De dentro para fora do Jogo, uma visão diferente de quem de alguma forma viveu O Basquete.
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Fala, pessoal!

E vamos para a PARTE 2 desse domingo de Esperia e Mackenzie. Dessa vez, pela categoria sub13.

O Mackenzie entra no jogo com uma campanha bem sólida, de apenas 1 derrota em 10 jogos (líder do grupo C). Do lado dos donos da casa, o Esperia ocupa a sexta colocação, com 3 vitórias e 8 derrotas.

Comparando essas campanhas, imagina-se que não sairia um jogo bom dali. Aí que você se engana, caro leitor. Esse foi um daquelas jogos que testa o coração dos pais.

Vamos lá!

1º quarto:

Esperia: Gustavo Mello, João Gabriel, Rodrigo, Gustavo Meira e Eric

Mackenzie: Kaue, Vinicius, Gabriel Marques, Leandro e Inácio

Logo de cara, o time do Esperia chama atenção pela altura (“onde será que esse departamento técnico acha tanto garoto alto?”) e pelos jogadores não serem tão fixos em suas posições.

Aliás, isso é algo bastante perceptível nas equipes do clube. Tive a oportunidade de conversar com o técnico da categoria sub15, AntônioPombo”, que me disse que o basquete do Esperia escolheu um padrão de jogo, que é o 4 abertos. E um exemplo disso, dessa mentalidade de um jogo aberto, se exemplifica com, por exemplo, Rodrigo.

O garoto é um ala alto, bastante forte e com muita habilidade. Abriu o placar do jogo com uma infiltração bastante atlética e também se virava muito bem quando caia no garrafão, seja na briga de rebote ou ganhar espaço.

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Ala do Esperia, Rodrigo, mostrou jogo de grande potencial físico.
Foto: arquivo pessoal

Essa vantagem física, permite que os donos da casa concentrem seu jogo no 1 contra 1, com bastante destaque para Rodrigo, como já citei, e Gustavo Mello (2o cestinha da equipe com 8ppj).

Pelo lado visitante, nota-se um jogo mais controlado, mas não monótono, sob o comando do armador Gabriel Marques. O camisa 8 consegue fazer boas infiltrações mas sabe o momento de passar e chamar as jogadas. Sem falar na defesa, que está sempre atento para cortar um passe.

Esse primeiro quarto foi muito equilabrado, com ambas equipes nervosas no início e sem tomar grandes riscos. Mas para fugir dessa rigidez, teve um lance que achei…hmm…não sei se engraçado é a palavra…talvez, momento swag da partida, protagonizado por Vini, camisa 7 do Mackenzie.

O ala foi muito bem no primeiro quarto (6 dos 12 pontos da equipe) e terminou a partida com 8, número acima de sua média até então (6 ppj). Mas o lance que achei curioso se deu quando acertou uma bola de três. O jogo estava pegado, com os jogadores nervosos, torcida gritando. Nesse momento, o mais normal é sair gritando e comemorando. O que ele fez? Simplesmente saiu andando e tirando o pó do uniforme.

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Vini, ala do Mackenzie, converte cesta de 3 como se fosse uma bandeja no treino.
Fonte: arquivo pessoal

Foi um momento tão constrastante com o ambiente da partida que precisei dividir com você, caro leitor.

Placar: Esperia 9 x 12 Mackenzie

 

2º quarto:

Esperia: Vitor, Arthur, Daniel Maltez, Marcos Vinícius e Jhonatan

Mackenzie: Lucas Henrique, Caldeira, Henrique, Kleber e Gustavo

Caro leitor, sabe qual o lado bom de ser um dos melhores jogadores do campeonato?

Sim, isso mesmo, o time te procura bastante, você pode fazer mais pontos e por aí vai.

Sabe qual o lado ruim? A mesma coisa, só que do lado do adversário. Ou seja, “vamos marcá-lo porque o time o procura bastante”, “cuidado que ele pode fazer muitos pontos”.

Pensa num jogador que foi caçado nessa partida. Mal a partida começou e Caldeira já recebia uma marcação box.

Mas o time parece estar acostumado com isso, e diversos bloqueios são feitos para que o ala/armador conseguisse receber a bola, seja para armar o ataque ou pontuar.

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Caldeira utilizando bloqueios para receber a bola.
Fonte: Michael Oliveira/Clicksports3

A defesa do Mackenzie melhora bastante e estava sempre chegando no seu marcador, deixando o homem da bola com pouca liberdade de criação. E para potencializar o bom momento, aplica uma pressão meia quadra, que é uma das características do time.

