Por diversos anos eu joguei em parques, a maioria das vezes era a mesma cena: muitos homens, poucas mulheres e as que tinham, ficavam sentadas esperando o momento delas; parecia uma cena dos anos 20, depois de esperar que tudo que acontecesse, se tivesse o aval dos homens aí sim a mulher tinha espaço pra dar uns arremessos…

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Quando elas (nós) estavam quadra, poucas vezes se via o respeito pelo jogo, mas muitas vezes se via o desrespeito pela mulher, havia um julgamento sobre seu jogo, havia uma dó implícita de: “tadinha ela é menina deixar ela jogar”, durante o jogo não tinha o mesmo contato, não tinha a mesma marcação porque sendo mulher não teria a mesma habilidade.

Se você homem está lendo isso pode achar que não é uma vivência que você tenha, que não é uma experiência real e eu te digo como mulher que é, o tempo inteiro temos que demonstrar diversas coisas em relação ao entendimento do jogo, em relação aos fundamentos do jogo, temos que saber de NBB, NBA, WNBA, coisas que muitas vezes não são questionadas aos próprios homens, mas se uma mulher começa falar aí sim diversas perguntas surgem para (de novo) validar o nosso conhecimento.

Durante muito tempo no Brasil as mulheres não podiam praticar esportes, principalmente futebol porque os que os homens diziam que elas ficariam masculinizadas e poderiam perder a possibilidade de gerar filhos. Em 2020 ainda ouvimos assim você vai jogar maquiada? Você usa uma bermuda pra causar? Você tem certeza que vai jogar basquete e ficar com ombros largos? Pra que perder tempo? Basquete não leva nada. E basquete pode não levar nada pra muita gente, mas para muitas mulheres esse é o lema de vida. 

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A luta não é pequena não, há briga constante para receberem os mesmos salários que os homens, terem o mesmo reconhecimento, terem patrocinadores que acreditem no feminino e lutem pelo feminino. A mulher que fica dentro de quadra só demonstra o que ela é fora de quadra, aquela que tem que conciliar trabalho, estudo, relacionamentos, que tem que achar um jeito de ganhar vida porque muitas vezes o quanto ela ganha jogando não vai ser suficiente pra pagar as contas.

Esse entre tantos outros textos veio pra mostrar que nós somos fortes, que nós somos competentes e que continuamos sendo mulheres, que cada uma vai ter a própria essência, o próprio jogo, a própria história.

No basquete ainda somos minoria porque infelizmente há uma imposição social de que a mulher tem outros afazeres e muitas vezes não dispõe do mesmo tempo de treinamento quanto homem, mas essas que já estão, lutam com as armas que possuem, como guerreiras em uma batalha sem fim, pra que as próximas gerações não padeçam como elas, não sofram única e exclusivamente por serem mulheres e é por isso que enquanto eu puder não vou desistir dessa guerra. Porque lutamos por você, porque lutamos por nós!

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