De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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  Na foto, Janeth Hortência e Paula, segurando a medalha de ouro da Copa do Mundo de 1994, elas estão segurando a medalha levantando a medalha a altura do rosto, as três estão usando bonés. Hortência, Paula e Janeth: Mulheres símbolos de inspiração - Área Restritiva

Diariamente, mulheres ao redor do mundo, enfrentam obstáculos pelo simples fato de serem mulheres. Com a ideia preconcebida de “sexo frágil” a mulher conquistou  seu espaço no meio esportivo, e não há data melhor para destacar o feito do que neste 8 de março, celebrado o Dia Internacional da Mulher. O mundo dos esportes cedeu espaço a mulher, antes território masculino.

Essa conquista não foi fácil. Provavelmente, deve ter escutado ou você mulher que esteja lendo esse texto vivencia (ou viveu) na pele a frase: “esporte não é coisa de mulher”. Frase repugnante e absurda, que infelizmente, ainda é proclamada por alguns, inclusive por mulheres. Esse ato ocorre desde a Grécia Antiga, onde acreditava-se que as mulheres ficariam masculinizadas com exercícios, além de não terem condições físicas para a prática de esportes. Inclusive, proibidas de assistir os jogos olímpicos, se fossem flagradas observando eram condenadas à pena de morte. A elas restou o “direito” de dedicarem-se à vida doméstica e serem mães dos campeões gregos, que eram considerados heróis e tinham direito a grandes honras e privilégios.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),  a prática de exercícios físicos por mulheres no país é 40% inferior aos homens. O preconceito, a falta de incentivo nas escolas, a falta de segurança, apontam que o esporte no Brasil não tem o mesmo acesso por meninos e meninas. Para terem uma ideia, as mulheres passaram a ter direito de participar de todas as modalidades olímpicas apenas em 2012. 

Atualmente, o cenário esportivo é um pouco diferente, mas não chegamos ao ideal respeito igualitário. E é  importante registrar para que ninguém se iluda com a ideia de uma evolução natural da sociedade, todos estes avanços foram frutos de reivindicação por igualdade. Graças às mulheres que lutaram e lutam para quebrar barreiras, e ampliar a participação feminina nos esportes. 

No basquete nacional feminino, a história da mulher no basquete começou a três décadas atrás por Hortência Marcari, Magic Paula e Janeth Arcain. Não há dúvidas que esse trio, da geração de ouro, marcou a história de mulheres iniciantes no basquete, de atletas, de torcedoras, do presente e futuro do basquete feminino. 

As atletas marcaram toda uma geração.

O primeiro resultado de destaque mundial aconteceu em 1971 no mundial do Brasil, quando a seleção brasileira feminina  conquistou a medalha de bronze, ficando atrás apenas da Tchecoslováquia e da campeã União Soviética.

Em 1994 o Big Three conquistou o primeiro lugar no mundial da Austrália, batendo, inclusive, a grande potência na modalidade: os Estados Unidos. Na final dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, a honrosa medalha de prata, pois as norte-americanas pisaram  na quadra dispostas a darem o troco.

Outras láureas de destaque são os três ouros em Jogos Pan-Americanos, três em Copas Américas Femininas de Basquetebol, dois em campeonatos do Pré-Olímpico das Américas e os 25 títulos sul-americanos conquistados pela equipe, tornando o Brasil o maior vencedor de todos os tempos do torneio.

A União faz a força 

Hortência, Paula e Janeth marcou história no basquete feminino, isso é incontestável. E como a própria Rainha Hortência disse;  Não adianta planejar, treinar, ter estratégia e tática de jogo se a equipe não estiver unida “

O impacto e união das jogadoras, resultou nas conquistas passadas e futuras. Com personalidades fortes e marcantes, liderança própria e confiança do grupo. O big three obteve grandes proezas, com um trabalho em equipe impecável também, uma equipe amadurecida,  comprometida e unida . 

Big three de ouro 

Hortência a melhor jogadora da história dos mundiais, em quadra exibia grande potencial de ataque, participação determinante na defesa, além da plena liderança dentro e fora da quadra. Sua concentração e a energia com que ela se apresentava na quadra eram suas características mais marcante, o que ajuda a explicar sua belíssima história de sucesso, superação e trabalho árduo.

Na foto, Janeth Hortência e Paula, segurando a medalha de ouro da Copa do Mundo de 1994, elas estão segurando a medalha levantando a medalha a altura do rosto, as três estão usando bonés. Hortência, Paula e Janeth: Mulheres símbolos de inspiração - Área Restritiva
Cestinha do Brasil com 221 pontos, a rainha Hortência foi eleita MVP do Mundial de 94.
Foto: Divulgação/ CBB

Ela elevou o nível da modalidade feminina e responsável por levar um grande público aos ginásios nos anos 90, especialmente, por conta da sua rivalidade dentro de quadra com a talentosa parceira de seleção Paula. Seu desempenho a tornou reconhecida como uma das maiores atletas de basquete de todos os tempos, detentora de 127 partidas oficiais pela seleção brasileira e 3.160 pontos.  

