Em meio a diversos gigantes, “baixinhos” de até 1,75 também tiveram o seu espaço na maior liga do mundo

É comum para um jovem garoto, de altura mais elevada, ouvir a seguinte pergunta: “com esse tamanho, você joga vôlei ou basquete?”. O próprio autor que vos fala já ouviu inúmeras vezes essa pergunta de conhecidos e desconhecidos – quando criança, eu tinha impressionantes 1,70 com apenas 11 anos, mas o meu crescimento estagnou com o tempo, e terminei com 1,81.

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O curioso é que eu realmente joguei basquete naquela época, e por ser mais alto que a maioria das outras crianças, eu acabava levando vantagem ao pontuar e pegando praticamente todos os rebotes. No entanto, outro jogador daquele meu time estudantil se destacava, seu nome era Thiago (apelidado de Thiaguinho), o menor jogador da equipe.

Embora Thiaguinho tivesse pouco mais de 1,40, ele se destacava entre os outros jogadores. Contra todos os padrões, e todas as possíveis desvantagens, ele usava tudo ao seu favor, sendo extremamente veloz e driblando todo mundo. Foi ali que tive uma pequena amostra de que além de pessoas com maior estatura, os “baixinhos” também têm o seu espaço no jogo, e a confirmação viria com Isaiah Thomas.

O Rei do Quarto-Quarto de Boston, Isaiah Thomas

Isaiah Thomas com a camisa do Boston Celtics.

Na primeira temporada em que passei a acompanhar a NBA de perto, eu resgatei minha paixão de NBA2K pelo Boston Celtics, e comecei a acompanhar os jogos da equipe na temporada 2016-17. A temporada em questão culminou na melhor temporada da carreira de um jogador de apenas 1,75, o armador celta Isaiah Thomas.

Foi um ano mágico para o jogador, onde conseguiu ser All-Star pelo segundo ano consecutivo, liderou a equipe em pontos com uma média história de 28.9 pontos por partida, foi o quinto colocado na corrida para MVP e ganhou o apelido de King Of The Fourth.

Seu apelido foi recebido pelas exibições de gala que Isaiah fazia nos últimos quartos, sendo decisivo nas vitórias do Boston Celtics, que liderou a Conferência Leste naquela temporada. Nos playoffs, Isaiah Thomas continuou sendo extraordinário, e na série contra o Washington Wizards, o armador teve que enfrentar outro grande adversário – a perda.

Jogando por Chyna até o fim

Nas semifinais da Conferência Leste, o Celtics enfrentava o Wizards de John Wall e Bradley Beal, porém fora de quadra, Isaiah Thomas lidava com a morte em um acidente de carro de sua irmã mais nova, Chyna.

O jogador, embora abalado emocionalmente, decidiu jogar a série e no segundo jogo da série, no aniversário de sua irmã, calçou um tênis em tributo a ela e fez incríveis 53 pontos no jogo. A vitória e atuação foram dedicadas a ela, e esse momento marcou a passagem do jogador pela franquia, e na memória deste jovem autor.

A vitória nas semifinais se concretizou, entretanto nas Finais da NBA, o Celtics acabou sendo derrotado pelo Cleveland Cavaliers, com um LeBron James implacável (para variar) e a série terminou em 4-1.

O esforço de Thomas naquele ano foi tão intenso, que o jogador sofreu uma grave lesão. Thomas acabou sendo trocado pelo Kyrie Irving, tendo que deixar Boston, se mudar para Cleveland, e infelizmente, nunca mais foi o mesmo. Contudo, o seu legado continua intacto na memória dos fãs do Celtics e da NBA.

Os pequenos homens que voavam

Spud Webb no Slam Dunk Contest de 1986.

Sem duvidas algo que chama a atenção de todos que assistem basquete são as enterradas. Ver um jogador saltando para cravar na cesta é marcante para qualquer criança, por ser um movimento de muito impacto de plasticidade. Jogadores mais altos possuíam mais facilidade para enterrar, mas dois casos foram na contramão, são eles: Spud Webb e Nate Robinson.

Originalmente criado na ABA (liga rival da NBA), o torneio de enterradas é um evento do fim de semana do All-Star Game, cujo objetivo é reunir os melhores dunkers da liga numa competição de melhores enterradas. Os jurados avaliam o grau de dificuldade e de criatividade, e os jogadores proporcionam o show.

Logo na quarta edição do torneio, Spud Webb de apenas 1,70, surpreendeu a todos ao chegar à final com o seu companheiro de Atlanta Hawks, Dominique Wilkins (um dos maiores dunkers da história) e ainda mais ao derrotá-lo.

A impressionante impulsão de Webb conquistou a todos e provou ao mundo que jogadores mais baixos também poderiam fazer cestas acrobáticas. Com a vitória no Slam Dunk Contest de 1986, Spud Webb venceu muito mais do que um troféu naquela noite, assim como quebrou os estereótipos e serviu de exemplo para o maior campeão do evento – Nate Robinson.

O tri-campeão de 1,75, Nate Robinson

Nate Robinson enterrando sobre Dwight Howard.

Como o subtítulo já diz, Nate Robinson é o recordista de prêmios no Slam Dunk Contest com três títulos (2006, 2009 e 2010) e tem apenas 1,75 de altura. Nate Robinson já impressionava a todos pela sua impulsão durante seus jogos pelo New York Knicks, e não demorou muito para ser convidado a participar do evento.

Em 2006, Robinson desbancou Andre Iguodala por apenas um ponto (47 a 46) conseguindo uma enterrada de nota 10 unânime. Entretanto, no ano seguinte foi derrotado pelo Gerald Green do Celtics na final.

Já em 2009, se vestiu de verde em referência a “kryptonita” para derrotar o “Superman” Dwight Howard, numa votação decidida pelos fãs por mensagem de texto (52 a 48 por cento).

Na sua última participação, em 2010, Nate Robinson derrotou DeMar DeRozan em seu começo de carreira, novamente numa votação decidida pelo público (51 a 49). E assim, Nate Robinson segue sendo o maior vencedor do torneio de enterradas, mesmo sendo um dos menores jogadores a participar do evento.

Continua no próximo… Capítulo?

Esses foram alguns dos exemplos de jogadores que superaram as expectativas, e que certamente devem servir de referência para o Thiaguinho – lá do começo do texto, lembra? – mas que não são os únicos.

Decidi separar essa matéria em mais um capítulo, que sairá na próxima semana com Muggsy Bogues e Calvin Murphy. Encerro esse texto por aqui, e vejo vocês novamente na próxima sexta.

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1 COMENTÁRIO

  1. Havia tbm nós anos 2000, um baixinho chamado Earl Boykins que jogava no Denver do Carmelo. Tb era muito bom, e ele parecia uma criança em quadra pelo tamanho.

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