De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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  Na foto, Diego Silver, técnico do Arremesso Inicial do Corinthians em uma ação que aconteceu no ginásio Wlamir Marques. Ele está dentro de quadra com uma bola de Basquete debaixo do braço direito, olhando para dentro da quadra. No momento da foto ele está com o unifome de técnico do Corinthians, Camiseta a calça azul escuro com o logo do corinthians do lado esquerdo do peito e o logo da nike do lado direito. Iai professor meu filho é bom? As experiências do Coach Silver - Área Restritiva

Estava pensando nisso a um certo tempo já, porque não trazer mais uma vez para o Área Restritiva, as experiências do Coach Silver, não o Silver que vem aqui falar de Basquete Brasileiro e Basquete no Mundo, mas falar do que o técnico de Basquetebol enxerga do banco de reservas ou da beirada da quadra durante os treinos, essas são as Experiências do Coach Silver.

Bom, antes de começar com o nosso assunto desse primeiro texto, deixa eu explicar o que eu quero nessa publicação. Eu espero que ela sirva de plano de fundo para o que é a Área em que atuo, eu não vou poupar nada, nem ninguém aqui, é um espaço meu para eu falar o que eu quero, como já fiz em outras oportunidades, sendo polêmicas ou não esse é um espaço meu e eu não criei o Área para fazer amigos, eu criei o Área para dar voz ao Basquetebol, então que essa voz seja ouvida.

Então começando hoje, vou começar com a pergunta que eu mais escuto e a mais difícil de se responder, ou melhor, a pergunta que não merece uma resposta, “iai professor, meu filho é bom?”

Na foto, Diego Silver, técnico do Arremesso Inicial do Corinthians em uma ação que aconteceu no ginásio Wlamir Marques. Ele está dentro de quadra com uma bola de Basquete debaixo do braço direito, olhando para dentro da quadra. No momento da foto ele está com o unifome de técnico do Corinthians, Camiseta a calça azul escuro com o logo do corinthians do lado esquerdo do peito e o logo da nike do lado direito. Iai professor meu filho é bom? As experiências do Coach Silver - Área Restritiva
Bom, para quem não me conhece eu sou professor de educação física, especialista em pedagogia do esporte e mestre em ciências.
Atuo com iniciação esportiva, treinos personalizados para atletas de Basquetebol e Desporto Universitário, o grande objetivo dessa série de textos é falar sobre minhas experiências como técnico.
Foto: Ale da Costa/Portrait

Toda vez que eu escuto isso eu me lembro de um discurso da Ale Minati e se você não conhece a Ale Minati convido vocês a ouvirem ela falando sobre o trabalho dela e um pouco sobre essa cobrança sobre o resultado do filho(a) em um vídeo aqui no canal do Área, bom segue o link.

No discurso citado, ela faz um comparativo da quadra de Basquetebol com a sala de aula, do clube com a escola e é algo bem interessante de se fazer algo que eu já fiz em alguns vídeos onde eu falo sobre as famosas peneiras e que você pode encontrar aqui e aqui.

Quando você mãe, pai e/ou responsável vai matricular seus filho(a) em uma escola, você vai lá conhece a escola, o método de ensino, conversa com algum professor e a coordenação da escola, fica sabendo sobre tudo e pronto, se gostaram da escola, matriculam o filho(a) e “esquecem” a criança na escola, ou o processo se repete até encontrarem uma escola que agradem a todos.

Quando você mãe, pai e/ou responsável vai matricular seus filho(a) em uma escola de esportes ou escolinha de Basquete em um clube, o processo é bem parecido, vocês vão lá, conhecem o local, o material utilizado, os professores, a coordenação, as vezes fazem a aula teste e depois disso caso a mãe, pai e/ou responsável estejam de acordo com o local, sua filosofia e normas, fazem a matrícula ou então todo o processo se repete até encontrarem um local que agradem a todos.

Okay! Mas onde eu quero chegar?!

Na primeira semana ou mês, com a criança frequentando normalmente a escola. Os pais ou responsáveis, ficam contentes com a mudança de postura, com as cobranças e a rigidez do método, a criança mostra algumas dúvidas quanto as tarefas a serem feitas, pedem ajudas para os pais ou para qualquer pessoa mais velha, essa em alguns momentos vai ter que recorrer os lugares mais escondidos da memória para relembrar de como resolver aquelas equações e problemas, mas até ai tudo bem.

Na primeira semana ou mês, com a criança frequentando normalmente a escola de esportes, os pais ou responsáveis, ficam todos empolgados com a criança que já quer o tênis de um jogador da NBA, quer ir para o parque bater bola, afinal todo técnico fala que o aluno precisa jogar para se desenvolver e um lindo dia o pais ou responsáveis chegam na aula de Basquete ou até pode ser de outro esporte e pergunta para o professor “iai meu filho é bom?!”

Eu geralmente respondo não sei, mas sei que ele é uma criança e precisa aprender muita coisa, mas se é bom eu não sei.