Hortência mostrou as atletas também a possibilidade de ser mulher, atleta e mãe. Em 1996, mãe de seu primeiro filho João Victor, e menos de seis meses depois guiava a seleção feminina a conquista da primeira medalha olímpica. Lembrando que Hortência não previa jogar a Olimpíada de Atlanta, anunciou o fechamento de sua carreira meses antes, assumindo o cargo de dirigente da seleção brasileira feminina na Confederação Brasileira de Basketball (CBB). Porém, Magrela ainda tinha história para realizar na seleção. Hoje representa uma mulher empreendedora, vitalidade e energia do tempo como jogadora são usadas no seu trabalho como comentarista da TV Globo e palestrante motivacional. 

Vê vídeos da Hortência e como arrepia. Gosto desse tipo de motivação. Grande ícone do basquete feminino, a garra, a determinação em suas expressões e jogo  é muito contagiante, arrepia – Joice Rodrigues, mãe e atleta do Ituano Basquete 

Maria Paula, sem dúvidas, a melhor jogadora de todos os tempos do basquete brasileiro, acompanhada da memorável Hortência. O apelido de Mágica não veio à toa, encantava a todos com seus passes impressionantes e cestas desconcertantes, boa leitura de jogo, precisão nos passes e liderança. 

Sua genialidade e criatividade dentro das quadras, lhe rendeu o carinhoso apelido de Magic, alusão ao grande astro norte-americano Magic Johnson. Paula escreveu seu nome na história do basquete feminino atuando pelo Brasil, atuou 95% da sua carreira pela seleção.

Na foto, Magic Paula jogando pela seleção brasileira, ela está com o uniforme amarelo do Brasil, com sua tradicional testeira branca, driblando a bola com a mão esquerda e olhando para o lado direito. Hortência, Paula e Janeth: Mulheres símbolos de inspiração - Área Restritiva
Magic Paula, no mundial de 94.
Foto: Divulgação/CBB

Paula, deixou as quadras em 2000, mas continua marcando história. Relevante ao cenário do basquete feminino, segue trabalhando em prol da modalidade. O Instituto Passe de Mágica, associação civil sem fins lucrativos, criado pela Magic há 16 anos tem por missão “promover a prática do esporte para o desenvolvimento humano com ética, excelência e coragem”. 

Durante os anos de atuação, atendeu milhares de crianças e adolescentes. escrevendo junto a eles histórias inspiradoras de transformação. Hoje, Magic também luta pelo basquete feminino como integrante da comissão de Atletas da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA).

Nas diferentes gerações sempre aparece algumas pessoas que vem para fazer história, não só a pessoal, mas principalmente aquela capaz de operar mudanças e tornar significativas para tantos outros e é  assim que vejo a relação da Paula com o basquete feminino. Ela sempre foi referência dentro da equipe principalmente para as mais novas, com seu jeito sincero, sensível e disciplinado. Encurtava as distâncias, o que embora amávamos o seu jogo, não a ‘tietavamos’. Aprendemos a separar e tratar o gênio como algo natural, como ela gostava, jogar junto, treinar junto, rir e chorar junto. Ela nos deu identidade, formou a equipe e fortaleceu a amizade. Sempre preocupada que apesar das posições e/ou hierarquia à igualdade   acontecesse para todos em todos os níveis. Não a conhecia até chegar em Piracicaba, (na TV só passavam jogos do masculino e ainda assim eram raros), mas realmente jogar com ela era MÁGICO, ESPECIAL.” –  Neusinha Ribeiro, ex-jogadora da seleção brasileira de basquete e educadora do Instituto Passe de Mágica.

Janeth Arcain, inspiração para a menina que joga basquete e sonha com a WNBA. A jovem Janeth exibia garra, determinação,  ótima defesa, e boa finalização de média e curta distância em quadra. Uma das expoentes da seleção, sendo campeã mundial em 1994 e vencedora de duas medalhas olímpicas.

A primeira vez que ouvi falar da Janeth foi na quadra de basquete em que eu jogava aqui em Aracaju. Engraçado que a primeira coisa que diziam, eram que minha mecânica de arremesso era muito parecida com a dela. Sempre fiquei me perguntando quem era essa mulher, tendo em vista que raramente passava jogos de basquete feminino na TV. Ouvi aquilo por muito tempo, muito mesmo. Até que um dia, eu estava assistindo uma Olimpíada a qual não me recordo agora e lembro de assistir com o nariz colado na tela, só para ter a ideia de que poderia vê-la melhor. A primeira coisa que notei foi o arremesso, logo de cara, e pensei ‘O arremesso dela é infinitamente mais bonito e melhor que o meu, a comparação não faz jus’. Assisti aquele jogo com lágrimas nos olhos, e Janeth foi incrível .” – Ana Caroline, do podcast NBA das Minas

