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  Basquete e Humor: A Sintonia Extra-Quadra

NA ONDA “MIL GRAU” TORCEDORES DO PINHEIROS COMPARTILHAM HUMOR E INFORMAÇÃO

Nos dias atuais, assim que seu time ganha ou perde uma partida, a primeira coisa que ocorre é o envio ou recebimento de fotos, memes ou frases nas redes sociais para provocar os rivais. Mas, você já parou pra pensar de onde elas surgem?! 

Essas páginas de zoeira, muitas vezes, ganham mais engajamento que as páginas oficiais porque mantêm a regularidade de postagens mesmo em derrotas, enquanto os perfis oficiais dos clubes têm instantes de silêncio. 

As páginas de humor, que muitas vezes representam os sentimentos de alegria e aflição dos torcedores na internet, vivem aquela relação de amor e ódio com os atletas conforme sua atuação em quadra. No geral, a produção não é preocupada em agradar, mas recebe a aceitação dos jogadores.

A relação com os protagonistas dos memes se constrói geralmente com conscientização e uma boa dose de “clubismo”. Basta uma cravada monstra, aquela ponte aérea, um tocaço, ou tudo ao contrário para que a zoeira tome rumos divergentes. E assim se cria o vínculo, repleto de exageros para o bem ou para o mal, e frases como “nunca critiquei”. “MVP”, “QUE HOMEM”, “quem é Lebron James (ou outro jogador) comparado a ‘fulano’? ” ganham força máxima.

Ou seja, a zoação que acaba sendo exagerada, eleva a moral do jogador. Exagero na corneta, mas também para elogiar a boa fase do atleta. Dentre os torcedores as páginas virou febre, até mesmo para aqueles que não possuem um time do coração, mas é fã de basquete com uma pitada de humor, temos o NBB Mil grau ou NBB da depressão. Memes e piadas garantida sobre a liga e clubes em geral. 

No caso do EC Pinheiros, grande parte dessas brincadeiras surgem da página “Pinheiros Mil Grau”, criada pelos torcedores Vinícius Barbosa e Alexsandro Cruz. Além da garantia de humor com qualidade, trazem um conteúdo informativo desde o time profissional à base pinheirense. 

Basquete e Humor: A Sintonia Extra-Quadra
Vinicius Barbosa, um dos fundadores do Pinheiros Mil Grau no Ginásio Poliesportivo Henrique Villaboim.
Foto: arquivo pessoal

A principal rede social da página, Instagram, é comandada pelo Vinicius, no Twitter pelo Alexsandro. O Pinheiros Mil Grau não rende nenhum tipo de retorno financeiro aos jovens. O primordial é repassar a paixão que possuem pelo Pinheiros e conquistar novos fãs ao clube, com  todos os componentes básicos para fidelizar o torcedor: velocidade nas publicações; capacidade de improviso; colaboração de divulgação de informes como pós e pré jogo, tabela de jogos, escalação e destaque da partida; fotos de jogos; cautela na publicação (principalmente na provocação com o rival, Paulistano) e temperatura da torcida. Meme pode parecer brincadeira, mas dá trabalho para fazer.

Basquete e Humor: A Sintonia Extra-Quadra
Alexsandro Cruz, ironiza o rival ao segurar a taça de campeão da LDB, no meio da quadra.
Foto: arquivo pessoal

Vinícius e Alexsandro divertem os torcedores pinheirenses com muito humor e informação, e  nos contam mais detalhes, confira:

Área restritiva: Como e quando decidiram criar o Pinheiros mil grau?

Alexsandro Cruz: Criamos o perfil em Março de 2018, e chegamos ao Clube Pinheiros durante o NBB 9, naquela época o acesso à informações sobre o time eram extremamente escassas. O Pinheiros por ser poliesportivo, não possui redes sociais dedicadas apenas ao basquete e dessa forma as atenções e “mão de obra” disponível para o marketing esportivo é compartilhada com todos os outros esportes. Inicialmente, achamos que não seria bem recebida a ideia, e que o Pinheiros fosse nos bloquear de alguma forma, principalmente por usarmos uma variação do logo do clube. 

 

ÁR: Qual era o objetivo ao criar a página?

Alexsandro: Incomodava o fato de não termos informações, então decidimos correr atrás e nos tornar a fonte das informações. Sempre que possível, postamos memes e montagens para não perder a linha de humor de um perfil Mil Grau

 

ÁR: Me conte, como surgiu a parceria entre ambos?