Um lance em especial marcou esse segundo quarto. Caldeira vinha sofrendo uma marcação bastante forte com muitas dobras e ajuda. Se a vida não estava fácil no ataque, não aliviou na defesa também. O time do Esperia exige fisicamente do Mackenzie e Caldeira acaba sentindo uma pancada a vai ao chão.

O time puxa o contra-ataque mas sem sucesso e os anfitriões voltam para a ofensiva. O camisa 6 do Mackenzie precisa se levantar rápido e se posiciona para receber o choque da falta de ataque. Lá vai ele ao solo novamente e ainda cometeu a falta. Precisou sair de quadra para se recuperar, mas foi muito legal ver sua disposição defensiva.

Sobre a marcação, falei com ele após a partida:

O Esperia defende muito bem, estou sentindo que nesses últimos jogos a defesa está mais forte, e meus companheiros estão ficando livre e estão fazendo a cesta, por isso esses resultados.

E isso é verdade. Tiveram momento que o jogador simplesmente subiu para o meio da quadra (junto com seu marcador exclusivo) e não participava do ataque. Mostra muita confiança em seus companheiros.

Daniel gruda em Caldeira na partida.
Fonte: Arquivo pessoal

No momento de sua saída, o Mackenzie lidera o placar com 18 x 12, restando 3min22s do segundo quarto.

O Esperia aproveita e logo faz 2 pontos. A defesa melhora bastante e faz com que os visitantes passem a ter dificuldades em rodar o ataque e acabam por cometer erros. E contra uma time tão atlético, erro é sinônimo de contra-ataque. Vitor faz 2 pontos de bandeja e traz a diferença para 2.

Esse final de quarto foi muito positivo para os anfitriões, mas poderia ter sido até melhor se não fossem os erros de passes – principalmente nas saídas de contra ataques. Não tenho essa estatística, mas acredito que os visitantes tenham interceptado por volta de 5-6 ligações.

Placar: Esperia 16 x 18 Mackenzie

 

3º quarto:

Esperia: Gustavo Meira, Gustavo Mello, João Gabriel, Rodrigo e Eric

Mackenzie: Jeanzinho, Leandro, Inácio, Kaue, Gabriel Marques e Kleber

Agora é hora de acelerar! Entra o catalisador de jogadas do Mackenzie: Jeanzinho.

Bom, imagino que esse era o plano, mas não foi bem assim. Jean é um armador muito rápido e com ótima visão. Fiz uma comparação dele com Yago, e me parece cada vez mais acertiva.

Uma jogada que ele busca fazer constantemente é, após recuperar a bola na defesa, já sair buscando um companheiro para ligar um contra-ataque, antes mesmo de chegar no meio da quadra. Porém, não foi nada fácil para ele encaixar essa estratégia.

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Jean lançando para companheiro no ataque.
Fonte: arquivo pessoal

O Esperia estava muito ligado nessa disparada do camisa 34 e fazia ótimas coberturas. O jogo ficou bastante concentrado no 5×5 dos dois times. E um jogador da casa em especial aproveitou bem esse modo de jogo: João Gabriel. O que jogou esse garoto não foi brincadeira! Fez infiltrações excelentes que, se não resultavam em pontos, colocavam-no no lance-livre (e ele é bom nisso), e vai abrindo o placar comandando o ataque, enquanto a defesa de todos em conjunto vão freiando o Mackenzie.

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João Gabriel (#61) comandou o terceiro quarto do Esperia.
Fonte: arquivo pessoal

Como forma de freiar a ótima sequência do adversário, o Mackenzie começa a pressionar quadra toda. Mas a defesa dos donos da casa dificulta bastante a recuperação da vantagem que vinha se abrindo.

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Pressão quadra toda do Mackenzia.
Fonte: Arquivo pessoal

O time visitante foi pontuar apenas com 3min35s, com uma belíssima assistência de Jean para o pivô.

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Jean faz bela infiltração para encontrar pivô.
Fonte: Arquivo pessoal

João Gabriel vai diminuindo seu ritmo ofensivo e os pontos passem a vir mais coletivamente.

Placar: Esperia 31 x 25 Mackenzie

 

4º quarto:

Esperia: Daniel Maltez, Vitor, Arthur, Rafael Ribeiro e Marcos Vinícius

Mackenzie: Jeanzinho, Lucas Henrique, Caldeira, Henrique e Gustavo

O último quarto começa acelerado, com bandejas de contra-ataque do lado do Esperia e jogadas de falta+cesta do outro.

