Como foi construído o sucesso do time que surpreendeu chegando ao final da Conferência Oeste em 2020

Se após a derrota da última terça (15) o Los Angeles Clippers vem confirmando a velha máxima de que “filho feio não tem pai”, com o técnico Doc Rivers lançando mão de diversas desculpas para justificar a apatia da equipe favorita para essa série, o Denver Nuggets mostra ao mundo como uma organização sadia e clara em seus propósitos pode construir um caminho vitorioso.

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O homem sentado no banco de reservas é dono de uma fala calma e cálida. Quando levanta com a prancheta para dar instruções se torna firme, mas ainda assim mantendo uma aura de afeto. Como disse Diego Silver, fundador do Área Restritiva: “Mike Malone parece o tio da van escolar, que arruma a mochila de um, afaga a cabeça de outro e deseja boa sorte na prova.”

Mas sorte não é algo exatamente de que os pupilos de Malone precisem. Seu estilo técnico é claro, conciso e sofre mudanças ao longo das partidas – ele não é um coach com receio de mudar o esquema tático quando necessário. 

Essa liberdade criativa é refletida nas relações construídas entre Malone e os jogadores. Há um vínculo forte de confiança e afetividade que pode ser visto em declarações como a de Nikola Jokić  antes da partida que encerrou a série com o Clippers. Era aniversário do técnico, e o pivô foi enfático ao dizer qual seria sua surpresa para a data: “antes do jogo eu disse a ele que lhe daria um ótimo presente – ou o levaria para casa mais cedo ou daria a vaga na final da conferência.”

Mike Malone e Nikola Jokić na comemoração após o jogo contra o Clippers. Foto: Denver Nuggets.

Em 2017, durante as férias, Malone não titubeou em pegar um avião até a distante cidade de Sombor, terra natal de Jokić, para conhecer um pouco mais do jogador que vem sendo apontado como a estrela de sua posição, ao ser um grande armador e ainda assim poder dar passes precisos aos seus companheiros. Esse cuidado com a equipe, posto acima dos holofotes – Malone é um profissional discreto, sem arroubos – foi herdado de seu pai, Brendan Malone, que por poucas vezes assumiu o posto de técnico principal, preferindo ser assistente de diversos times, inclusive do bicampeão de 89 e 90, o lendário Detroit Pistons.

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Seu apreço por assistentes não vem somente da admiração pelo trabalho do pai. Wes Unseld Jr. foi o responsável pela ótima defesa da equipe, e Malone recentemente pontuou que ele “deveria ser um técnico.” Wes está na mira do Chicago Bulls, que há anos deseja uma reconstrução, que agora está nas mãos do vice-presidente de operações de basquete Arturas Karnisovas, egresso do mesmo Nuggets e também responsável pelo momento de sucesso do time. Em 2017 o ex-jogador lituano se tornou gerente e sua primeira contratação foi o veterano Paul Millsap, atualmente uma peça fundamental do grupo, e em 2019 costurou a extensão de contrato de Jamal Murray, avaliada em 170 milhões e na época contestada por muitos fãs – hoje é possível ver o quanto isso foi importante para o time do Colorado.

Tomar decisões consideradas polêmicas em prol de um objetivo focado em vitórias não é novidade em nenhuma das hierarquias da organização. Mas, como sempre, em um estilo altamente profissional, porém relaxado. 

Imagine que você joga no Nuggets e em um treino o dono da equipe aparece de moletom, acompanhado de seus dois cachorros, para fazer algumas cestas? O mesmo executivo que confessa ter uma queda pelo café da manhã servido no McDonald’s e que faz questão de ser chamado pelo primeiro nome, Josh.

Josh Kroenke em uma partida da temporada regular do Denver Nuggets. Foto: Denver Nuggets.

Não causaria estranheza se Josh Kroenke não fosse a encarnação física do personagem Riquinho – o bilionário bonito, educado e que faz questão de conservar a simplicidade, mesmo sendo dono, junto com seu pai, de diversas equipes esportivas, como os gigantes Arsenal e Los Angeles Rams. Por parte de mãe Kroenke – ou melhor, Josh – é apenas herdeiro de um “pequeno” grupo chamado… Walmart. 

Uma das passagens que exemplificam as good vibes do atlético empresário de 40 anos (que jogou basquete na universidade) é contada pelo ex-gerente e ex-vice presidente de operações de basquete Masai Ujiri, hoje presidente do Toronto Raptors. Josh lhe perguntou “como deveria se vestir” nos dias que fosse ao Nuggets. Um atônito Ujiri balbuciou “mas você é o dono!”

Se no trato Josh confessa que a educação mais importante que recebeu de seus pais foi a de tratar todos ao seu redor muito bem, nos negócios ele se mostra agressivo. Não titubeou demitir George Karl em 2013 após ele ter sido laureado com o prêmio de Técnico do Ano e em 2011 acreditou que a partida de Carmelo Anthony fosse o melhor caminho para o time – todos esses movimentos polêmicos culminaram na equipe competitiva, alegre e que vem surpreendendo nos atuais playoffs.

Mas a caixa de surpresas do Denver Nuggets promete muito, mas muito mais. E isso não tem preço. 

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