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  25 anos do mundial da Austrália conquistado por ELAS!

Há exatos 25 anos, o narrador Luciano do Valle narrava: ” Três, dois, um, é CAMPEÃO DO MUNDO! BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO! ” 

No dia 12 de junho de 1994, na madrugada de um domingo, o basquete mundial se tornava verde e amarelo, o basquete brasileiro conquistava seu primeiro título mundial feminino. Um título que marcou uma geração de ouro do basquete feminino brasileiro. A 12ª edição do Campeonato Mundial Adulto Feminino ocorreu na Austrália, de 02 a 12 de junho, com a inesperada final entre o Brasil e a temida China da grande Zheng Haixia. A equipe brasileira superou todas as dificuldades, vencendo o algoz da segunda fase, se consagrando campeão mundial pelo placar de 96 a 87, no Sydney Entertainment Centre.

A seleção de Hortência, Magic Paula e Janeth escreveu seu nome na história com a conquista do Mundial da Austrália. O trio anotou 70 dos 96 pontos do time. Uma campanha marcada pela superação, com seis vitórias em oito jogos, incluindo um “jogo da morte” diante dos Estados Unidos na semifinal e uma revanche contra a China na decisão. O Brasil longe dos holofotes, sem dar uma entrevista sequer, mas voltaram como heroínas. Foi assim desde a saída do avião por uma porta alternativa até encontrar o saguão do aeroporto de Guarulhos lotado, com familiares, jornalistas e torcedores carregando faixas e bandeiras. 

25 anos do mundial da Austrália conquistado por ELAS!
Da desconfiança a união da equipe. Miguel de Ângelo da Luz relembra a conquista do mundial.
Foto: Divulgação/CBB.

A equipe amarelinha era formada pelas atletas: Adriana Santos, Alessandra, Cíntia Tuiu, Dalila, Helen Luz, Hortência, Janeth, Leila Sobral, Magic Paula, Roseli, Ruth e Simone Pontello. Ao comando do técnico Miguel Ângelo da luz e sua comissão Waldir Pagan (chefe da delegação); Raimundo Nonato (supervisor), Sérgio Maroneze (assistente técnico), Hermes Balbino (preparador Físico), Dra. Marly Kekorius (médica) e Marizia Libeis (fisioterapeuta).

Distante do favoritismo, as jogadoras pareciam invisíveis para as adversárias na Austrália. Nas casas de apostas da época, a seleção brasileira aparecia na 11ª posição em um total de 16 participantes. Mas as comandadas de Miguel Ângelo da Luz não deixaram se abater pelas críticas e desconfianças. Miguel assumiu  a seleção em 1993 sem experiência no cenário do basquete feminino .Deu sequência ao trabalho de Maria Helena Cardoso, que havia liderado a seleção à medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Cuba. A chegada do treinador foi o casamento perfeito. Além do título mundial, ele comandou o Brasil na campanha que culminou na medalha de prata da Olimpíada de Atlanta, em 1996.

O próprio Miguel admitiu as opiniões contrárias na sua chegada, em relato exclusivo para o Área Restritiva.

“Tudo que vinha como crítica negativa, era uma alavanca para nós (comissão técnica) mostrar ao grupo como éramos capazes, uma ferramenta muito importante. Então quando chegamos na Austrália, o Brasil em 11° lugar entre 16 equipes, onde apenas dois países tinham conquistado o campeonato mundial, EUA e a antiga União Soviética, isso serviu de motivação. Numa entrevista coletiva antes de embarcamos, um jornalista me perguntou ‘Professor qual a sua expectativa diante do mundial?’, falei para todos na sala ‘Nós vamos ser campeões’. Houve uma gargalhada, o mesmo jornalista disse ‘Professor você é mágico? Em 92, o Brasil foi penúltimo colocado nas olimpíadas de Barcelona”. Responde que não, que acredito no poder do trabalho, que o ocorrido fortificou as jogadoras, que estavam prontas para ganhar o título. Houve um silêncio, mas tinha os risinhos no canto da boca nas pessoas presente na coletiva. Todas essas críticas no início da minha convocação, de alguns jornalistas me chamando de ‘Zé migué carioca’, tudo isso serviu para motivar mais ainda o grupo’, declarou o técnico.

Considerado o melhor técnico da temporada 94/95, Miguel se fortaleceu das críticas.

“A maior resposta para as críticas foi o resultado: campeão mundial, eleito o melhor técnico do mundo nas temporadas 94/95 e medalhista olímpico. Todas as competições que participamos, subimos ao pódio, então essa foi a melhor resposta que eu pude dar a todos. Nunca agradamos a todos, mas eu agradei às atletas e os dirigentes que trabalharam comigo”, desabafou Miguel.

Após uma estreia tranquila contra Taiwan, a seleção sentiu o sabor amargo da derrota para Eslováquia, mas se recuperou a tempo diante da Polônia. Na sequência, com 38 pontos da jovem Janeth (a maior pontuação de uma atleta no torneio) o time superou uma prova de força no reencontro com Cuba, após o ouro no Pan-Americano de Havana, em 1991. Um revés para a China trouxe ensinamentos que fariam a diferença no fim. Diante da Espanha, apenas a vitória interessava. Por pouco, a vaga para a semifinal não escapou. No primeiro tempo, as brasileiras estavam atrás do marcador. Entretanto, com 26 pontos do banco e uma inspirada Janeth, que anotou 24 e acertou 18 de 20 lances livres, elas cumpriram a missão.

O jogo contra as temidas americanas foi épico. Tanto que os Estados Unidos demoraram mais 12 anos até a próxima derrota, contra a Rússia, na semifinal do Mundial de 2006, em São Paulo. Com uma atuação de gala, o trio verde-amarelo anotou mais de 20 pontos cada, Hortência (32), Paula (29) e Janeth (22), ficando a um passo do tão sonhado título mundial. Na revanche contra a forte seleção da China, o Brasil foi superior, e nem mesmo os 27 pontos marcados pela gigante pivô Zheng, de 2,04m, foram capazes de apagar o brilho das heroínas nacionais.

Geração que marcou não só o feminino, mas o Basquetebol Brasileiro também. É o último título de escala mundial do nosso basquete. No masculino, o último feitoi ocorreu em 1963. O fato evidencia o quão importante e expressivo foi o triunfo da seleção brasileira feminina no mundial de 94.

Da série ” 25 anos da conquista do mundial de basquete feminino” , o Área Restritiva lhes apresenta quatros textos sobre o mundial da Austrália. Serão quatros dias seguidos, um completando o outro.

 

SOBRE O AUTOR Olá pessoal! Sou a Graziela Cristina, mas podem me chamar de Grazi, estudante de Jornalismo e fascinada pelo Basquete e suas magias! Amo histórias, quero trazer à tona a paixão do torcedor, mostrar quem é o verdadeiro " sexto homem", a torcida. Então, vamos juntos nessa série?! CONHECER TODO TIME
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