As jogadas dos visitantes vão sendo mais frequentes e a diferença no placar vai diminuindo. A defesa funciona bem, pressionando o ataque, que forçava muitos passes balão. Aí, meu amigo, o Mackenzie não perdoa. Jeanzinho recuperou muitas bolas nessas coberturas.

Falei mais sobre coletivo desse último quarto, mas dois indivíduos brilharam nesses 10 minutos: Henrique (Mackenzie) e Daniel Maltez (Esperia).

Henrique simplesmente ligou o modo “sai da frente”. O ala/pivô recebia a bola na lateral e batia para dentro. Ninguém o parava. Aliás, paravam com falta – e olha que às vezes, nem com falta conseguiam,

O camisa 35 fez metade dos pontos da equipe (8 dos 16) e foi peça importantíssima para colocar o Mackenzie de volta na partida.

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Ala/pivô Henrique foi o dono do último quarto pelo Mackenzie.
Fonte: Michael Oliveira/Clicksports3

Falei com ele sobre essa nova postura na volta do intervalo:

Durante o intervalo minha técnica (Talita) me orientou a participar mais dos rebotes e partir para o ataque. Após a orientação eu me senti com mais segurança e entrei disposto a acertar e com isso ajudar o meu time. Somos um time unido e acredito que isso também faça a diferença no final.

E fez uma baita diferença. MAS, um outro jogador decidiu que iria marcar presença na partida também: Daniel. O ala do time do casa, fez simplesmente TODOS os pontos do time no último quarto e prorrogação10 e 3, respectivamente.

O rapaz acertou bolas de três importantíssimas, que levantou todo o ginásio. E olha que não é um dos destques ofensivos do time – média de 3,4 ppj.

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Bola de três de Daniel, momentos antes de levantar toda a torcida.
Fonte: Arquivo pessoal

Nos últimos segundos da partida, ambos times tiveram grandes chances de levar o jogo no tempo normal. Vitor, o cestinha da equipe com 9,75ppj, teve oportunidade de uma bola de três livre, mas sem sucesso. No ataque seguinte, Jean sofre falta e vai para o lance-livre. Errou os dois. Realmente não era para a partida ser decidida em apenas 40 minutos.

Antes de entrarmos na prorrogação, cabe aqui uma mudança de comportamento no jogo do Caldeira. Ele começou a passar bastante a bola, seja com asistências ou movimentando o ataque. Sua pontuação veio, mas geralmente após a bola girar por todo mundo antes. Perguntei para ele se isso se deu por perceber o ótimo momento de Henrique ou, por exemplo, evitar jogadas mais fortes desnecessariamente, devido seu choque no segundo quarto:

Os dois, porque depois daquela pancada senti que não estava como antes, não conseguia fazer coisas que, antes da pancada, eu conseguia. Mas mesmo com isso senti que meus companheiros estavam bem no jogo, pois a gente faz o que a gente treina, então eu confio neles e sei que eles são capazes de acertar. E com isso tentei passar mais a bola distribuir mais o jogo. Não é toda hora que é você que tem que jogar, às vezes são os seus companheiros.

E isso ajudou a levar o jogo para o tempo extra.

Placar: Esperia 41 x 41 Mackenzie

Prorrogação:

Não existe cansaço para os times. Os dois já entram com muita disposição.

De início, o Esperia foca numa defesa zona, que depois se torna uma individual apertando mais o homem da bola.

Já o Mackenzie, usa sua boa e velha pressão meia quadra, que funcionou muito bem, forçando o time da casa a ficar mais afastado da cesta, enquanto os visitantes buscavam o jogo mais interno, por meio de infiltrações ou assistências.

Daniel, como disse anteriormente, fez os 3 pontos do time no tempo-extra. Já Henrique, manteve seu estilo do último quarto, com boas infiltrações que cavavam faltas para lance-livre. Em uma delas, acaba recebendo uma falta antidesportiva quando roubou uma bola, o que frustrou muito o time da casa. Após esse lance, o Mackenzie teve posse de bola e Caldeira cravou a vitória com um belo jump – sofre falta, faz a cesta e converte o lance-livre.

Placar final: Esperia 44 x 50 Mackenzie

Seguem os números do jogo e até a próxima!

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Scout da partida.
Fonte: Arquivo pessoal

 

SOBRE O AUTOR Fala, pessoal! Meu nome é Léo, Osasquense de nascimento e bauruense de coração, ex jogador do eterno Continental Parque Clube e entusiasta do basquete de base. Sempre que quiserem trocar ideia sobre basquete nacional (base, adulto, seleção...), estamos aí! CONHECER TODO TIME
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