O Basquete não é um fim em si mesmo, não é só um jogo. Com  o passar do tempo o jogo deixou de ser apenas um lazer e se tornou meio e objeto de lutas sociais, políticas e raciais. No basquete essa ressignificação do esporte é muito intensa e viajaremos no tempo para ligar a NBA – foco desta colunista – a eventos históricos dos anos 40 (década da fundação da NBA) aos dias atuais.

Em “Basquete, Coturnos e Canetas”, o leitor fará uma verdadeira viagem no tempo; da fundação da maior liga de basquete do mundo e Wilt Chamberlain, passando pelo ativismo “hippie” de Bill Walton, até Enes Kanter e a influência de atletas nos movimentos políticos atuais.

Então beba água, sente confortavelmente e aproveite a viagem!

Capítulo 1 – Os primeiros homens

Já que estamos começando nossa viagem pelo começo é preciso dizer que a NBA não nasceu pronta. A liga com as iniciais que conhecemos hoje é filha de duas ligas anteriores: a NBL (National Basketball League) e a BAA (Basketball Association of America).

Tanto a NBL, fundada em 1937, quanto a BAA, fundada em 1946, eram ligas pequenas, com poucos times e poucos fãs, quase amadora em certos aspectos. O basquete ainda não era o esporte favorito nos EUA, mas era querido no nível universitário; afinal, foi em uma universidade que o professor James Naismith inventou o basquete em 1891.

Ei! Leia outro texto meu, deixei esse aqui para você: A NBA que me marcou: Heatles, o trio que mudou o jogo.

Era no “College” que o basquete norte-americano dava os primeiros passos; das universidades e academias começavam a sair os primeiros jogadores de peso – talvez você já tenha ouvido falar de um tal George Mikan. Porém, antes do Mr. Basketball outros jogadores do College marcaram seus nomes na história do jogo, talvez não como grandes atletas, mas como guerreiros, certamente.

Os primeiros anos da NBA foram ambientados num contexto não muito confortável. Os Estados Unidos (e o mundo) tentavam se recuperar da crise econômica causada pela quebra da Bolsa de Valores (1929) ao mesmo tempo em que lutava contra as forças do Eixo na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Assim como aconteceu em todos os setores, esportistas deixaram de lado sua profissão para serem soldados, como o Bob e o Edward.

Bob “Ace” Calkins – Bob “Ace” Calkins foi capitão do time de UCLA (uma das universidades mais tradicionais dos EUA) na temporada 1938/39 e recebeu honras na Conferência do Pacífico. Quando a Guerra explodiu, ele se alistou e serviu na Força Aérea como piloto. O avião bombardeiro (B-17) de Calkins foi alvejado e ele sobreviveu por algum tempo em uma prisão na Itália, posteriormente morrendo em função dos ferimentos. O prêmio dado ao campeão de lances-livres de UCLA é nomeado em sua homenagem.

Na imagem, cards do Bob 'Ace' Calkins. Basquete, Coturnos e Canetas: Quando jogadores são mais que atletas - Área Restritiva

Edward C. Christi: Edward Christi era pivô e capitão do time da Academia Militar dos Estados Unidos entre 1941/44. Ele morreu em combate na Áustria pouco antes do fim da guerra. A arena de basquete na West Point Academy de Nova Iorque é nomeada em sua homenagem.

Na foto, uma foto panorâmica do ginásio Christl Arena. Basquete, Coturnos e Canetas: Quando jogadores são mais que atletas - Área Restritiva
Foto: Divulgação/West Point Academy

Certamente houveram outros atletas-soldados como Calkins e Christi, no entanto, os registros da década de 40 são escassos. O importante é que Hitler e seu regime nazista foram derrotados e o esporte, sabemos, é um ótimo aliado na reconstrução do espírito de uma sociedade.

Foi então que as ligas norte-americanas perceberam que melhor seria se elas se fundissem e em 1949 estava oficialmente registrada a National Basketball Association. A nova NBA tinha agora 17 times (que diminuiriam para 11 no ano seguinte), e algumas estrelas que aumentavam o interesse dos fãs.

Continuaremos nossa viagem pelos anos 1950 para conhecer mais sobre aquele George Mikan já citado, mas também encontraremos outro conflito que dura até hoje: a guerra contra o racismo. Nos vemos domingo que vem?

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