-04. Apesar de médias de 15.2 pontos, 13.4 rebotes e 2.2 assistências, KAT e seus colegas foram eliminados na primeira rodada pelo Houston Rockets por 4 a 1.

Diante do Nuggets, ele anotou 26 pontos e 14 rebotes.

Antes de sofrer um leve acidente de carro em fevereiro de 2019, KAT não havia perdido um jogo de basquete sequer desde o high-school. Na NBA, o número era de 246 jogos, sendo titular em todos. Na temporada seguinte (a atual), ele jogou apenas 35 partidas por conta de uma lesão no ombro e devido a paralisação por Covid-19.

CARACTERÍSTICAS

Uma das principais dúvidas e críticas a respeito de Karl-Anthony Towns é a sua defesa. Muito do que se fala dele tem um pouco de senso comum, apontado por alguém que gosta de arrumar confusão em vestiários. Mas, antes de mais nada, é necessário observar cenários. Aqui, então, falamos sobre quão errado a gestão do Minnesota Timberwolves trabalhou a equipe desde o Draft de Towns. Escolhê-lo foi uma ideia para iniciar um rebuild intenso, para não só desenvolver o pivô, mas fazer o time evoluir. Porém, as limitações de elenco forçaram o jogador a desempenhar funções que não eram pra ele.

Em termos defensivos, Karl-Anthony Towns melhorou de considerável entre o primeiro e o terceiro ano de NBA. Com um sistema tecnicamente melhor, ele evoluiu de forma absurda nos anos seguintes. Atletas como Kriztaps Porzings, também de 2015, são constantemente postos em comparação com ele. No entanto, é necessário dizer que individualmente falando, KAT tem algumas características que o diferem dos outros grandalhões. Com uma melhor noção de espaço, trabalho com os pés e com segurança na infiltração, ele é um exímio criador de situações. Seja com Andrew Wiggins no passado, seja com D’Angelo Russell atualmente, Towns sempre vai desafogar e contribuir com a armação de jogadas. Ele não se limita.

BOLAS DE TRÊS

Além de tudo isso, KAT tem algo que o difere dos grandes pivôs da NBA. Desde sua entrada na liga, o índice de bolas de três só melhorou. De 34% em 2016 ele subiu para 40% com 2.11 de altura em 2019. Em 2018, por exemplo, esse aproveitamento rendeu uma estatística histórica. Ele se tornou-se o segundo jogador na história da NBA a ter médias de 20 pontos e 10 rebotes por jogo, chutando 50% dos arremessos de quadra e 40% da linha de 3 pontos.

A diferença em ser um pivô chutador o coloca em uma ideia muito interessante sobre aspectos do jogo atualmente. Acostumamos-nos a ver Stephen Curry, por exemplo, mas é interessante ver um big men chutando tão bem enquanto a história é feita. Além disso, Towns transformou isso em uma característica bastante pessoal, algo impactante. Suas características podem ser lidas de diversas maneiras, mas a que melhor se encaixa, definitivamente, é a que mostra que o basquete é um lugar para todos e para vários.

MORE THAN AN ATHLETE

A transformação de Karl-Anthony Towns não se dá apenas em quadra. Desde pequeno, como revelou seu pai recentemente, ele sempre se interessou por ajudar as pessoas. Na escola, por exemplo, firmou uma campanha para ajudar um colega. Vivendo em uma família de classe média com duas irmãs, ele foi criado com muita disciplina, respeito e orientação para seguir os sonhos. É por isso, então, que o observamos se envolver inteiramente com a comunidade de Minnesota.

Em 2017, KAT esteve envolvido em conversas com os Timberwolves sobre o assassinato de Philando Castille, em Minnesota. Na época, pontuou a necessidade em falar sobre isso e explicou a diferença entre ser uma pessoa negra comum e uma famosa: “Se eu não estivesse na NBA, seria eu?”. Em 2019, mostrou apoio a Colin Kaepernick, desempregado desde que foi boicotado pela NFL após protestos contra violência policial em 2016.

Em 2020, antes de uma fatalidade acontecer com sua mãe, ele doou cerca de 100 mil dólares para a Mayo Clinic, patrocinador dos Wolves, para desenvolver pesquisas em torno do Covid-19. Depois disso, esteve nos protestos contra o assassinato de George Floyd, em abril, além de constantemente usar sua voz para falar sobre injustiças sociais. E, ele não precisava fazer isso.

Karl-Anthony Towns é apenas um trabalhador tentando tornar o mundo um lugar melhor. Seus posicionamentos inspiram outros caras jovens a usar sua voz e sua carreira para lutar contra injustiças, algo que atinge a maioria na NBA. Ao mesmo tempo, ele tenta mudar o jogo, abrindo espaço para as variações, sem medo. Ele é um futuro ídolo, assim, fora dos holofotes.

“Eu não sou um cara que está procurando atenção da mídia e coisas assim.”

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