Helinho trilha caminho de sucesso no basquete brasileiro como o pai Hélio Rubens 

Há pais e filhos que não se limitam a compartilhar a mesma aparência e o mesmo temperamento. Muitos deles transferem a ideia de herança própria da paternidade para o esporte, realçando que as semelhanças familiares podem ultrapassar a genética para se expressar de outra forma: pelo amor a uma mesma modalidade esportiva. 

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Neste Dia dos Pais, evidenciamos a relação paterna mais conhecida no basquete brasileiro, estamos falando de Hélio Rubens e seu filho Helinho Rubens. Uma paixão passada de pai para filho, que faz do basquete uma ferramenta para unir ainda mais a família. Essa é a relação construída entre o Hélio e Helinho Rubens, ou mais conhecidos como os Hélios. Helinho Rubens relembra com carinho de sua história no basquete que começou com o pai:

Meu pai sempre me deu livre arbítrio, eu nadei representando a cidade (de Franca) quando era moleque, joguei futebol e tênis. Mas com 15 anos eu decidi que queria ser jogador de basquete e meu pai me apoiou, ele sempre me apoiou nas minhas decisões, sempre mostrando o lado bom e ruim. Sempre me apoiou, e essa decisão sendo uma decisão muito bacana, ele me apoiou mais ainda. Tive grandes desafios, com 15 anos eu parecia um mascote perto dos meus companheiros da mesma idade, mas não teve nenhuma pressão para que eu jogasse basquete. Eu sempre tive muita pressão por outros, que consegui controlar com muito trabalho, serenidade, resiliência e acreditando exatamente nesse legado. Nos conceitos de vida e trabalho que meu pai sempre prezou, eu falo que nunca foi o ganhar ou perder, eu já sai de quadra depois de derrota e fui elogiado, e já sai de vitória e levei uma baita dura. Era com disciplina, comprometimento e obediência tática que aprendi o que sei hoje. E isso meu pai sempre deixou muito claro, é um legado que realmente eu vou carregar, e eu tenho certeza que esse legado serve para que eu possa enfrentar os diversos desafios que eu vou ter pela frente. Eu cresci ouvindo e vendo basquete, lembro muito bem dos jogos na época da Ravelli, por exemplo, eu tinha ali meus 13 anos. Agora algo que é muito legal quando eu era pequeno, qualquer época tinha isso, acabava os jogos eu, meu pai meus tios iam para casa do meu vô. Eles ficavam batendo papo, discutindo e falando do jogo por muito tempo, às vezes até as 3h30 ou 4h00 da manhã e eu ficava ouvindo tudo. Às vezes eu dava uma cochilada, mas o calor do que eles falavam fazia com que eu tivesse muita atenção naquilo que estavam sendo discutido.”

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Com seis títulos nacionais em sete decisões disputadas pelo Campeonato Brasileiro da CBB e mais duas Finais do NBB no currículo, Helinho teve cobranças no começo da carreira em Franca, devido o passado vitorioso do pai como jogador e treinador. Mas em quadra demonstrava o contrário a todos, sempre com o apoio incondicional de Hélio. 

Bom, no começo da minha carreira aqui em Franca, sempre tive uma expectativa, até uma cobrança maior, foi um momento de superação, de aprender a lidar com as cobranças. Depois no Vasco, eu já tinha ganhado uma credibilidade, na volta pra Franca também. E passou a ser muito prazeroso jogar, e nesse processo como me sinto um cara privilegiado de ter sido treinado pelo meu pai. Um técnico que sempre zelou pelos seus conceitos, eu realmente me sinto privilegiado. O famoso puxão de orelha rolava (risos), mas rolava igual para os outros também, não tinha problema nenhum nisso.

Em algumas conquistas como atleta, com a oportunidade de ser treinado pelo pai em Franca e Vasco trazem as melhores lembranças da época em quadra ao lado do treinador- pai.

Nós tivemos vários momentos especiais juntos, claro que os momentos de títulos ficam mais marcados na nossa memória. O título é a consagração de uma temporada de tudo que você passa nos treinos e jogos, de todo o esforço. Nós ganhamos cinco campeonatos brasileiros seguidos, três pelo Franca e dois pelo Vasco. Os momentos marcantes foram o título Pan-americano de Winnipeg em 99, os jogos Goodwill Games na Austrália, os dois mundiais que disputamos. Um nós ficamos em 10°, o outro em 8°. Sempre foi prazeroso, porque acompanhamos  o crescimento de ambos, e de uma geração que estava ganhando espaço. Então sempre tive momentos muito especiais ao lado do meu pai em quadra.”

