Imagem: CrisVector

Vocês sabem de onde surgiu o arremesso de tipo Jump ou simplesmente o Jumpshot?! O Área Restritiva resolveu ir atrás e encontrou diversas histórias sobre a técnica de arremesso do Basquetebol. Que para alguns é muito simples, mas no geral como eu já ouvi diversos professores e técnicos explicando um Jump bem feito é uma das técnicas mais difíceis do Basquetebol.

Para quem não sabe o que é o arremesso tipo Jump, segundo Dante de Rose Jr. é o tipo de arremesso, onde o atleta finaliza o ato do arremesso em suspensão após um salto e como Sérgio Maroneze sempre explica o fato de ser uma das técnicas mais difíceis é o fato de que o Jump não simplesmente usa o salto, a bola deve ser liberada no ápice da fase ascendente do salto.

Entenderam?! Um Jump bem realizado é aquele que o atleta solta a bola, antes de começar a cair. Com isso dificultando muito os bloqueios, aumentando a força do arremesso e diminuindo o ângulo da parabola, o que por consequência aumenta a possibilidade de converter o arremesso.

Enfim, mas onde entram Glenn Roberts, Kenny Sailors e Wlamir Marques?!

Em uma pesquisa sobre o arremesso, podemos dizer que esses atletas são os pais do arremesso Jump. Sim isso mesmo e podemos porque não dizer que temos um brasileiro entre eles.

Começando por Glenn Roberts, ele foi um atleta norte americano. Ele que jogou pelo colégio Metodista Emory & Henry em Virginia, entre 1931 e 1935. Uma escola tradicional por tentar alinhar o ápice físico e intelectual da época e lá foi o primeiro contato de Glenn com uma quadra coberta, ele que estudou em uma escola com pouca estrutura e que devido as condições climáticas não favoráveis, não podia praticar Basquetebol sempre.

Existem alguns relatos como o que consta na página do Naismith Hall Of Fame onde ele conta que as vezes jogava Basquetebol sem poder driblar devido a chuva, o que transformava o chão em um lamaçal e desde de então ainda adolescente Glenn Roberts já começara a saltar para arremessar e/ou arremessar o mais alto que pudesse para pegar rebotes para evitar que a bola tocasse o chão.

“Nossa escola não tinha uma quadra de Basquetebol coberta. Mas por nossa ânsia por jogar, nós praticávamos em todos os tipos de clima. Algumas vezes inclusive estava muito enlameado para driblar e se mover efetivamente até porque jogávamos com qualquer tipo de calçado… Entretanto não deixávamos de jogar e recuperar uma bola após um arremesso era uma ação conjunta de muito esforço para prevenir que o arremesso fosse bloqueado.”, ambienta Roberts.

“Devido a combinação de fatores, foi preciso elaborar algo além do comum esforço e contar com pouco de sorte para converter um arremesso. Então começamos a saltar o mais alto que podíamos para recuperar a bola, fazer passes e tentar arremessos. Depois de um tempo passei a pontuar constantemente sem depender da sorte”, complementa com o que pode ser o primeiro relato sobre o Jumpshot da história.

O Pivô do Emory & Henry Wasps, jogou 104 partidas disputadas ele alcançou a marca de 19,4 pontos por partida, somando um total de 2013 pontos, na Liga Universitária e foi considerado um dos maiores jogadores da época.

Kenny Sailors veio da Universidade de Wyoming, jogando pelos Cowboys na década de 40. Uma época muito curiosa porque foi quando a II Guerra Mundial estava acontecendo, então em alguns momentos as universidades tinham que ceder seus atletas para as universidades.

Segundo o Blog Live College Brazil, Sailor é considerado um dos inventores do Jumpshot, a grande motivação diferente do seu predecessor, ele saltava para tirar a desvantagem de altura em relação ao seu irmão mais velho, a diferença de estatura era algo em torno de 30 centímetros.

Kenny Sailor é considerado um dos maiores jogadores da história de Wyoming, foi jogador profissional atuando na BBA (Basketball Association of America) e na NBA somando cinco temporadas como profissional. Passou por Cleveland Rebels, Chicago Stags, Philadelphia Warriors, Providence Steamrollers, Denver Nuggets, Boston Celtics e Baltimore Bullets, nesta ordem. Somou 276 jogos com médias de 12,6 pontos e 2,8 assistências por partida.

O Diabo Loiro, Wlamir Marques e o Jumpshot

Porque não trazer um pouco do legado do Wlamir Marques, que diferente dos dois jogadores citados anteriormente é brasileiro e é bicampeão mundial de Basquetebol, porém a história de Wlamir é mais contemporânea do que a de seus predecessores.

Wlamir tem 26 anos de carreira, atuou somente no Brasil defendendo o São Vicente – SP, XV de Piracicaba – SP, Corinthians – SP e Tênis Clube Campinas – SP, além de fazer parte da geração de ouro do Basquetebol Nacional.

Mas o porque de trazer a história do Wlamir, porque ele justamente ficou famoso pela sua tenacidade e explosão ao jogar, alguns relatos dizem que o Wlamir saltava cerca de um metro do chão para arremessar, até mesmo saltando próximo da linha do lance-livre para enterrar.

Como o próprio Wlamir explica sobre a sua convocação e titularidade na seleção brasileira de Basquetebol adulta, um dos detalhes são “Eu enterrava muito e tinha o Jumpshot”.

Bom, se fossemos montar uma árvore genealógica do Jumpshot, podemos colocar Glenn Roberts como o patriarca do Jump, porque ele começou tudo isso na década de 30 e até porque ele está no site do Hall da Fama do Basquetebol por esse feito, seguido de Kenny Sailor que surgiu na década de 40.

O Wlamir é aquele neto distante do Glenn Roberts, dentro dessa família. Mas não deixa de ter a sua importância dentro disso tudo afinal ele, junto com a seleção brasileira de sua época colocaram o Basquetebol Brasileiro em outro patamar e mostraram os brasileiros para o mundo, não é atoa que somos a unica Seleção de Basquetebol, que junto com a dos Estados Unidos participaram de todas as edições da Copa do Mundo de Basquetebol.

De qualquer forma três pontos importantes na questão da criação do arremesso tipo Jump, tem que ser colocados aqui.

-Naquela época não existia linha dos três pontos.

-Nenhum deles executavam a técnica para arremessar de longas distâncias, mas sim evitar serem bloqueados pelos adversário, por isso a idéia do Jump ia além de transferir a força aplicada pelos membros inferiores para os superiores e por sua vez para a bola.

-A mecânica do arremesso era diferente de hoje em dia, com o Wlamir já era um pouco mais parecida com o que é visto hoje em jogos de Basquetebol, mas ainda assim era diferente.

Sobre Glenn Roberts – Naismith Basketball Hall of Fame

Sobre Kenny Sailor – Live College Brazil