O esporte faz coisas incríveis, isso todo mundo já ouviu falar e se você é um leitor do Área, você sabe que o Basquete também, porque não então, começar 2020 lendo sobre mais uma história que faz todo mundo ter esperança no esporte e em pessoas.

Quem me conhece sabe o quanto eu sou apaixonado pela transformação que o Basquete trás, eu mesmo sou suspeito em falar sobe, porque eu sou refém dessa transformação, mas enfim, por ter entendido o papel do esporte na minha vida, eu resolvi que iria devolver ao Basquetebol tudo o que ele me deu.

Bom, no primeiro semestre de 2019 o meu telefone tocou, um professor de um colégio em um bairro afastado do centro de São Paulo me mandou uma série de mensagens, entre elas um áudio de um de seus alunos, algo que me comoveu logo quando eu ouvi a mensagem.

“Professor! Estou mandando essa mensagem para avisar e pedir desculpas eu não vou poder ir no treino, porque eu não tenho tênis para ir para a escola. Minha mãe não pode comprar um agora, então pede desculpas para o time, eu sei que é importante eu treinar e temos jogo no domingo, mas eu realmente não posso treinar”.

Essa foi a mensagem de um adolescente de uma escola pública da periferia de São Paulo. Então qual a reação quando se escuta algo assim?! Como não ficar emocionado com isso? Como não querer ajudar de alguma forma?

No mesmo momento eu mandei msg para o professor dizendo para ele que eu iria dar o tênis para o garoto, que ficasse tranquilo que eu iria apadrinhar esse garoto, ele não ficaria sem escola e sem Basquete, porque não tinha um par de tênis.

Peguei o número que o garoto calçava e pronto, vamos atrás do tênis. Liguei para a loja que eu gosto e expliquei a situação, para ver se eles conseguiam em alguma loja o tamanho do pé do garoto, era só me dizer onde ir buscar que eu iria, para eles entenderem a gravidade da situação, eu mandei o áudio para eles.

Bom, consegui ajuda, eles vão atrás do tênis para mim, vou procurar também e pronto. Dois dias depois eles me mandam uma mensagem “Silver, passa aqui na loja estamos com o tênis”, converso com o professor, para combinarmos de nos encontrar, mas os compromissos com a escola naquele momento impediam de pegar o tênis comigo.

Mas eu tinha o tênis, então não tinha problema. Bom, precisa buscar na loja e pagar o tênis. Vou até a loja, eis que me deparo com a situação mais inusitada de todas. O dono da loja, me deu o tênis e de quebra um boné para combinar com a cor do tênis é claro.

Segundo a gerente da loja, eles não iriam deixar eu sair da loja pagando o tênis, eles já tinham conversado, se eles não conseguissem o tênis pela loja, da forma como aconteceu eles iriam comprar o tênis e me entregar para doar o tênis.

Por fim, o tênis foi entregue e o garoto, seguiu com sua vida escolar.

Aqui, eu só queria contar essa história para vocês, não pensei muito na narrativa, só sentei na frente do PC e sai escrevendo, porque esse foi um dos momentos de 2019 que mais me emocionaram e agora ao escrever esse textinho sinto meus olhos marejarem.

Quanto a loja, o lojista e o gerente, logo quando eu recebi a doação eu prometi escrever sobre, mas eles não quiseram, queria tirar fotos e tudo mais e eles não quiseram, porque eles não estavam fazendo isso para ganhar espaço na mídia, eles estavam fazendo isso porque se emocionaram, quem faz caridade com o celular na mão não é caridade é ego.

Todo mês, reabrindo minha coluna mensal sobre o que eu quiser falar, eu vou falar sobre as histórias que o Basquetebol me apresentou, prometo para vocês que eu vou pensar melhor na narrativa da história e não só despejar as palavras aqui, utilizando da minha liberdade poética para colocar as vírgulas onde eu quiser, será um texto bem melhor escrito.

Então convido vocês a não deixarem de acompanhar as histórias escritas por mim aqui no Área, todo mês no ultimo dia do mês uma história diferente, uma forma de fazermos ter esperança no esporte e na humanidade.

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