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O filho, Helinho, adquiriu muita experiência em disputas de título durante os anos em que atuou como atleta, e sentia a vontade de continuar no basquete. Helinho, assumia o posto que o pai ocupou por 24 anos, ser técnico de basquete. 

Seguir a carreira de treinador para mim foi um processo de amadurecimento ao longo dos anos. Por eu jogar na posição de armador como meu pai jogou, e ele ter sido  técnico, muitos perguntavam: “E aí, vai ser técnico? Então fui amadurecendo a ideia e perguntei para o meu pai como é que era a função, se era difícil, e mais uma vez meu pai me motivou, ele falava: “Não, você tem um ótimo relacionamento, entende do jogo, tem boa leitura, tem percepção daquilo que tem que fazer”. Só que ser técnico envolve muitas outras fases, artimanhas e detalhes do jogo. Fui amadurecendo ao longo do tempo e quando eu terminei minha carreira, eu estava bem decidido que eu gostaria de ser técnico, de partir para essa nova profissão. Eu fiquei um ano no setor administrativo, e já no segundo ano eu acabei assumindo o comando do Sesi/Franca Basquete.”

Em seu primeiro ano, o ex-armador levou um time desacreditado ao terceiro lugar no Paulista e brigando por título no NBB. Tornou o primeiro da história a disputar as Finais do NBB como jogador e como técnico – foi finalista nas temporadas 2010/2011 (Franca) e 2012/2013 (Uberlândia).

Apesar de ouvir os conselhos do pai e tê-lo no ginásio nos jogos, Helinho demonstrou personalidade ao assumir o novo cargo, sem esquecer do estilo de defesa forte da família Rubens Garcia. 

Os conceitos que eu fui aprendendo durante a minha carreira com meu pai, procuro levar com bastante intensidade e clareza para os jogadores. É uma defesa forte, explorar o contra ataque dentro de regras claras, ter um sistema de jogo onde o jogador pode utilizar sua individualidade dentro desse sistema. É uma característica que eu peguei muito do meu pai né. O temperamento nosso é bem distinto (risos), ele é muito mais estilo italiano, porque nós somos descendentes de italianos. Mas eu procuro colocar de forma bem clara aquilo que eu quero para os jogadores, acredito que tanto eu quanto ele, temos um relacionamento bem aberto e coerente dentro daquilo que a gente gosta de realizar. Ele brinca comigo, fala que meu relacionamento é melhor como eu disse, mas eu acredito que não. Acredito que nós dois temos as nossas atitudes e defeitos, mas o mais importante é que procuramos seguir dentro da paixão que a gente tem pelo basquete, seguindo os conceitos que prezamos cada um da sua maneira.”

A relação de Hélio e Helinho é realmente muito próxima e especial, sempre está perto do filho. O pai viaja de vez em quando com a equipe de seu filho para acompanhá-lo, para dar conselhos a equipe e Helinho.

Os maiores conselhos que meu pai me deu, foi seguir seus conceitos. Fazendo com a maior intensidade possível meu trabalho, curtindo aquilo que a gente faz, acreditando que com fé em Deus e muito trabalho, as coisas vão acontecendo de forma natural. É um conselho muito mais de vida do que de quadra sabe, porque são conselhos que eu levo tanto dentro da quadra, como realmente fora dela.”

Pai e filho sempre estão próximos. Seja dentro ou fora de quadra, seja assuntos de basquete ou particularidades da vida familiar. A sintonia anda lado a lado, não apenas na aparência ou conceitos de vida de pai para filho. 

Eu e meu pai gostamos muito de fazer coisas parecidas. A gente adora assistir filmes policiais, passar o final de semana juntos na chácara do meu tio, fazer um churrasquinho, jogar um baralhinho também. Tem uma turma de amigos que toda segunda a gente joga pôquer juntos. Então, estamos sempre juntos curtindo vários momentos. Além de assistir os jogos de basquete, seja da NBA ou do NBB. Assistir os jogos juntos, a gente adora tudo isso.”

Com um jeito diferente do pai, mas com a mesma paixão e intensidade pelo basquete e principalmente por Franca, é evidente que o caminho de Helinho teve grande orientação do pai para trilhar seu caminho de vida e no basquete. Um grande amor paterno, que acendeu o amor pelo basquetebol por Helinho. O amor pelo basquete é transmitido de geração em geração na Família Rubens Garcia. 

“O que eu mais falo ao meu pai é sobre agradecimento. Agradecer pelos ensinamentos, pela vida que ele pôde me instruir a seguir dentro do basquete, dentro do estudo também, Agradece-lo por todos os ensinamentos, vivências e oportunidades que eu tive através de tudo aquilo que ele sempre prega. Agradecer e valorizar cada momento e ensinamento que a gente tenha a felicidade de vivermos juntos.”

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