Vinicius Barbosa: Nós somos amigos há alguns anos, acredito que em meados de 2014. Moramos perto um do outro, e jogávamos futebol em um time local. O Alex sempre foi um amante do Futebol americano e de 2016 pra cá, eu me apaixonei por basquete, então trocamos experiências destes dois esportes e costumamos nos reunir para assistir os jogos de basquete. Eu comecei a frequentar o ginásio do Pinheiros um pouco antes, então eu gostei e o convidei, desde então nos apaixonamos pelo Pinheiros e pelo esporte cada vez mais.

Alexsandro: Segundo o Facebook, março de 2014 (risos). Complementando o que o Vini falou, nos conhecemos através do futebol e amigos em comum. Ele começou a frequentar o Pinheiros na fase de classificação do NBB, me convidou um dia pra ir conhecer, pensei duas vezes,  até por preconceito meu com o basquete brasileiro (mimado pela NBA) . Mas fui, meu primeiro jogo foi um Pinheiros e Caxias do Sul, com o ginásio bem vazio e nosso então futuro MVP Holloway, deitando no jogo. A partir dai me apaixonei pelo time e passei a ir em todos os jogos, nesse meio tempo ambos trabalhamos em Alphaville, saímos em um horário parecido e vamos juntos pro ginásio.

 

ÁR: Como a página é organizada exatamente? Possuem uma meta de posts por dia/jogo criados para imagens e vídeos?

Vinicius: A principal rede social do perfil é o Instagram, mas vimos no twitter a possibilidade de dar alguns “tiros curtos” que poderiam ser certeiros também, como o tempo real dos jogos, interação com torcedores, e diminuir a formalidade existente no Instagram. Sobre as metas, entendo que não temos algo pré programado, apenas mantemos o público informado sobre o calendário de jogos, tempo real, pós jogo, e alguns posts divertidos para descontrair um pouco.

Alexsandro: Durante os jogos eu faço o Twitter e o Vinicius faz o Instagram, fora dos jogos as atividades são divididas igualmente ou conforme a disponibilidade de tempo de um ou de outro. Não possuímos uma meta, mas temos o padrão de postar o game day e post pós jogo obrigatoriamente, os outros post são pontuais. Se tivermos uma jogada interessante que aconteceu no treino, informação relevante sobre a equipe como lesões postamos também.

 

ÁR: Como funciona o contato direto com o  clube e jogadores ?

Vinicius: Foi algo espontâneo, acho que pelo clube nunca ter tido fãs de verdade, os jogadores e comissão também estavam meio carentes disso. Quando criamos o perfil, automaticamente os atletas do adulto, base e comissão começaram a nos seguir. Em relação ao clube, conhecemos o social media que administra o perfil oficial, às vezes isso nos ajuda também. Outro ponto importante, como estamos em quase todos os jogos, isso ultrapassa a relação “virtual” do perfil, pois também apoiamos o time com músicas e animação no ginásio, esse é o diferencial também.

Alexsandro: Temos muito contato com o clube e atletas, principalmente por Instagram e Twitter. Curiosamente, durante os jogos fora de casa são os momentos que mais temos contato direto com eles no ginásio. Alguns atletas são muito receptivos, e sempre nos apoiam com retweets e stories do que publicamos. Eu pessoalmente sou mais tímido, e só vou interagir quando a oportunidade é muito clara de tirar uma foto, cumprimentar ou pedir uma camisa. Mas todos sempre foram receptivos a tudo que fazemos, de atletas a ex-atletas que ainda nos seguem e curtem o que fazemos. 

 

ÁR: Essa questão do diferencial já comprovei acompanhando algumas partidas no Villaboim, se destacam comparado ao restante do público inerte. Me falem das tentativas do Pinheiros mil grau para a aproximação e interação da torcida nos jogos?

Vinicius: Procuramos fazer chamadas, interagir com o público nas redes sociais para realmente convidá-los aos jogos. Nos ginásios buscamos chamar as pessoas para participarem dos cantos, subida do bandeirão e etc. Mas o clube é muito elitizado, e isso torna o processo bem devagar.

