Em meio a diversos gigantes, “baixinhos” de até 1,75 também tiveram o seu espaço na maior liga do mundo

Como havia prometido na semana passada, cá estou eu novamente para dar continuidade ao artigo sobre aqueles que geralmente são os últimos a serem escolhidos nos rachões, mas que acabam surpreendendo a todos – os baixinhos.

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Para concluir essa pequena mini-série de dois capítulos, trarei mais dois exemplos de jogadores que superaram todas as adversidades, com seus talentos e muito trabalho duro, para colocarem os seus nomes na história da liga, são eles: Calvin Murphy e Muggsy Bogues.

O menor membro do Hall da Fama, Calvin Murphy

Today in history: Calvin Murphy scores 42 to stun Spurs in Game 7
Calvin Murphy em ação com a camisa do Houston Rockets.
Foto: Divulgação/NBA.

Embora seja o menor jogador em questão de estatura a integrar o Hall da Fama da NBA, Calvin Murphy não é nenhum pouco pequeno para a história da liga. Embora tivesse 1,75, Murphy foi o primeiro exemplo de que jogadores de baixa estatura poderiam ser estrelas.

Draftado em 1970, na décima oitava escolha da segunda rodada pelo San Diego/Houston Rockets, Murphy já provou em seu primeiro ano de liga que o seu tamanho não seria um problema. Foram 15.8 pontos de média e uma vaga no primeiro time de calouros.

Murphy jogou numa era em que o basquete era um jogo extremamente físico, dominado pelos pivôs. A linha de três pontos ainda não existia, sendo as infiltrações e os arremessos de curta distância, os principais meios para pontuar.

Nesse cenário nada amigável, Calvin Murphy teve médias de 17.9 pontos na carreira – colecionando quatro temporadas com mais de 20 pontos por jogo – além de ter sido um All-Star na temporada de 1979.

Esses êxitos em sua carreira não foram por acaso. O jogador era veloz, tinha força para atacar (e defender), uma impulsão invejável e um excelente manuseio com a bola. Além de todas essas características, Murphy era um exímio cobrador de lances livres, com incríveis 89,2% de aproveitamento (95,8% na sua melhor temporada, em 1980-81).

Ao longo das suas treze temporadas – todas pelo Rockets – Murphy teve sua camisa #23 aposentada pela franquia, entrou para a história da franquia, da liga, do esporte e foi uma referência provando que o tamanho não é tudo no basquete.

Nas palavras de Major Jones, seu companheiro de equipe, Murphy era “um peso galo que se atreveu a ganhar a vida na divisão de pesos pesados”.

O menor jogador da história da NBA, Muggsy Bogues

Muggsy Bogues com a camisa do Charlotte Hornets.
Foto: Divulgação/NBA.

Dificuldade tem sido uma palavra muito usada para descrever o que esses jogadores enfrentam ao ingressar na liga. Os jogadores citados anteriormente tinham entorno de 1,70 a 1,75 de altura. Se para eles a dificuldade já era elevada, o que dizer de Muggsy Bogues com seus 1,60?

Não diferente da década de 1970, a NBA dos anos 90 era muito física. Apesar da velocidade do jogo ter aumentado assim como os arremessos de longa distância – com a adição da linha de três pontos – o jogo ainda era focado em infiltrações e arremessos de média distância.

Bogues foi draftado em 1987, pelo Washington Bullets, na décima segunda escolha geral. O jogador vinha de um ouro com a seleção americana na Copa do Mundo de Basquete de 1986. Em seu primeiro ano na liga um fato curioso aconteceu. Bogues jogou ao lado de Manute Bol, o jogador mais alto da história da liga, com 2 metros e 31 centímetros de altura.

Estreando com modestos 5.0 pontos e 5.1 assistências, foi na temporada seguinte que Bogues entraria para a franquia onde marcou época – O Charlotte Hornets. Fundada em 1988, o Hornets escolheu o Muggsy Bogues no Draft de expansão, e assim se deu início uma história de 10 temporadas entre jogador e franquia.

Garçom e ladrão de bolas, nas horas vagas

Diferentemente de Murphy, Bogues sabia que não poderia ser um pontuador. Desta forma, o jogador focou o seu jogo em distribuir assistências e pontuar em transições rápidas, para diminuir as chances de ser bloqueado. Foi assim que Bogues se tornou um grande “ladrão” de bolas.

Quando os jogadores adversários menos esperavam, lá estava um baixinho tomando a bola e partindo para o contra-ataque. Era um verdadeiro intruso que passava despercebido pelos grandalhões.

Além dessa qualidade como roubador de bolas – foram três temporadas com duas roubadas ou mais na carreira – Muggsy também distribuía muito bem o jogo, e terminou a carreira com 7.6 assistências, tendo duas temporadas com mais de 10 assistências por jogo.

Apesar de nunca ter sido um All-Star, encerrou a carreira com respeitáveis médias de 7.7 pontos por jogo, numa era que não favorecia nenhum pouco o seu tamanho. Bogues suas desvantagens individuais se tornarem vantagens coletivas, e foi fundamental para as carreiras de Alonzo Morning, Larry Johnson e Dell Curry.

Baixinhos entre Gigantes, também estrela do cinema?

Muggsy Bogues ao lado de Larry Johnson, Shawn Bradley, Patrcik Ewing, Charles Barkley e Michael Jordan em Space Jam.
Foto: Divulgação/Warner Bros.

Fora das quadras, Muggsy Bogues também é muito conhecido por sua participação em Space Jam, de 1996. O jogador foi uma das cinco estrelas da NBA a terem os seus talentos roubados por alienígenas, para formarem o temível time dos Monsters, que enfrentariam Michael Jordan e os Looney Tunes no “Jogo do Século”.

O jogador gravou diversas para o filme, e o seu alienígena tinha suas características físicas e de jogo, como a baixa estatura, as roubadas de bola e as assistências para os outros monstros. Larry Johnson, seu companheiro de Charlotte Hornets, também estava no filme.

Isso é tudo, pessoal!

Fechamos aqui a mini-série “Baixinhos entre Gigantes” e se leu até aqui, espero que tenha gostado de conhecer um pouco mais alguns jogadores que passam despercebidos por muitos, mas que tiveram muito trabalho duro para chegarem à NBA, superando todas as desconfianças e desvantagens.

O basquete é um esporte que todos podem praticar, independente da altura, cor da pele ou gênero. Estereótipos foram feitos para serem quebrados, e com esses exemplos, talvez novos baixinhos se tornem verdadeiros gigantes no esporte.

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