Em meio aos sucessos, um ala-pivô baixinho fez da NBA seu palco

E, a série do Michael Jordan segue sugerindo muitas pautas para nós aqui do Área sem nem imaginar. É interessante pensar que vários jogadores que participaram da história dele, que o auxiliaram, que de alguma forma mudaram a forma como ele via o jogo, nem são lembrados. É justamente isso que tem se destacado para mim: as peças da vida do Jordan que mal são lembradas.

Em meio à febre do Air Jordan e do boom do rap, uma figura comia pelas beiradas. O título da publicação faz referência a isso tudo em um rap construído por Fábio Brazza para a ESPN. Assim, chegamos a um cara que tinha a cara dos anos 1990, embora Jordan ainda estivesse em alta, ganhando seus títulos e tudo o mais. Estou falando de Charles Barkley, um ala-pivô dono de recordes que nem todo mundo sabe ou cogita, dono de uma identidade única e de incrível habilidade. Ele é um dos 50 melhores jogadores da história por inúmeros motivos, mas todo mundo só lembra que ele era um reboteiro nato.

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CHARLES BARKLEY

Charles Wade Barkley nasceu em 20 de fevereiro de 1963, em Leeds, Estados Unidos, e estudou na Leeds High School durante sua vida escolar. Foi lá que ele desenvolveu seu basquete, embora fosse tecnicamente baixo para a posição que almejava jogar. Cenário que mudou quando ele entrou no seu último ano do colegial e ganhou 15 centímetros de altura, chamando atenção dentro e fora de quadra. Com isso, ele foi parar na Universidade de Auburn, onde jogou três anos.

Devido à sua força, agilidade e vontade de jogar basquete, Charles Barkley conseguia vencer adversários bem maiores que ele e com isso ganhou o apelido de The Round Mound of Rebound. Além da alcunha, também foi Jogador do Ano da Conferência Sudeste em 1984 e esteve na Seleção do Ano (All-SEC), e no segundo e terceiro time All-American durante os anos que passou na faculdade.

NBA, DRAFT E 76ERS

Chales Barkley foi draftado na 5ª posição em 1984 pelo Philadelphia 76ers. Na época ele era listado com 1,98 de altura, já considerado baixo, mas outras medições apontavam cinco centímetros a menos. Esse é um dos principais motivos que gerava dúvida durante os meses entre o Draft e o início da temporada 1984-85. Motivo esse, no entanto, que foi totalmente deixado de lado quando seus saltos, impulsão e rapidez se destacaram e fizeram dele um dos melhores reboteiros.

PHOENIX SUNS

Em 1992, o Philadelphia 76ers decidiu trocá-lo com o Phoenix Suns após não obter bons resultados nos playoffs anteriores, os quais a equipe só chegou à segunda rodada. Já com grande evolução não apenas defensiva, mas também mostrando que pode atacar o garrafão e dar boas assistências, Barkley logo assumiu o rosto da franquia. Em um dos duelos mais legais da liga, ele e Karl Malone, do Utah Jazz, tornaram os dias no Arizona ainda mais interessantes.

Em 1992-93, ele foi eleito MVP em uma NBA que tinha Michael Jordan. E, justamente por isso, a final não poderia ser outra. Após levar os Suns a um recorde de 62 vitórias e 20 derrotas, o ala-pivô chegou às finais contra o Jordan e, depois de seis jogos, foi derrotado.

HOUSTON ROCKETS

Após a grande disputa com Jordan, Barkley levou os Suns à mais duas semifinais de Conferência, em 94 e 95, mas perdeu para o Houston Rockets… Curiosamente, sua próxima equipe da carreira. Em 1996, ele rumou para Houston, onde se viu em outro momento de sua carreira. Já sofrendo com lesões, ele jogou apenas 53 jogos, mas ainda foi o segundo maior pontuador da equipe (com 19,2 pts) atrás de Hakeem Olajuwon. A partir daí, tanto eles quanto Clyde Draxler, outra estrela do time, passaram a jogar com minutos reduzidos e menos partidas também. Ou seja, chance nenhuma de playoffs ou títulos, mesmo a equipe tendo conquistado a NBA recentemente. Nem mesmo com Scottie Pippen isso foi possível, afinal, em 1998-99, Barkley estava no auge do seu limite e já se preparava para se aposentar.

QUAL O PERFIL DE CHARLES BARKLEY, AFINAL?

Ao longo de sua carreira, Charles Barkley assumiu posições e teve seu estilo modificado, embora isso tenha sido pouco perceptível. Quando ele estava no College, ele era um cara alto para idade, com impulsão e garra absurdas. Na NBA, no entanto, ele se tornou um cara baixo e refém de dúvidas quanto ao que ele poderia oferecer. Bom, ele ofereceu o mesmo da faculdade, porém mais rápido, ágil e habilidoso. Ele não tinha medo de ficar embaixo da cesta, disputar rebotes com gigantes como Kareem-Abdul Jabbar, por exemplo. É por isso que ele liderou a liga em rebotes ofensivos em por três anos consecutivos. Porque ele não tinha medo, essa é a característica. E, ao mesmo tempo, ele não tinha medo de finalizar, de tentar encontrar um companheiro em melhor posição, o tempo todo pressionado, aliás.

No Suns, ele assumiu o comando da equipe. Foi lá que ele atingiu seu ápice de demonstrativos quando assumiu várias posições, no sentido literal. É engraçado afirmar isso, pois não foi o que aconteceu, mas de certa forma e simbolicamente é o que rolou. Ele melhorou seu arsenal ofensivo de uma forma bastante diversificada em questão de assistência e visão de jogo, embora sua pontuação tenha sido abaixo do que fora na Philadelphia. É por isso que na sua primeira temporada chegou às finais.

RECORDES

De uma forma geral, Barkley foi um dos jogadores mais versáteis, únicos e diferentes que a NBA já viu. Ao longo do tempo, ele se tornou capaz de marcar toda a quadra, dominando os quatro cantos. Seu físico e inteligência fizeram dele também um dos jogadores mais estratégicos, o que o ajudou também na questão de roubos de bola, fundamento que ele também dominava. Ao final da carreira, ele acumulou 23.757 pontos, 12.546 rebotes, 4.215 assistências, 1.648 roubos de bola e 888 tocos, números responsáveis por colocá-lo em alguns destaques. Ele se aposentou como um dos quatros jogadores a alcançar 20 mil pontos (26º maior pontuador da liga), 10 mil rebotes e 4 mil assistências; é também o 26º maior ladrão de bolas da liga e o 121º jogador com mais tocos na história.

MÉDIAS:

Na carreira, Charles Barkley tem 22.1 pontos, 11.7 rebotes e 3.9 assistências de média. Pelos 76ers, são 23.3 pontos, 11.6 rebotes e 3.7 assistências. No Suns, então, ele teve 23.4 pontos, 11.5 rebotes e 4.4 assistências. Por fim, nos Rockets, ele terminou a carreira com 16.5 pontos, 12.2 rebotes e 3.9 assistências.

Ele esteve na seleção de rookies de 1984-85; foi 11x All-Star e 11x All-NBA; liderou a liga em rebotes em 1986-87; foi o MVP do All-Star de 1990; e MVP em 1992-93.

Referências: Basketball Reference, Brittannica, Charles Barkley, NBA.

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