A paulistana tornou-se a referência e capitã da equipe brasileira após a aposentadoria de Hortência e Paula. Com o talento de Janeth, aliada à garra e juventude de outras atletas, o Brasil conquistou o bronze na Olimpíada de Sidney em 2000. Seu alto desempenho a fez entrar no centro do basquete mundial, Associação Nacional de Basquetebol Feminino (WNBA). Por lá, foram sete anos e quatro títulos, jogando pelo Houston Comets. Janeth foi tetracampeã da liga norte-americana (1997, 1998,1999 e 2000). A atleta foi a primeira brasileira a atuar em quadras americanas. 

Arcain é a terceira maior pontuadora da história da seleção, tendo anotado 2.247 pontos em 138 jogos oficiais, média de 16,3 pontos por jogo. 

Na foto, Janeth Arcain, durante a cerimonia do Hall da Fama Mundial do Basquete. Ela está segurando a placa de homenagem de frente do display da FIBA. Hortência, Paula e Janeth: símbolos de superação
Lance! Janeth Arcain entra para Hall da Fama do basquete.
Foto: Divulgação/FIBA

Fora da quadra, o seu Instituto Janeth Arcain é a maior cesta da vida da ex-atleta,  junção entre basquete e educação. Hoje, promove o basquete como fator de desenvolvimento humano tal como ferramenta transformadora da sociedade no exercício da cidadania. Além de projetos socioeducativos com temas ligados à  saúde, nutrição e alimentação saudável, inclusão e até uma iniciativa que oferece aulas de inglês gratuitas. 

O IJA atende mensalmente 700 crianças e jovens, de 7 a 17 anos. A pivô da seleção brasileira e Minnesota Lynx, da WNBA, Damiris Dantas  é uma das revelações do Centro de Formação Esportiva do Instituto Janeth Arcain.

Janeth começou a desenvolver seu lado social em 1997, quando atuava na WNBA, estudava como poderia replicar aquelas experiências em seu país. Em 17 anos de existência, o instituto estima que mais de 16 mil pessoas já foram beneficiadas com as ações, impactando de forma positiva comunidades, famílias e educandos por meio do esporte. 

Ela tinha uma leveza na quadra que a fazia voar e lembro de dizer a mim mesma por diversas vezes que queria jogar como ela. Nunca cheguei tão longe, Janeth sempre foi uma inspiração para mim no basquete e na vida também. Eu nunca tive acesso a tv a cabo para acompanhar os jogos, então as oportunidades que apareciam, fazia questão de não perder um jogo só para vê-la jogar, para observar a forma como ela fazia qualquer movimento e, assim, tentar imitar na quadra, não deu muito certo, mas seguimos (risos) ” – completa Carol

Sororidade

Hortência e Paula protagonizaram a maior e bela rivalidade, em que uma provocava superação  e desempenho na outra. Surgia uma amizade e conquistas para a glória da seleção brasileira, imprescindível para o crescimento de ambas como atleta. Janeth detentora do maior número de títulos na carreira dentre homens e mulheres e percursora na WNBA, vencendo-a quatro vezes consecutivas. completava o trio com sua juventude e fome de bola. 

Cada vez mais as mulheres conquista seus espaços em esportes predominantemente masculinos. No basquete, não é diferente. Neste 8 de março, que marca o Dia Internacional da Mulher, símbolo da luta histórica por igualdade entre gêneros, mostramos que por trás de  uma grande mulher, existe outra grande mulher. A cada geração Hortência, Paula e Janeth permanece como inspiração. 

O trio brasileiro, pontua  a importância das mulheres continuarem buscando seu espaço.  Incentivo à outras mulheres destacando que ninguém nasce campeã. Busca e luta por espaço, com contínuo  trabalho, preparação e capacitação para chegar lá. 

Afinal de contas, o lugar da mulher é onde ela bem quiser: jogando, comandando, apitando ou torcendo para o  crescimento do basquete.

Fazendo o que bem entender!

Na foto, Janeth Hortência e Paula, segurando a medalha de ouro da Copa do Mundo de 1994, elas estão segurando a medalha levantando a medalha a altura do rosto, as três estão usando bonés. Hortência, Paula e Janeth: Mulheres símbolos de inspiração - Área Restritiva
Janeth, Hortência e Paula mostram orgulhosas a medalha de ouro do Mundial de 94.
Foto: CBB/Divulgação

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SOBRE O AUTOR Olá pessoal! Sou a Graziela Cristina, mas podem me chamar de Grazi, estudante de Jornalismo e fascinada pelo Basquete e suas magias! Amo histórias, quero trazer à tona a paixão do torcedor, mostrar quem é o verdadeiro " sexto homem", a torcida. Então, vamos juntos nessa série?! CONHECER TODO TIME
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