Alexsandro: Procuramos interagir, criar músicas e tentar contagiar o pessoal para mudar o clima no ginásio. O Pinheiros não possui uma grande torcida, boa parte da torcida é composta por sócios e suas famílias que aproveitam o fato de estar no clube, para aproveitar um evento de basquete de alto nível. A torcida realmente fiel e que canta é bem pequena. Procuramos nos manter sempre cantando e apoiando, esteja vencendo ou perdendo (diferente de muitas torcidas por ai, com times multicampeões que se cala quando o time está perdendo). O fato da localização do clube e do poder financeiro de seus sócios acaba criando um perfil de pessoal na arquibancada que vai assistir o jogo, mas não vai se esforçar em cantar, pular e se emocionar com o time. Isso não é um estereótipo, é a nossa experiência baseada na experiência de arquibancada ali e em outros ginásios do estado.

 

ÁR: Possuem algum retorno com a página? Quais os pontos negativos e positivos? 

Vinicius: Não temos retorno financeiro, fazemos apenas por amor ao clube. Por outro lado, fizemos novas amizades, inclusive torcedores de outros clubes e pessoas do mundo do basquete. Ponto positivo, as pessoas possuem um canal confiável de informações sobre basquete no Pinheiros, e creio eu, que algumas pessoas passaram a acompanhar mais o clube graças a nós. Ponto negativo a melhorar, atingimos a marca de 2k seguidores no Instagram, mas infelizmente esse bom número não se reflete nos ginásios, ainda temos que buscar alternativas para criar uma torcida fanática para o Pinheiros.

Alexsandro: Negativo, acho que o único ponto negativo é o tempo que dedicamos para a página, não usamos ferramentas tão profissionais como photoshop e afins. Usamos mais ferramentas gratuitas e com isso leva um tempo maior para produzir tudo, se adaptando as limitações das aplicações. Positivo, a nossa proposta de divulgar que é muito bacana, mesmo que seja uma pessoa a mais a conhecer e gostar do clube. Como torcedores, sabemos que o papel da torcida é unicamente apoiar ou mesmo cobrar o time ali nos limites da arquibancada, fazer esse trabalho de perfil Mil Grau nos trás o sentimento de estar mais próximo do time e de que ajudamos eles nem que seja apenas um pouquinho.

 

ÁR: Como vocês vêem a interação das torcidas rivais com a página do Pinheiros mil grau?

Vinicius: .Bem positiva, no geral não temos problemas com ninguém. Todos interagem conosco de maneira bem respeitosa e brincalhona, às vezes pegamos no pé com mais força em alguns torcedores do Paulistano, mas só isso (risos) .

Alexsandro: Isso é uma parte muito legal de tudo isso, sempre que podemos provocamos e fazemos os memes, marcando diretamente os envolvidos. Então, quando falamos algo e encontramos uma derrota eles voltam para cobrar, e essa troca de farpas é muito bacana. Alguns torcedores de outros times que nunca vieram ao clube, nos procuram para saber como funciona o acesso ao ginásio, se paga entrada e etc.

 

ÁR: Vocês possuem contato com outras páginas de humor ?

Vinicius: Temos contato com alguns perfis como Carcará mil grau, NBB da depressão, capital do basquete, zona do garrafão, franca basquete da depressão, e entre outros.

Alexsandro: Basquete palestrino e Comentarista  NBB também.

 

ÁR: Para finalizar, qual a opinião de ambos sobre o Pinheiros atual? Vai brigar por títulos? 

Vinicius: Sinto que o nosso time está enfraquecido em relação à última temporada, principalmente após a saída do Renato Carbonari. Nessa temporada, estamos com um plantel repleto de garotos que podem desenvolver, mas ainda são instáveis. O futuro pode ser promissor, mas temos que aguardar um pouco mais para brigar por grandes conquistas.

Alexsandro: Acho que ele ( EC Pinheiros) tem potencial de chegar próximo, mas não vejo ganhando uma série de cinco jogos contra um Franca ou um Flamengo, pode ser muito intensa e benefícios. O time que temos tem muito potencial e vai dar trabalho pra muita gente ainda nessa temporada.

SOBRE O AUTOR Olá pessoal! Sou a Graziela Cristina, mas podem me chamar de Grazi, estudante de Jornalismo e fascinada pelo Basquete e suas magias! Amo histórias, quero trazer à tona a paixão do torcedor, mostrar quem é o verdadeiro " sexto homem", a torcida. Então, vamos juntos nessa série?! CONHECER TODO TIME
 
 
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