Um dia normal! Mais um negro perdeu a vida e o Basquete por George Floyd foi para a rua!

Mais um dia de isolamento e você está na sua casa tranquilo, afinal precisamos respeitar a quarentena. Não é férias, mas você pode ficar na sua casa jogando Call of Duty; não tem Basquete na TV, clubes e alguns parques estão fechados, mas você tem internet, videogame e tv. Não precisa sair para a rua, certo? Hoje foi o dia que você resolveu se alienar do mundo, quando de repente um amigo te liga.

Te convidamos hoje para acompanhar essa história de algo que poderia ser com você, mas não foi; foi com outro negro, mais um homem preto, mas fiquem tranquilos, poderia ser uma mulher também.

Mais um negro morreu, o que é de certa forma “normal”, afinal em diversos lugares do mundo existem planos enraizados na sociedade onde uma eugenia subliminar acontece, entre copos de leite e discursos inflamados, homens e mulheres pretos morrem, a justificativa, o tom da pele, o penteado e as vestimentas.

Mas o que o Call of Duty e o Basquete tem com isso?

Voltando à nossa história, na ligação você fica sabendo de tudo isso que explicamos, acessa os principais jornais do mundo (BBCGeoge Floyd Death Homicide… / CNNGeorge Floyd’s death was homicide) e todos falam sobre e encorajado pelo seu amigo você decide ir para a rua.

Era um dia que você tirou para você cansado de ver os problemas do mundo por conta do COVID-19 e decidiu ficar tranquilo, se desligar do mundo, ficar com o seu fonte jogando videogame, depois de você falar com seu amigo, você percebe barulhos de helicópteros e pessoas na região onde você fazendo protestos pacíficos e decide se unir a eles.

Naquele momento você como ser humano se enche de felicidade, porque está defendendo algo que é importante para a sua comunidade, mas ao chegar na sua casa, um bairro residencial, você vê um cara branco quebrando o vidro da sua pickup, do seu carro e você fica incrédulo com o que estava acontecendo.

Em alguns segundos aquela felicidade vira uma reflexão simples, eu sou o único preto no meu quarteirão, um dos poucos no meu bairro e aquele protesto que era pacífico estava acontecendo por aqui, justamente por isso, para incomodar os brancos.

É um bairro residencial não fazia sentido qualquer tipo de vandalismo, por mais que eles aconteçam e quando ocorrem são motivados pela raiva contra o sistema, você não é o sistema, seu carro financiado ou não, não é um grande banco, mas você é o único preto em algumas quadras em um bairro de branco, então o “problema” é você.

Naquele momento o problema passa a ser o que você representa, você representa um preto, que se deu bem na vida e conseguiu sair do gueto, comprou uma casa em um bairro legal e agora pode ficar em casa jogando videogame na quarentena, você é o preto preguiçoso, o preto que deveria estar trabalhando, o preto que deveria estar morrendo, você é mais um George Floyd.

No caso o preto em questão era o JR Smith, que mora em Los Angeles, o ex-jogador do Cleveland Cavaliers estava jogando Call of Duty, recebeu uma ligação do Jordan Clarkson, que o alertou da manifestação perto de sua casa e ele foi, quando voltou viu o seu carro se depredado por um homem branco, perseguiu o cara e como ele mesmo disse “sentou o cacete no cara”.

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Jogadores da NBA estão se pronunciando e o Basquete saiu das quadras

JR Smith não é o único jogador da NBA que saiu de casa durante o isolamento do coronavírus, Jaylen Brown, Enes Kanter, Malcolm Brogdon, Karl-Anthony Towns, Reggie Jackson e outros jogadores estão tomando as ruas, enquanto ainda tem aqueles como LeBron James, Dwayne Wade, Bradley Beal, o técnico do Golden State Warriors Steve Kerr e até o GM do Toronto Raptors Masai Ujiri estão se pronunciando.

Em um levantamento feito em 2015 pelo ativista Richard Lapchick, 74,4 porcento da NBA é de homens negros, uma arrasadora maioria. Um número que representa a quantidade pequena dentro dos EUA, já que o segundo o censo feito pelo governo dos EUA, o número de não brancos, não chega a 40%.

Mas o impacto dos atletas da NBA é tão grande que é impossível de ser quantificado, ainda mais na era digital onde eles se comunicam com o mundo inteiro sem sair de casa.

Leia o primeiro texto da série Basquete, Coturnos e Canetas, um série sobre o Basquete politizado e os conflitos dele.

Mas nesse momento você pode ser um JR Smith, que está inserido em um ambiente e não entende ou não percebeu o quão privilegiado você é e que por estar nesse ambiente você não é só mal visto como indesejado, afinal, você é o preto que saiu do gueto e foi morar em uma região diferente das suas raízes, não importa, você não é de lá e eles vão te lembrar disso.

Esperamos que também nesse momento você esteja se perguntando se é mesmo um JR Smith e que você esteja inclinado a sair de casa como ele, ou pelo menos, esteja inclinado a discutir esses problemas sociais como tantos outros que estão usando seu momento de fala para gerar discussões e senso crítico.

Porque no Brasil todo dia morre um George Floyd diferente e tem diversos outros George Floyd que andam com um mira nas costas.

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