Nove amigas se uniram para tentar amenizar discrepância entre o perfil de basquete feminino e o masculino

O esporte é para ser de todos, porém as desigualdades e opressões enfrentadas por mulheres que praticam as modalidades mostram que não é algo totalmente difundido. Dessa forma, algumas ações e campanhas para que haja a valorização tanto do basquete feminino quanto das mulheres em si surgem de tempos em tempos para tentar mudar. E, foi isso que colocou a conta da LBF no radar do Twitter.

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Na última sexta-feira (03), um movimento em prol da valorização do basquete feminino brasileiro rodou o Twitter. Após perceber a diferença de seguidores entre a conta da LBF e a do NBB (basquete masculino) no Twitter, nove mulheres se uniram para tentar conseguir mais adeptos para a liga. De tweet em tweet, então, a ação atingiu proporções incríveis. O resultado foi mais que o dobro do número de seguidores (inicialmente pouco mais de 5 mil) e uma onda de respostas positivas em relação ao esporte feminino.

A AÇÃO

A primeira publicação partiu da Victória “Vick” Galle, que escreveu sobre a discrepância de seguidores entre a LBF e o NBB. Ela conta que conversava em um grupo no WhatsApp com as amigas sobre o assunto e, em seguida, tweetou pedindo para que seguissem a liga. Abraçada por outras oito meninas, incluindo a autora deste post, além de Ana Carolina Campos, Ellen Moreira, Júlia FrançaMalu Torres, Maria Franco, Mariana Dias e Vitória Lêmos, que ajudaram a espalhar o pedido, o número passou a marca dos 10 mil seguidores em pouco mais de 13 horas.

QUAL O FOCO DO PROBLEMA?

Movimentos e ações como essa se dão, principalmente, por causa do machismo enraizado na sociedade. Desde criança, as pessoas são ensinadas que tal coisa é de menino e tal coisa é de menina. Por essa razão, aliás, as meninas não imaginavam que isso tudo viria a acontecer. Julia França expõe isso quando fala sobre o maior problema em relação a a diferença de tratamento das ligas femininas e masculinas.

“No Brasil já há uma desvalorização no basquete por conta da nossa cultura que dão mais relevância para o futebol, e mesmo assim, o futebol feminino é muito desvalorizado. O basquete masculino já tem um pouco mais de visibilidade, entretanto no feminino há uma diferença absurda, tanto em seguidores em redes sociais quanto em audiência“, diz.

Julia continua: “O problema é que, em qualquer esporte, o feminino sempre é desvalorizado exatamente pelo fato de serem mulheres praticando. E, frequentemente, usam a desculpa de que não gostam de assistir o feminino, pois “elas não sabem jogar”, “não tem habilidade” ou “não tem técnica”, sempre com esses esteriótipos machistas. E, infelizmente, isso não vai acabar de um dia pra outro, por isso precisamos nos desconstruir e aceitar que mulheres são tão boas nos esportes quanto os homens”.

A REPERCUSSÃO

Ao passo que as mulheres, de uma forma geral, enfrentam o machismo e sexismo em todos os aspectos, a campanha proporcionou um momento memorável para as idealizadoras da ação. Questionada se esperava a repercussão tão grande e positiva, Ellen Moreira confessou que tudo foi e ainda tem sido uma grata surpresa para todas.

“Não esperávamos a repercussão, até porque não foi nada planejado. Nós já conversávamos sobre o assunto da discrepância do alcance das ligas e quando a Vick começou o movimento, nós abraçamos. Foi surpreendente como o pessoal da timeline também aderiu e ficamos chocadas quando as jogadoras, repórteres e páginas começaram a comentar. Até agora não conseguimos processar tudo o que aconteceu e quão longe isso chegou”, conta.

COMO A CAMPANHA CHEGOU ÀS ATLETAS

Iniciada devagar, a campanha para a LBF chamou a atenção de diversas pessoas e figuras importantes não só do basquete feminino como também do masculino. Conversando com uma parte das responsáveis pelo movimento, é possível entender como tudo isso começou e como tem sido lidar com a repercussão.

Uma das principais ajudas que as meninas receberam foi do amigo Matheus Garzza, que administra o perfil Everaldo Marx. O tweet dele atingiu mais de 500 retweets e foi através da publicação que a ídola do basquete brasileiro Érika ficou sabendo da mobilização, por exemplo.

Espalhando-se como uma corrente, a campanha chegou à Magic Paula.

O NBB também entrou na mobilização.

Um dos principais apoiadores de basquete do Twitter, ou da chamada NBATT, Renan Ronchi reuniu tweets sobre a mobilização, atingindo ainda mais pessoas.

O MOMENTO DOS 10 MIL SEGUIDORES DA LBF

O perfil da LBF atingiu os 10 mil seguidores por volta das três horas da madrugada e a timeline estava em êxtase. Tanto a conta feminina quanto a do NBB estavam online aguardando o momento para comemorar com quem tanto apoiou durante o dia.

OS FRUTOS E O QUE VEM DEPOIS

Após o movimento, as nove meninas receberam um apoio em massa da comunidade basqueteira do Twitter, recebendo seguidores em seus perfis também e dando entrevistas. Dentre os seguidores estão pessoas ilustres como a própria Érika, a LBF, o NBB, atletas do atual basquete como Mariana Camargo, o comentarista do Sportv Renatinho, entre outros. Além disso, o site da Liga Nacional de Basquete repercutiu a ação com uma matéria bem legal e, logo mais, um podcast será lançado. Confira aqui.

Passada a euforia, porém, Vitória Lemos reitera que não deve ser uma ação de apenas um dia. De acordo com ela, “o próximo passo é fazer o máximo para que o basquete feminino seja conhecido cada vez mais e nos dias de jogos movimentar bastante a timeline do Twitter”. Ela antecipa, inclusive, que há um projeto em mente inspirado pela ação.

“No dia do movimento, eu vi várias pessoas falando que não sabiam nem que existia a liga de basquete feminino e isso me deixou um pouco triste porquê as meninas merecem muito reconhecimento, e todas nós iremos lutar cada dia mais para que haja visibilidade no basquete feminino, não queremos que isso seja apenas uma coisa que aconteceu e ficou apenas naquele dia, queremos muito mais e eu acredito que a união irá trazer reconhecimento pras meninas“, finaliza.

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