Ou talvez responda, toda criança é boa. Mas agora escrevendo esse texto eu estou pensando que eu vou responder para o próximo “não, seu filho(a), não é bom”, porque eu quero ver qual vai ser a reação do adulto ao ver isso acontecer.

Pasmem isso é mais frequente do que vocês podem imaginar, comigo já aconteceu o seguinte diálogo.

Um dia da semana qualquer, chegou um casal de pais com uma criança de 12 anos para fazer uma aula teste, já tinha passado do horário para a turma dele e eles pediram para ele fazer a aula teste junto dos mais velhos, cerca de 50 minutos depois os pais voltam, param do meu lado da quadra durante o treino e começamos a conversar.

  • Oi Professor!
  • Oi! Tudo bem?
  • Tudo sim! Professor, eu queria saber como ele foi
  • Foi bem, se divertiu, mas acompanhar essa turma com garotos de 13, 14 e 15 anos é um pouco complicado, mas ele foi bem, interagiu bem com a aula.
  • Legal, mas professor acho que você não me entendeu. Eu quero saber como ele foi, ele leva jeito?
  • Oi?!
  • É professor, nós queremos saber se ele vai virar jogador, ele vai? Ele leva jeito?
  • Risos! Então, não tem como eu responder isso para vocês.
  • Como assim? Ele não fez a aula teste, você não consegue responder?
  • Não eu não consigo, eu posso dizer que ele tem dificuldades como qualquer criança que nunca jogou basquete na vida e que se mostra muito esforçado, além de que ele tem uma coordenação membros superiores e inferiores e uma série de outras coisas bem interessantes para a prática esportiva, além de ser grande o que é uma vantagem nessa faixa-etária.
  • Tá! Mas sabe o que é?! Ele nunca se interessou por nada, dai a uns meses atrás nós fizemos uma viagem para os Estados Unidos e assistimos um jogo da NBA, então queremos saber se ele leva jeito, se conseguiria jogar na NBA.

Iai meu filho(a) é bom?! Quando ele chega na NBA? Parem com isso!!!

A fala da Ale Minati, ela indaga os pais: Quando vocês colocam seus filhos na escola, vocês voltam lá e pergunta se eles vão ganhar o prêmio Nobel? Então porque no Basquete vocês querem saber se eles vão virar jogadores?

Se você está se perguntando agora se é normal ou não, bom eu vou deixar vocês com esse momento de reflexão e deixar um dado aqui abaixo.

-Malala Yousafzai, é a pessoa mais nova a ganhar um prêmio Nobel, com 17 anos, antes dela o William Lawrence Bragg com 25 anos;

-Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente entre os 15 e 16 anos;

-Lim Ding Wen inventou um programa chamado Doodle Kids, que nada mais é que um aplicativo para o desenho de formas geométricas de cores aleatórias, ele programou o app com 9 anos;

-O jovem indiano Shalendra é um dos mais jovens senão o mais jovem a conseguir o título de bacharel em aplicaçòes para computadores, pela Universidade de Lucknow;

-A pessoa mais jovem a conseguir a certificação em tecnologia da informação pela microsoft tem 8 anos de idade;

-Você já pensou que uma pedra do tamanho de uma bolinha de gude pode destruir um trem de pouso de um avião, provavelmente não. Não fique preocupado, Daryn Murray não só pensou nisso como inventou um dispositivo para detectar fragmentos em pistas de decolagem e pouso e ele só tinha 12 anos quando inventou o dispositivo;

  • Brittany Wegner desenvolveu um software capaz de detectar câncer de mama, ela fez isso aos 17 anos e ganhou o prêmio Google Science Fair de 2012 além de ter sido eleita pela revista Time como uma das 30 pessoas abaixo dos 30 anos capazes de mudar o mundo;
  • Aidan Dwyer descobriu através da sequência de Fibonacci que existem espécies de árvores que se movem para receber mais raios solares e ele desenvolveu um novo tipo de painel solar que chega a ser 30% mais eficiente na capitação de energia solar.

Bom eu poderia trazer mais alguns casos como o garoto de 14 anos que desenvolveu uma prótese e foi parar na Nasa ou o rapaz que com 16 anos desenvolveu um mecanismo para comunicação de dentro de cavernas, mas tudo isso só vai servir para te mostrar que ao invés de cobrar por prêmios e resultados nos esportes, talvez você deva repensar o quanto você cobra o técnico e espera do seu filho ou filha no Basquete.

Enfim, deixo a reflexão para vocês nesse momento e lavem bem as mãos.

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SOBRE O AUTOR Diego Andrade, mais conhecido como Diego Silver. Professor de Educação Física. Pai, viciado em coisas de Nerd e é claro entusiasta do Basquetebol. Ex-Aluno do Bi-Campeão Mundial Rosa Branca, quando o mesmo era servidor do SESC Consolação. CONHECER TODO TIME
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